03/04/19

A forma e o movimento na escrita manual


Imagem extraída da revista la graphologie
A escrita manifesta-se sempre através da forma e do movimento no espaço. Estes dois fatores completam-se, mas, normalmente, os escreventes valorizam mais ou menos um fator do que o outro.
Quanto mais acentuada for a forma menor será o movimento e quanto maior for o  movimento menor será a forma. Porém, não existe forma sem movimento nem movimento sem forma.
A preferência por cada um destes géneros é assumida inconscientemente pelo escrevente, de acordo com a sua personalidade, constituindo, por esse facto, uma boa referência para inferir determinadas caraterísticas psicológicas.
                                                                            Imagem extraída da revista la graphologie 
A forma considera-se predominante quando a escrita parece estar parada, com as letras minuciosamente desenhadas e ornamentadas. Um grafismo com estas vertentes revela que o seu autor estará mais focado na aparência, na necessidade de segurança, na estrutura e na imagem do Ego, no formalismo e na burocracia, manifestando originalidade, sentido estético e capacidade de adaptação.

Quando o movimento é predominante, a escrita apresenta-se muitas vezes inclinada para a direita, espaçada entre letras e entre palavras, com pequena dimensão, ligada, ritmada, com a direção da linha ascendente ou variável, com menor pressão e maior velocidade, com acentuação adiantada e formas semiovais. 
Predomínio desta dinâmica indica intensidade de vida, agilidade de atuação, de pensamento e de imaginação, comunicabilidade interna, impulsos vitais, aptidão para compreender e resolver problemas.
 As caraterísticas psicológicas referidas serão sempre comprovadas na presença de outros sinais deixados na escrita manual.

                                                       Afonso Sousa

16/02/19

Uma letra foi decisiva na atribuição da autoria


O algarismo 1 identifica o Documento Autêntico, escrito em 2019 e o algarismo 2,  o Documento Suspeito, redigido em 2013.  Ambos foram lavrados na posição de em pé e sobre um balcão de atendimento ao público. 

Parâmetros como forma, velocidade, continuidade do traçado, pressão, inclinação, dimensão e ligação são semelhantes nos dois caracteres.  As semelhanças são tão evidentes que o exame desta simples letra nos permitiu chegar a uma conclusão acertada.

Seguindo a ordem alfabética de “a” até “o”, no Documento 1, podemos acompanhar a sequência do traçado que a caneta realizou para executar a vogal maiúscula “A”.   

O escrevente, neste caso uma escrevente, inicia  com um movimento ascendente e pouco pressionado. No topo deste carácter forma um ângulo agudo. Desce, logo a seguir, de modo firme, em diagonal sinistrogira, até ao ponto mais baixo. Sem levantar a caneta, sobe um pouco em sobreposição com o traço descendente. Depois desvia à esquerda e deixa uma marca de tinta quase impercetível e passa a formar um segundo ângulo agudo abaixo do primeiro. Volta, de novo, a descer e projeta-se  numa curva ligeira para a esquerda.  Atravessa a linha de base e desenha uma nova curva apertada para a esquerda.  Sobe, novamente, com um traçado menos pressionado, para logo a seguir voltar à direita e formar um ângulo aproximadamente reto para completar a letra "A". 

Podemos verificar que algo de muito semelhante acontece na formação da letra "A" (Doc. 2), exceto no traço horizontal final, precedido de um movimento aéreo.
Apesar da distância temporal de seis anos que medeiam entre a realização dos dois documentos, as semelhanças pertinentes apresentadas pelas suas marcas grafoescriturais levaram-nos a concluir, num grau elevado de probabilidade, que ambos os documentos saíram do mesmo punho.
Afonso Sousa

08/01/19

Disgrafia - causas e diagnóstico

Texto de um jovem adolescente, de 14 anos, que frequentava o 5º ano de escolaridade.

