06/11/09

O movimento gráfico

Qualquer manuscrito é o resultado directo duma sequência de delicados movimentos dos dedos, da mão e do antebraço que, coordenados pelo cérebro, através dos nervos motores, e servindo-se de um apropriado instrumento, deixam a sua marca sobre determinado suporte.
Numa série de movimentos de extensão e de flexão, de traços ascendentes e descendentes, curvos, angulares e lineares, o escrevente distribui um fio de tinta com uma originalidade irrepetível. Não há duas escritas iguais, nem mesmo dum único escrevente, mas existem determinadas características que permitem distinguir um texto próprio de outro alheio.
Como em qualquer outra actividade humana, – o canto, a dança, o caminhar –, na actividade gráfica, por baixo da sua forma, escorre vida, num ritmo natural, que é preciso descortinar.
Uma página escrita assemelha-se à fotografia de um rio que a imagem parou, mas cujas águas continuam a correr. Os impulsos grafomotores ficam registados no papel, mediante movimentos acelerados ou lentos, com ou sem interrupções, proporcionais ou desproporcionais, enérgicos ou débeis, interrompidos ou ligados, originais ou padronizados.
Surge, então, a escrita feita de palavras e de proposições alinhadas e distribuídas ritmicamente no espaço e distanciadas umas das outras para ganharem sentido, para espelharem o carácter pessoal do escrevente.
A análise gráfica, devido à ambiguidade e à polivalência de significados dos vários sinais gráficos, só será real quando conseguir penetrar na dinâmica subjacente à forma.
Como afirmou o filósofo e grafólogo alemão, Ludwig Klages, “o ritmo é a manifestação primordial da vida”.
A escrita, como outras obras de arte, contém essa manifestação da vida e, por isso, o grafólogo é capaz de identificar determinadas tendências da multifacetada, mas não compartimentada, personalidade humana.
Uma grande intuição "objectiva" e uma longa experiência são dois atributos necessários para interpretar, através da escrita, a imensa riqueza psíquica do seu autor.

19/10/09

Falsificação de Vermeer

A leiteira, uma das obras mais importantes de Vermeer
A falsificação, quando é total, costuma designar-se por contrafacção e por falsificação, quando é parcial: sujeita a junção, a eliminação ou a substituição de certas partes.

Para estabelecer a autoria ou não autoria de obras de arte, recorre-se, à peritagem gráfica, à análise química das tintas, das telas, dos materiais de suporte, à luz rasante, aos raios ultravioletas, infravermelhos ou laser.

Uma rigorosa análise grafológica da assinatura, confrontada com outras do mesmo autor, poderia facilitar a autenticação, porém, nos tempos antigos, as obras de arte apareciam por assinar.

Não se pode garantir a 100% a autenticidade de determinadas obras de arte, sendo provável que circulem no mercado muitas telas mal atribuídas, especialmente aquelas supostamente pintadas por grandes artistas já desaparecidos e que continuam a ser negociados por avultadas quantias.

Há galeristas que acumularam grandes fortunas à custa da falsificação e da comercialização de obras de artistas famosos como Dali, Picasso, Renoir e outros.

Na história das falsificações ficou famoso o caso do holandês Hans van Meegeren, (1889-1947), dotado de enorme talento para falsificação de obras de arte. Falsificou obras como Cristo e os Discípulos de Emaús, Mulher Surpreendida em Adultério e O Jovem Cristo Ensinando no Templo, atribuídos indevidamente a Johannes Vermeer (1632-1675), grande mestre holandês.

Meegeren, conseguia reproduzir os pigmentos da época, mas, perante a polícia, confessou ter falsificado obras-primas de Vermeer.

Meegeren, além de falsificador, foi um grande génio da pintura e poderia ser colocado ao lado dos grandes mestres holandeses. Foram os próprios críticos de arte que incluíram as obras de Meegeren no catálogo de Vermeer.

Meegeren ficou conhecido como um mago na arte da falsificação. Ele não se limitou a copiar Vermeer, mas pintou quadros e colocou neles a assinatura de Vermeer.

