As pessoas estão a escrever menos à mão e mais ao computador. Estaremos no início do fim da grafologia?
A grafóloga italiana, Liana Cantarelli, na revista Scrittura, n.º 143, apresenta um estudo comparativo entre textos escritos à mão e ao computador pelas mesmas pessoas. Constatou que existem certos géneros em que há divergências entre os dois tipos de escrita, mas descobriu outros em que há concordâncias:
Chegou às seguintes conclusões:- Na ocupação do espaço-folha, os dois tipos de escrita apresentaram um aspecto compacto, com parágrafos e margens semelhantes.
- Pessoas que fizeram letras altas e largas escolheram, no computador, caracteres mais altos e alargados.
- A assinatura está colocada em idêntico local, nos dois textos.
- À maior pressão na escrita manual correspondeu na do computador a escolha do negrito ou sublinhado.
- O material de eleição para o grafólogo continuará a ser o documento escrito manualmente, apesar das semelhanças encontradas.
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29/03/08
Escrita à mão e com teclado, de Liana Cantarelli
Nova terminologia grafológica
A Sociedade Francesa de Grafologia na revista o n.º 267 de la graphologie publicou a nova nomenclatura dos géneros e espécies grafológicos, uma readaptação de glossário de J. Crépieux-Jamin: forma, dimensão, direcção (que incluía a inclinação), velocidade, pressão, continuidade e ordem.A SFDG justifica a “reforma”devido à fraca presença de algumas espécies, à dificuldade em identificar e definir outras ,por causa da mudança das escritas e dos instrumentos actuais.
Mantém os sete géneros, desvalorizando a velocidade, devido à dificuldade em avaliá-la. São acrescentados os géneros: o movimento, a condução do traçado e a desigualdade (Crépiex-Jamin já falava da importância da desigualdade nos géneros como indicadora da sensibilidade do escrevente).
O movimento desdobra-se numa dezena de espécies que vão desde a ausência de movimento até ao movimento propulsivo.
A condução do traçado está relacionada com os movimentos de extensão (relaxamento) e de flexão (tensão). Segundo o predomínio do movimento, pode haver escritas hipotensas, flexíveis, firmes, tensas, hipertensas.
A desigualdade relaciona-se com as variações ou irregularidades da escrita nos vários géneros.
A pressão mantém-se, mas é designada por traço (trait), que inclui o relevo e o calibre.
Existem vantagens numa uniformização terminológica. Certamente, outras associações e países seguirão estes passos. Hoje em dia, torna-se necessária a utilização da mesma linguagem numa ciência. No entanto, como a grafologia se serve de vários métodos, está ligada a realidades sociais diferentes e se encontra numa fase de auto-afirmação, uma uniformização rigorosa poderia prejudicar o seu avanço.
Em Portugal, a Grafologia ainda não possui o estatuto de ciência que alguns preferem designar por Psicologia da Escrita, para libertá-la de conotações exotéricas; outros mantêm o termo clássico de Grafologia que na minha opinião é mais abrangente e histórico, havendo o cuidado de não confundi-la com as ciências ditas ocultas e não descurando nunca uma sólida formação psicológica do grafólogo.
28/03/08
O contributo do grafólogo
Na actualidade a escola é solicitada a desempenhar diversas tarefas, numa sociedade em mudança, cada vez mais complexa e exigente, em que o ensino se generalizou.Os educadores precisam de meios que lhes permitam identificar e superar as necessidades e os limites dos seus alunos e desenvolver as suas potencialidades. Ora, a grafologia estuda principalmente a escrita manual e é na escola que esta mais se pratica. Analisando vários textos ao longo de diversos anos de escolaridade ou em deteminado espaço de tempo, o grafólogo pode coloborar com outros agentes para conhecimento dum aluno, nomeadamente, professores, psicólogo e encarregados de educação. Mas convém lembrar que o significado das várias marcas na escrita varia de acordo com a idade: adulta, da adolescência e da infância.
P. Zanni, grafóloga italiana, num estudo de investigação publicado na revista Scrittura (2007), associa o indício de necessidade de segurança a uma escrita pouco evoluída, com arcadas, com hastes côncavas à direita, com ritmo lento e palavras muito juntas.
J. de Ajuriaguerra (1911-1993), psiquiatra basco, baseado nas variações dos itens de forma e de movimento da escrita, construiu uma escala para avaliar a idade grafomotora das crianças francesas.
U. Avé-Lalleman, psicóloga e grafóloga alemã, autora do teste das estrelas e das ondas (SWT), inventariou mais de duas dezenas de sinais de alarme - pedidos de socorro - na adolescência. A título de exemplo, muitos retoques na escrita seriam um indício de sofrimento interior.
É reconhecido que o autor duma escrita desarmónica, dificilmente se identifica com um aluno bem equilibrado e com bom sucesso.
Uma escrita que se desvie do modelo caligráfico e se personalize é, geralmente, um sinal positivo. E uma letra dita "feia"pode ser obra dum grande espírito criativo.
Torna-se, assim, importante saber interpretar os gestos gráficos que nunca são vazios de conteúdo psíquico, porque toda a escrita é um acto mental e individual.
