25/06/17

Escrita manual e ao computador

Extrato de uma carta de um Bispo de Cochim (1787)

Com o desenvolvimento das novas tecnologias, a escrita à mão perdeu o seu domínio. Os écrans táteis e o teclado dos computadores substituíram em grande parte a utilização da caneta. Os postais e as cartas, no suporte papel, foram, quase totalmente, dominados por mensagens em formato digital, onde copiar, colar e enviar se processam com uma velocidade nunca antes imaginável. 


As pastas de arquivo estão a deixar de ser materiais e concretas, tornando-se virtuais. A evolução extraordinária dos meios de comunicação veio, de facto, facilitar e revolucionar a aproximação dos factos e das pessoas. O mundo transformou-se numa aldeia global.
Perante esta transformação eletrónica, valerá a pena continuar a aprender e a ensinar a escrita manual?
Na Finlândia e em alguns Estados da América do Norte, foi abolida a obrigatoriedade da escrita cursiva, mantendo-se apenas a letra de imprensa. Justificam esta posição pela dificuldade de aprendizagem e desperdício de tempo que seria útil  para outras atividades didáticas.
As novas tecnologias são sempre bem-vindas em qualquer atividade ou domínio do saber, porém, a escrita eletrónica não pode substituir, mas complementar a escrita à mão.
O aparecimento e a utilização da escrita manual, há milhares de anos, provocaram uma revolução semelhante à que hoje se verificou com a eletrónica. As memórias, os conhecimentos, as descobertas e as invenções dos séculos passados teriam desaparecido e impediriam o progresso e bem-estar da humanidade, caso não tivessem sido fixadas, graficamente, em diversos materiais.
Investigadores das neurociências, da medicina, da psicologia, da pedagogia e da grafologia são unânimes no reconhecimento de múltiplas vantagens na continuidade do ensino e utilização da escrita manual, refutando a substituição da caneta pelo teclado.
Entre os principais benefícios da escrita manual, em relação à do teclado, mencionam:
·       desenvolvimento das capacidades motora, percetiva e cognitiva,
·       fortalecimento da coordenação óculo-manual,
·       maior facilidade na perceção das letras e  no domínio da leitura,
·       melhoria da concentração e da memória,
·       conjunto de caraterísticas artísticas e criativas que tornam único o seu autor.

Na era digital, a escrita manual não pode perder o seu lugar nem ser considerada obsoleta, porque se trata de um produto essencialmente humano, resultante de uma série de movimentos coordenados pela mente, pela vista e pela mão, que constituem, ao mesmo tempo, uma tridimensionalidade física, intelectual e emocional.

01/09/16

Análise da escrita através de algoritmos biométricos



A biometria aplicada à escrita permite a identificação do autor de determinada escrita ou assinatura, servindo-se da captação e da análise de caraterísticas individuais únicas, deixadas sobre o suporte eletrónico.
Esta aplicação constitui um avanço na descoberta da falsificação de documentos manuscritos.
O grafólogo, servindo-se de um suporte monitorizado por um apropriado software, consegue observar e comparar, quantitativa e estatisticamente, determinados parâmetros fundamentais de identificação da simulação ou falsificação. Para que a perícia possa ser realizada com sucesso, a escrita terá que ser lavrada, previamente, sobre o referido suporte eletrónico.

O ritmo biodinâmico do cada escrevente, expresso através da motricidade fina, permite expressar, sob a forma de gráfico, as caraterísticas dos movimentos grafismos, tais como a aceleração ou abrandamento, a tensão ou pressão exercida, o tempo de execução, a angulosidade ou curvatura, a direção da linha de base, a dimensão e o grau de ligação e movimentos aéreos.
À semelhança do que sucede em outras ciências, como na medicina, a utilização da tecnologia na análise da escrita permite uma maior discriminação e precisão nos resultados do que os meios tradicionais. O ritmo da escrita é apresentado no hardware, assim como o ritmo cardíaco se apresenta no eletrocardiograma.
As sequências de algoritmos ficam ausentes de ambiguidade desde que estejam corretamente implementados, deem os passos específicos e segundo determinada ordem. A exatidão dos resultados pode ser comprovada matematicamente.