A grafologia terá um importante papel a desempenhar neste domínio, não só em relação à assinatura do artista, mas também no que respeita a qualidade do seu traçado (pressão, direcção, forma, distribuição,…). Se duas assinaturas sobrepostas coincidirem exactamente (se forem iguaizinhas) é prova evidente que uma ou ambas são falsas).

01/10/09

Prova Grafológica da Verdade

Francisco Viñals Carrera, nascido em Barcelona, no ano 1958, é jurista, criminalista, especialista em AT, consultor, grafoanalista e professor da Universidade Autónoma de Barcelona e da Escola de Polícia da Catalunha. Em conjunto com MariLuz Puente, escreveu Diccionario Jurídico-pericial del documento escrito, Análisis de Escritos y Documentos en los Servicios Secretos, Pericia Caligráfica Judicial. Práctica, casos y modelos, Psicodiagnóstico por la Escritura – Grafoanálisis Transaccional e, últimamente, Grafologia Criminal.
Baseado na Grafologia Emocional de Honroth criou a Prova da Verdade Grafológica, aplicada com êxito na Secção de Inteligência do Estado Maior da Região Militar Pirenaica.
Servindo-se de palavras-chave, Viñals distribui-as estrategicamente ao longo dum texto ditado ao sujeito suspeito. Tais termos funcionam como lapsus calami. Ou seja, o escrevente ao redigir certas palavras sente-se tocado emocionalmente e marca-as inconscientemente com diferenças grafonómicas (quebras de linha, rasuras, falta de firmeza, maior ou menor dimensão,...).
Para que a verdade ou mentira sejam detectadas, o perito deve proceder de modo a que o presumível falsificador utilize o menos possível a reflexão.
Viñals, apesar de reconhecer que a Prova da Verdade Grafológica apresenta grande fiabilidade, afirma que a mesma não deve ser utilizada em exclusivo, mas completada com uma prova caligráfica.

Citações grafológicas

A escrita representa uma forma sociológica de comunicação (M. Pulver).
Não há duas escritas iguais (J. Crépieux-Jamin).
A escrita é um produto psicológico (M. Marchesan).
O que mais importa na análise são os desvios do modelo (L. Klages).
Os esquerdinos contrariados deixam sempre a descoberto pequenas anomalias gráficas (A. Vels).
Eu escrevo como sou, mas nem tudo o que sou está reflectido no que escrevo (F. Queiroz).
A assinatura é a expressão das exigências do eu (L. Torbidoni).
A assinatura é o reflexo do eu íntimo e da sua projecção exterior (M. Puente e F. Viñals).
A micrografia e a macrografia são indicadoras de patologia (M. Habib e G. Serratrice).
O significado dum sinal gráfico raramente tem valor absoluto, mas é determinado pelo contexto (Pophal).
Descontextualizar um sinal é uma operação cientificamente incorrecta (P. Cristofanelli).
A escrita é uma harmonia de que o grafólogo decompõe os acordos para voltar a compô-los sob outra forma (J. Crépieux-Jamin).
O grafólogo estuda a grafia como um processo e não como um produto inerte (P. Cristofanelli)-
Muitos psicanalistas servem-se, com grande vantagem, da análise grafológica (A. Teillard).
Nenhum dos campos em que a personalidade humana se pode exprimir está excluído da análise grafológica (F.Giacometti).
Ninguém é capaz de imitar completamente as características gráficas de outra pessoa (anónimo).
A escrita é um gesto fossilizado (M. de Grave).
A expressividade grafológica recai especialmente sobre o ritmo e sobre o movimento (M. Moreno).
Uma assinatura de grandes dimensões, sem pressão, é como uma fogueira de palha (F. Viñals).
A assinatura é uma biografia abreviada do seu autor (M. Pulver).
Toda a assinatura verdadeira apresenta diferenças e toda a assinatura falsa, semelhanças (M. Xandró).
A perfeita sobreposição de duas assinaturas é prova evidente da sua falsificação (anónimo).
As palavras sobre a folha em branco revelam a alma na sua nudez (G. Maupassant).
Toda a escrita é a imediata manifestação do ser íntimo intelectual e moral (J. H. Michon).
Disfarçar a própria escrita é tão difícil como disfarçar a fisionomia (J.Grohman).
Dá-me a escrita duma mulher e eu te direi o seu carácter (W. Shakespeare).
Há escritas que me deslumbram porque são como minas de ouro (A. Vaz da Silva).
A escrita é um meio de comunicação ímpar e o inconsciente revela-se aí tanto como nos sonhos (A. Vaz da Silva).
A Grafologia vale o que valem os grafólogos que a praticam ( E. Mira e López).
O ritmo é o nervo vital da escrita (Muller e Enskat).
A elasticidade máxima significa abertura para o outro, no sentido mais amplo e mais nobre do termo (R. Wieser).
O ritmo é antes de mais um fluxo e refluxo que se repete em intervalos mais ou menos regulares (R. Heiss).
A profundidade é a terceira dimensão da escrita (M. Pulver).
A escrita está, como uma partitura de música, regida por três leis: ritmo, melodia e harmonia (Trillat).
A maneira de escrever exprime algo do temperamento natural (Leibniz).
A escrita é o relevo visível do pensamento (H. Michon).
A escrita não é produto da mão, mas do cérebro (R. Saudek).
O carácter gráfico de cada pessoa que escreve é específico, devido ao facto de cada uma ter uma natureza diferente (P. Aldorisius).
A grafologia ensina-nos que a escrita bonita é feia grafologicamente (G. Moretti).
A grafologia é irmã da psicologia (G. Moretti).
A escrita permite-nos compreender a personalidade do escrevente (S. Lena).
Cada sinal recebe do contexto o seu colorido particular (L. Torbidoni).
A escrita é um movimento constante do eu em direcção ao tu (M. Pulver).
O homem que escreve desenha inconscientemente a sua natureza interior (M. Pulver).