As causas da perturbação grafomotora consistem na dificuldade de aquisição do esquema corporal, de orientação, de coordenação óculo-manual e da lateralidade, devendo ser identificadas a partir da escola infantil.
Outras causas consistem na falta de pré-requisitos, da escassa motivação, das fracas condições ambientais, de distúrbios afetivos, da motricidade inadequada, da descoordenação corpo/espaço, da inserção complicada no ambiente escolar, das perturbações da linguagem (atraso na aprendizagem, dificuldade de simbolização e de compreensão do léxico).
Dificilmente existirá uma causa única e suficiente para explicar o comportamento disgráfico. Convém, pois, efetuar, antecipadamente, uma anamnese, recolhendo informações junto da criança, dos pais e dos professores e fazendo testes de leitura, uma vez que a aprendizagem da escrita está diretamente relacionada com o desenvolvimento da expressão oral e da leitura.
A fim de determinar o nível grafomotor, o grafólogo fará um exame cuidadoso da escrita, estabelecendo um bom relacionamento com a criança e com a sua família, em colaboração com os professores. O programa de atuação será individualizado, tendo em conta a personalidade da criança, o seu nível de integração na escola e a sua motivação. Sem esconder as falhas detetadas, convém valorizar os aspetos positivos da escrita, a fim de aumentar a autoestima.
A educação será sempre preferível à reeducação. Porém, quando a escrita não desempenha bem a função de comunicar e o gesto se torna difícil, é necessária a reeducação através da intervenção dum profissional  que saiba lidar com o problema e coordene a realização de atividades didáticas apropriadas que permitam desenvolver capacidades percetivas, motoras, linguísticas, de atenção e mnemónicas adequadas.
O grafólogo observará a posição do escrevente, a distância entre o corpo e a mesa, a posição da coluna vertebral e das pernas, verificará se a mão que escreve está apoiada na folha e se o cotovelo assenta sobre a mesa, se a caneta é pegada pelo dedo indicador e pelo polegar,  se  está apoiada no dedo médio e se os dedos anelar e  mínimo deslizam sobre folha.
Uma atenção especial será prestada à organização espácio-temporal, à coordenação motora, à lateralidade, à linha de base, à pressão, à velocidade, ao tamanho dos carateres e a outros parâmetros que, negativamente, se destaquem. Sendo detetados problemas de foro neurológico ou psicológico, torna-se necessária a intervenção de um profissional de saúde.  
Entre as técnicas que ajudam a melhorar a grafia, podem nomear-se  o desenho livre, os traçados arabescos, os contornos, o preenchimento de figuras, os grafismos com várias direções e formatos, os exercícios de progressão cinética e de pressão.
Inicialmente, algumas técnicas podem ser aplicadas em suportes de maior dimensão do que a folha de papel (como por exemplo quadros) ou utilizando outros instrumentos diferentes de escrita, como marcadores e pincéis.
Qualquer método ou processo de educação ou de reeducação deve assumir um caráter específico e ao mesmo tempo globalizante.

03/12/18

Grafologia e disgrafia



Escrita de adolescente com 14 anos, desinteressado 
pela escola, algo violento e com variações de humor.
.A escrita é um ato, simultaneamente, neurológico, percetivo e motor. A capacidade para  escrever pressupõe, portanto, uma coordenação funcional dos membros superiores, o que implica o desenvolvimento das capacidades motora e motora fina, visual, espacial e linguística.
 Ambos os hemisférios intervêm na realização do ato gráfico. Todavia é sabido que o hemisfério esquerdo predomina sobre o direito, como se pode constatar na preferência da mão direita pela quase totalidade dos escreventes.

Uma das perturbações de tipo funcional da escrita é a disgrafia, que ocorre com alguma frequência no início da fase de aprendizagem, sem implicar lesões cerebrais ou problemas sensoriais. Ela consiste na dificuldade de execução gráfica, na perceção incorreta das formas e da dimensão das letras, das palavras e dos algarismos e na incorreta orientação espacial. A disgrafia não é problema apenas das crianças, mas também dos adultos. Os estudos efetuados provam que a percentagem de indivíduos com disgrafia é mais elevada no sexo masculino do que no feminino.
O escrevente com disgrafia  faz muito maior esforço para escrever  do que os não disgráficos.  A sua escrita costuma apresentar linhas flutuantes, espaços e margens irregulares, formas imperfeitas das letras  e com dimensões irregulares, erros ortográficos, pressão irregular, ritmo alterado, rasuras e interrupções do traçado, inversões de sentido do movimento gráfico, a pontuação descuidada e inclinação variável.
 A disgrafia distingue-se, também,  pela fraca qualidade da letra, pela insuficiente legibilidade, pela demasiada lentidão. Não se deve confundir com a chamada “letra feia”.
Ela distingue-se da dislexia e da disortografia, mas está com estas relacionada.
                Afonso Sousa