Porém, devido à complexidade e variabilidade da mente, do sistema nervoso e do comportamento humanos, exige-se uma redobrada atenção, aquando da recolha de dados, do seu tratamento e armazenamento. 

14/06/16

Algarismos e identificação do seu autor

Na procura de um indivíduo que tenha cometido determinado crime ou atos de terrorismo, a polícia tenta investigar todos os sujeitos que apresentam caraterísticas físicas ou psicológicas semelhantes às do indivíduo suspeito.

O sujeito criminoso tentará por todos os meios disfarçar o seu aspeto físico e comportamental, a fim de iludir as autoridades policiais e dificultar a sua identificação: poderá deixar crescer a barba e o cabelo, usar óculos escuros ou escurecer a própria pele.

Na impossibilidade de recolha do ADN, de impressões digitais ou de provas testemunhais, os investigados dos atos criminais tendem a alargar o leque de suspeitos e, por vezes, pessoas irrepreensíveis, que nada têm a ver com atos criminosos, sofrem injustamente, apenas porque se encontravam no local errado e no momento errado.

Determinados indivíduos podem, até, possuir o mesmo nome e idêntica nacionalidade e tratar-se de pessoas completamente distintas.

Seria muito vantajoso para a investigação a descoberta de qualquer registo escrito encontrado na posse do sujeito suspeito. Quando este fosse chamado a produzir textos autógrafos, dificilmente conseguiria disfarçar as caraterísticas da escrita que lhe são próprias e acabaria por se autodenunciar.

Nos dois enunciados, acima apresentados – no contestado e no autógrafo – observam-se marcas que denunciam a mesma autoria: como o arredondamento dos ovais, a ausência de angulosidade, os movimentos finais fusiformes, a oclusão no topo de alguns carateres, a simetria volumétrica, o traçado denso e bem pressionado, o tipo de ligação, o ritmo e a velocidade destes enunciados, tipicamente, femininos. 

O enorme predomínio das semelhanças sobre as diferenças observadas nestas duas curtas séries numéricas, leva-nos a concluir que as mesmas se correspondem e que foram lavradas pela mesma pessoa. 
https://www.facebook.com/CentroGrafologiaDocumentospiaForense/

26/01/16

FALSIFICAÇÃO POR IMITAÇÃO GROSSEIRA


A afirmação constante no enunciado “B” é uma imitação grosseira da afirmação “A”.
O falsificador “B” não conseguiu captar o ritmo da escrita “A”, pecando por lentidão, tremor, paragens e faltas de ligação.
O traçado “B” é mais monótono e a pressão apresenta pouca diferenciação entre os movimentos descendentes e os ascendentes.
Enquanto as hastes literais do enunciado autógrafo “A” se inclinam ligeiramente para a esquerda, no enunciado contestado “B”, a inclinação é variável.
O imitador/falsificador terá sentido dificuldade em se adaptar a uma escrita com caraterísticas muito diferentes das da sua.
Os traços verticais da escrita autógrafa “A” são bem marcados, revelando a tendência do autor para pressionar mais acentuadamente os movimentos de contração e reduzir ao mínimo os de extensão. Este facto é comprovado pela presença de constantes movimentos aéreos que não se observam na escrita suspeita.
O bucle na parte superior da consoante “l”, em forma de vela, na frase autógrafa, difere bastante do bucle da frase suspeita que se encontra mais arredondado, inclinado para a direita e que fora realizado com maior lentidão. 
A barra da letra “t” na escrita “A” é muito mais leve do que em “B”. Quando o autor da escrita “B” pretende imitar a rapidez com que foi executada a barra da escrita “A”, ligando a haste e a letra seguinte, o que resulta é uma prova de falsa velocidade. Pois um movimento rápido não se perde em formas angulosas nem em ziguezagues.
Na hipótese de se tratar de uma auto-imitação ou auto-falsificação, o autor teria, com certeza, deixado algumas marcas por disfarçar, porque tem um estilo muito próprio e inconfundível. 
Depois de observação ao microscópio destas e doutras diferenças, pericialmente muito significativas, pode afirmar-se que os dois enunciados não se correspondem e que, muito provavelmente, terão sido escritos por pessoas diferentes.

https://www.facebook.com/afonso.sousa.370

03/12/15

Ritmo da Escrita



O ritmo da poesia, da música e da fala varia de acordo com a expressividade biopsicológica do seu autor. O modo de caminhar e de correr são distintos de umas pessoas para as outras. A linguagem gráfica é, também, caraterizada pelo ritmo. Por este facto, o ritmo da escrita expressa a individualidade do sujeito escrevente.