30/09/09

Jean Hippolyte Michon

Jean Hippolyte Michon (1806-1881), abade, botânico de renome, historiador, teólogo e arqueólogo, foi o fundador da escola francesa de grafologia e é considerado o precursor da ciência grafológica.
Este autor introduziu a palavra grafologia (termo que provém das palavras gregas “graphein” que significa “escrever” e “logos” que quer dizer “estudo”) e utilizou pela primeira vez o método grafológico, deduzindo características psicológicas de um indivíduo, com base na análise da sua escrita.

Durante a sua vida sacerdotal, Michon realizou várias conferências, onde expôs e comentou as novas descobertas científicas, sentindo a oposição da alta sociedade da sua época.

Em 1848, abandonou o ministério paroquial e assumiu o cargo de director do colégio de Thibaudières. Aqui tornou-se amigo do erudito abade de Flandrin que lhe explicou que existia um meio de conhecer as aptidões dos seus alunos, servindo-se da escrita (um conjunto de sinais gráficos que permitiam determinar alguns traços da personalidade do seu autor).

Dentro do espírito das descobertas do século XIX, ele estudou meticulosamente a escrita manual e criou um grande número de sinais gráficos que estavam relacionados com determinados traços do carácter.

Michon empregou todo o tempo e os meios disponíveis ao serviço daquilo que ele designou por “nova ciência”. O seu raciocínio era baseado na relação íntima entre o pensamento e a escrita. Para ele o sinal gráfico estava intimamente relacionado com o sinal psicológico.

Elaborou a teoria do sinal fixo (método baseado na interpretação mais ou menos fixa dos sinais gráficos) que corresponderia a um determinado traço do carácter e a teoria do sinal negativo que consistia em admitir que a ausência de um sinal na escrita permitia deduzir a existência de um traço do carácter com sinal oposto.