18/10/18


Caraterísticas grafológicas das assinaturas de Cristiano e Kathryn
No texto apresenta-se uma súmula dos traços mais visíveis e mais significativos das assinaturas de Cristiano Ronaldo e de Kathryn Mayorga envolvidos num caso mediático.
Não aparecem interpretados psicologicamente, porque as assinaturas estão isoladas de textos manuscritos que contextualizem as caraterísticas aqui apresentadas. A contextualização é, de facto, fundamental para uma boa apreciação e para a obtenção de resultados mais confiáveis.
A assinatura de Cristiano Ronaldo apresenta uma grande clareza e enorme simplicidade. O nome e apelido estão bem separados, sem predomínio de um sobre o outro.
Destacam-se a separação de todos os carateres, a fragmentação da letra “d”, a mistura de carateres caligráficos com tipográficos, as formas curvas e ovais arredondados, a ausência de ângulos, a letra “R” a dominar em altura e amplitude todas as outras.
A assinatura de Kathryn Mayorga é pouco legível, em que o nome aparece ligado e enlaçado ao apelido. Este predomina sobre nome em extensão e artifícios, apesar de serem compostos pelo mesma quantidade de carateres.
Destacam-se, ainda, enrolamentos acessórios no final do apelido terminados com um movimento em ponta aguda prolongada para a esquerda, um movimento sinistrogiro no final do nome cortando-o, uma mistura de traços angulosos e arredondados e a zona inferior é invadida por duas vezes.

04/10/18

Uma boa ideia para uma prenda original



                                                                                              A iniciativa surgiu de um Centro de Recrutamento de Pessoal no Grande Porto.
 Para o aniversário de uma colabora dora, psicóloga, a diretora quis fazer-lhe uma surpresa: oferecer-lhe um teste grafológico de personalidade.
Os testes psicológicos são o pão nosso de cada dia para o Centro. A diretora, desta vez, como tem uma grande admiração pela grafologia, optou por encomendar um teste não para admissão de ninguém, mas para surpreender a sua amiga psicóloga.

Contactou-me para saber se poderia contar com a minha colaboração para surpreender a amiga.  
Após a resposta afirmativa e estabelecidos os honorários, recebo uma carta escrita manualmente pela aniversariante.
Houve que fazer uma análise cuidadosa do texto para deduzir algumas das principais caraterísticas pessoais.
Numa linguagem clara e precisa, o perfil fora traçado e a prenda seguira em suporte eletrónico.
As últimas palavras que recebi da pessoa retratada foram, textualmente, “Grata pela análise... Fez-me muito sentido! E pedi a outras pessoas que me conhecem para comentarem e todas concordaram...!
Vinda de uma psicóloga, esta declaração deixou-me ainda mais satisfeito do que se partisse de alguém alheio à psicologia.
Aqui fica a ideia dum voucher diferente, mas enriquecedor, para as prendas dos amigos.

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https://www.facebook.com/pericia.da.escrita.manual/
e-mail: afhsousa@hotmail.com

28/09/18

Imitação ou mesma autoria?


A perícia levada a cabo nos dois termos concluiu que se tratava da mesma autoria e não de uma imitação por outrem.
Pois o termo suspeito “Carvalho”, numa observação macroscópica, apresenta estilo, dinâmica e forma equivalentes com o termo autêntico “Carlos”.
A velocidade de escrita de ambos os termos é lenta.
Os traços descendentes são bastante carregados e os ascendentes, pouco marcados ou mesmo impercetíveis.
Na zona média, a dimensão vertical das letras predomina sobre a horizontal.
Os carateres estão agarrados à linha de base.

A presença das três primeiras letras iguais (Car) nos dois nomes, permite confirmar ritmo, enrolamentos e interrupções semelhantes.

E, no exame pormenorizado, observaram-se marcas semelhantes e dissemelhantes, sendo as primeiras em grau mais elevado  do que as segundas no que toca a quantidade e qualidade.
As semelhanças estão assinaladas, nas figuras, com algarismos e as diferenças, com letras.