A escrita rítmica pressupõe criatividade e uma certa desigualdade de forma, de tamanho e de pressão. O ritmo não se confunde com o movimento grafoescritural “mecanizado” ou monótono, em que as letras e as palavras surgem sempre certinhas.

Os diferentes géneros ou subgéneros oscilam ligeira e harmoniosamente ao longo do traçado, num ambiente gráfico positivo, difícil de quantificar, porque resultam de impulsos complexos da personalidade do seu autor.

A analogia estabelecida entre o ritmo vital e a atividade grafomotora permite distinguir duas escritas diferentes ou caraterizar, psicologicamente, os seus autores. Somente, em situações patológicas é que o ritmo do fio de tinta não espelha o biorritmo endógeno do escrevente.


O ritmo da escrita manual assemelha-se mais ao das ondas do mar, calmas ou agitadas, do que a oscilações pendulares, periódicas, precisas e monótonas. E a complexidade da mente humana faz com que determinado grafismo deva ser apreciado como um todo complexo e dinâmico. No entanto, o ritmo adquiriu, recentemente, um importante papel na perícia da escrita manual.

16/11/15

Escrita e coeficiente de inteligência

A inteligência costuma ser definida por capacidade de adquirir conhecimentos e de aplicá-los, adequadamente, a novas situações. Capacidade que pressupõe uma atitude mental flexível, capaz de
organizar e comunicar, logicamente, as diversas ideias.
A memória, o raciocínio, a fluidez verbal e a velocidade percetiva são parâmetros que andam associados à manifestação da inteligência.
Múltiplos autores que procuraram estudar, definir e avaliar vários graus ou níveis de inteligência. Para tais efeitos foram criados testes baseados no vocabulário, na memorização de algarismos, no raciocínio aritmético, no complemento de figuras ou de histórias, na associação de símbolos e em desenhos. Também o teste grafológico pode ser um ótimo instrumento para medir o grau de inteligência do escrevente, com base na análise da escrita. Esta possui a vantagem de não necessitar da presença do escritor, evitando, assim, algum estresse e determinados condicionalismos.
O indivíduo ao escrever um texto espontâneo, utiliza, simultaneamente,  a mente, o sistema nervoso e os músculos, tornando os movimentos grafoescriturais  como atos  da inteira personalidade. Porém, as palavras são criadas e distribuídas no espaço, de acordo com o grau de inteligência do seu autor.   
Desta maneira, o modo como nos expressamos graficamente, deixando de lado o conteúdo, é capaz de revelar o nível de inteligência.
O exame grafológico não pretende substituir os instrumentos de avaliação do cociente de inteligência iniciados com Binet, desenvolvidos com Wecheler e continuados por tantos outros investigadores, pois todas as ciências são poucas para descortinar a complexidade da personalidade humana.
Entre as principais caraterísticas da escrita que revelam uma boa inteligência podem mencionar-se a clareza e a harmonia do enunciado, a simplicidade, a proporção entre os vários géneros, as formas diversificadas, criativas e originais, a simplificação de carateres, a rapidez do movimento, a ligação dos carateres e a pressão moderada.
Na apreciação destes parâmetros, a atitude do grafólogo deve ser de humildade e de rigor, de modo a não extrair conclusões precipitadas e descontextualizadas, baseadas em amostras escassas.

Neste manuscrito de Albert Einstein, podemos encontrar as caraterísticas acima enunciadas.

09/11/15

UM AUTOR OU DOIS AUTORES?

Quando, em duas assinaturas, nos surgem muitas semelhanças significativas e escassas diferenças, costumamos atribuí-las à mesma pessoa. Porém, quando aparecem uma ou mais diferenças relevantes, podem virar todo o edifício ao avesso.  É o que acontece na presente ilustração. Uma única dissemelhança  (a ordem por que foi traçado o "laço" do "f") obriga-nos a rever todos os parâmetros e a examiná-los com maior pormenor.