17/03/08
Campos de aplicação da Grafologia
Aquele que mais espera tudo da Grafologia é o que mais se engana. Os testes grafológicos são como outros testes projectivos não são só por si suficientes para nos fornecerem um perfil completo sobre o autor do escrito analisado. Há elementos que a análise dos textos não nos pode fornecer, como a idade e o sexo do escrevente. Além disso, o resultado dos testes grafológicos é inconclusivo, se não for confrontado com outros de inteligência, de personalidade, de sociabilidade. Como se trata duma ciência humana não exacta, é aconselhável a sua interdisciplinaridade com a Pedagogia, a Psicologia, a Medicina, a Sociologia e a Criminologia.
Porém, a Grafologia ou Psicologia da Escrita tem vasto leque de campos em que pode ser aplicada:
- reeducação da escrita
- detecção de problemas escolares (sinais de alarme)
- autoconhecimento
- diagnóstico da personalidade (perfil psicológico)
- orientação profissional ou vocacional
- selecção de pessoal
- criminologia (identificação de documentos e assinaturas verdadeiros dos falsificados ou atribuição de autorias)
- investigações histórica e artística
- compatibilidade conjugal
- idoneidade de sócios e inquilinos
- contextualização, na área clínica, de determinandas doentes físicas ou mentais
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Papéis da grafologia
14/03/08
1. Um pouco de história - história aos poucos
Hierogligos egípcios (Da Dnciclopédia Luso-Brasileira)
Os primeiros manuscritos eram ideográficos, como os hieroglíficos egípcios. Passados muitos anos apareceu a escrita cuneiforme suméria (em forma de cunha). Começava a escrever-se da esquerda para a direita e continuava-se da direita para a esquerda, sem imterromper e assim sucessivamente, à semelhança do arado que sulca a terra. E por volta de 1500 a. C., apareceu o alfabeto fenício, donde derivaram os alfabetos ocidentais: o grego, o etrusco e o latino.
Os primeiros manuscritos eram ideográficos, como os hieroglíficos egípcios. Passados muitos anos apareceu a escrita cuneiforme suméria (em forma de cunha). Começava a escrever-se da esquerda para a direita e continuava-se da direita para a esquerda, sem imterromper e assim sucessivamente, à semelhança do arado que sulca a terra. E por volta de 1500 a. C., apareceu o alfabeto fenício, donde derivaram os alfabetos ocidentais: o grego, o etrusco e o latino.Desde os tempos mais remotos que a escrita suscitou interesse e curiosidade. Já no II século antes de Cristo, Demétrio, na Grécia, afirmava que a escrita reflectia a alma do indivíduo. E durante o Império Romano, no II século d. C., Suetónio, biógrafo do Octávio César Augusto, destacou algumas particularidades da escrita do imperador, com a finalidade de traçar o perfil da sua personalidade.
Na Idade-Média, antes da invenção da imprensa, a arte de escrever estendia-se apenas a um pequeno número de pessoas, principalmente aos monges copistas. Com a criação de Universidades aumenta a necessidade de comunicar e de escrever, mas esta arte continuava a ser um privilégio de minorias.
João Huarte de S. João (1529-1588), médico e filósofo de origem navarra, na sua obra Examen de ingénios para las ciências, fez estudos neurobiológicos precursores em várias ciências e na grafologia, defendendo que a sociedade devia organizar-se segundo as capacidades dos indivíduos, ideias próximas da orientação vocacional actual.
Em 1622, Camillo Baldi (1547-1634), médico e professor da Universidade de Bolonha, escreveu o primeiro livro sobre Grafologia: Tratatto come da una lettera missiva si connoscano la natura e qualità dello escrittore.
Na Idade-Média, antes da invenção da imprensa, a arte de escrever estendia-se apenas a um pequeno número de pessoas, principalmente aos monges copistas. Com a criação de Universidades aumenta a necessidade de comunicar e de escrever, mas esta arte continuava a ser um privilégio de minorias.
João Huarte de S. João (1529-1588), médico e filósofo de origem navarra, na sua obra Examen de ingénios para las ciências, fez estudos neurobiológicos precursores em várias ciências e na grafologia, defendendo que a sociedade devia organizar-se segundo as capacidades dos indivíduos, ideias próximas da orientação vocacional actual.
Em 1622, Camillo Baldi (1547-1634), médico e professor da Universidade de Bolonha, escreveu o primeiro livro sobre Grafologia: Tratatto come da una lettera missiva si connoscano la natura e qualità dello escrittore.
Marco Aurélio Severiano (1580-1656), médico italiano, escreveu o livro Adivinhador ou Tratado de Adivinhação Epistolar, onde tentava relacionar a escrita com a personalidade do indivíduo.
O filósofo alemão, Guilherme Leibniz (1646-1716), defendia que a escrita espontânea reflectia o temperamento. E o escritor alemão, Johan V. Goethe (1749-1832), grande coleccionador de autógrafos, colocou em evidência a variedade de grafismos na escrita e encorajou o seu amigo Johan K. Lavater (1741-1801), de Zurique, a ter em consideração a importância do gesto gráfico nas suas pesquisas de fisiognomonia (arte de conhecer o carácter pelas feições do rosto).
O filósofo alemão, Guilherme Leibniz (1646-1716), defendia que a escrita espontânea reflectia o temperamento. E o escritor alemão, Johan V. Goethe (1749-1832), grande coleccionador de autógrafos, colocou em evidência a variedade de grafismos na escrita e encorajou o seu amigo Johan K. Lavater (1741-1801), de Zurique, a ter em consideração a importância do gesto gráfico nas suas pesquisas de fisiognomonia (arte de conhecer o carácter pelas feições do rosto).
(A seguir: Clássicos da grafologia)
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História da Grafologia
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