Em 1860, no seu livro La Rénovation de l'Eglise, defendeu a eleição dos bispos e o fim do celibato dos padres. Foram-lhe fechadas todas as portas e teve que abandonar o colégio.
Dedicou-se, então, com entusiasmo, à análise da escrita e expôs a sua descoberta em Le Journal de l'Autographe que suscitou um grande interesse.
Em 1872, publicou o livro Les Mystères de l'Ecriture que obteve um enorme sucesso, tendo sido traduzido em várias línguas, entre as quais a portuguesa. Na sua obra Système de graphologie (1875), procurou encontrar os fundamentos teóricos da grafologia.

Escreveu outros livros, como La méthode pratique de graphologie e La graphologie ou l’art de reconnaître les hommes par l’écriture. Criou ainda Societé Française de Graphologie (1871) e a revista La Graphologie, que ainda hoje se publica.
Michon tinha consciência que “o coração do homem está cheio de contradições”, afirmando que a tenacidade e a debilidade de carácter podem coabitar na mesma pessoa.

O grande mérito de Michon está em ter edificado a grafologia sobre bases sólidas e em abrir vários campos de análise.
Termino com duas citações do autor: "A escrita é o relevo visível do pensamento", "on pourrait faire une histoire politique des progrès de l'esprit, de la civilisation, et de la liberté d'une nation avec les seuls manuscrits autographes des contemporains".

19/09/09

Jessica Cox e a velocidade da escrita

Jessica Cox, 26 anos, dos USA, psicóloga, pilota um avião sozinha, é bailarina profissional e faixa preta no judo e coloca as lentes de contacto.
E escreve com rapidez, conseguindo fazer 25 palavras por minuto com os pés.
Atribuindo uma média de 6 letras por palavra, temos 150 letras por minuto. Com este quantitativo uma escrita considera-se rápida.
Devido a um defeito genético, Jessica nasceu sem braços, porém, a sua grande autoconfiança nunca a leva a dizer “não posso”, mas a dizer sempre “ainda não consigo”.
Um exemplo a seguir por todos aqueles que têm menores problemas verdadeiros ou imaginários.

31/08/09

Paulo Sérgio de Camargo

Paulo Sérgio de Camargo, conceituado grafólogo brasileiro, investigador, professor no Centro de Psicologia Aplicada no Rio de Janeiro, vice-presidente da Sociedade Pan-Americana de Grafologia, colaborador em revistas e periódicos, membro da Sociedade Brasileira de Grafologia, professor do Colégio Binet de Buenos Aires, palestrante e orientador de cursos de Grafologia, é especialista em linguagem não verbal e Recursos Humanos, possuindo uma das maiores bibliotecas de grafologia da América do Sul.
Camargo está procurando fazer escola no Brasil, baseando-se especialmente na grafologia francesa, sem deixar de lado outras correntes grafológicas, como, por exemplo, a morettiana e a alemã.
É autor de diversos livros da especialidade, entre os quais se contam:
  • Grafologia Expressiva, onde analisa centenas de textos e as origens do método grafológico.
  • A Grafologia no Recrutamento e Selecção de Pessoal, o primeiro livro do género no Brasil.
  • Assinatura e Personalidade, onde mostra o perfil de muitas personalidades brasileiras e interpreta os oito géneros gráficos.
  • A Escrita Reflecte sua Personalidade, que abrange a história de grafologia e os vários géneros.
  • Psicodinâmica do Espaço na Grafologia, em que estuda a grafologia por meio da dinâmica do espaço.
  • Dicionário de traços na grafologia, onde apresenta os principais síndromes da grafologia.

No passado mês de Agosto foi entrevistado no programa televisivo de Ana Maria Braga, em que abordou diversos aspectos da grafologia e analisou algumas letras de personalidades públicas.
Recentemente está dinamizando o fórum grafonauta@yahoogrupos.com.br, seguido, com grande animação, especialmente por grafólogos (as) brasileiros (as), consultores de recursos humanos e psicólogos, onde se debatem ideias, trocam impressões, expõem dúvidas e divulgam iniciativas.

Junto o link para poder ver e ouvir a interessante e divertida entrevista.

http://maisvoce.globo.com/MaisVoce/0,,MUL1272399-10345,00.html