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28/09/18

Imitação ou mesma autoria?


A perícia levada a cabo nos dois termos concluiu que se tratava da mesma autoria e não de uma imitação por outrem.
Pois o termo suspeito “Carvalho”, numa observação macroscópica, apresenta estilo, dinâmica e forma equivalentes com o termo autêntico “Carlos”.
A velocidade de escrita de ambos os termos é lenta.
Os traços descendentes são bastante carregados e os ascendentes, pouco marcados ou mesmo impercetíveis.
Na zona média, a dimensão vertical das letras predomina sobre a horizontal.
Os carateres estão agarrados à linha de base.

A presença das três primeiras letras iguais (Car) nos dois nomes, permite confirmar ritmo, enrolamentos e interrupções semelhantes.

E, no exame pormenorizado, observaram-se marcas semelhantes e dissemelhantes, sendo as primeiras em grau mais elevado  do que as segundas no que toca a quantidade e qualidade.
As semelhanças estão assinaladas, nas figuras, com algarismos e as diferenças, com letras.

01/06/13

Falsificação de documentos - O caso Dreyfus

Em 1894, Madame Bastian, espia dos serviços secretos franceses, trabalhava como empregada doméstica na embaixada alemã, em Paris. Enquanto procedia à remoção do lixo no cesto dos papéis, encontrou pedaços de uma carta anónima (le bordereau), com informações importantes sobre o exército francês. Madame Bastian entregou os fragmentos descobertos aos serviços secretos franceses. O Ministério da Guerra contratou Paty De Clam e o coronel D`Aboville,  grafólogos amadores, para que averiguassem a autoria da missiva.
Alfred Dreyfus, oficial do exército francês, de origem judaica, foi considerado o principal suspeito e condenado a prisão perpétua.
Três anos mais tarde, o irmão de Dreyfus soube que o verdadeiro autor foi Charles Esterhazy, oficial do estado-maior do exército. Ocorreu um segundo julgamento, mas a sentença não foi alterada. Em 13 de janeiro de 1898, Émile Zola, escandalizado com a injustiça, escreveu uma carta aberta, intitulada J`Acuse, ao presidente da república, publicada no jornal republicano L`Aurore. A polémica foi enorme e dividiu a França entre sionistas e antissemitas.
Em 1906, uma perícia estatístico-grafológica, realizada pelo matemático Henri Poincaré, atribuiu a autoria da carta a Esterhazy. Este, protegido pelas cúpulas militares, não pagou, devidamente, pela sua traição ao exército.

 Dreyfus foi inocentado, mas nunca foi restabelecido totalmente na sua carreira militar 
Outros casos: https://www.facebook.com/CentroGrafologiaDocumentospiaForense?ref=hl

25/05/13

Falsificação de documentos - doação de Constantino


Em 476, o Império Romano do Ocidente caiu, devido às invasões bárbaras na Europa

. Este acontecimento enfraquecera a religião cristã face às pagãs.  

Cerca de um século, após a morte de Constantino (272-337), com o objetivo de fortalecer o Cristianismo, foi forjado um documento por determinado elemento do alto clero, nunca identificado.
Tratava-se de uma suposta “Doação” de Constantino ao Papa Silvestre I, onde o imperador confessava a sua fé e declarava ter sido curado da lepra por intercessão do Papa.
Em 1433, o imperador Oto III duvidou da sua autenticidade. Porém, foi Lorenzo Valla (1407-1457), escritor e filósofo italiano, que publicou um panfleto onde provou a falsidade do documento. Entre os elementos da prova constavam:
·        a natureza do testamento que não correspondia aos da época de Constantino,
·        a presença de erros linguísticos,
·        a utilização de helenismos e de barbarismos em desuso na época de Constantino
·        a incongruência temporal do termo “sátrapa” (expressão de natureza oriental) para se referir aos elementos do Senado Romano,
·        a menção de Constantinopla como cidade cristã que na época de Constantiniana não estava cristianizada.
Até ao século XV, a “Doação” foi considerada autêntica e serviu para justificar o domínio temporal dos Papas sobre os territórios do império Romano do Ocidente, mas, até a própria Igreja reconheceu a falsidade do documento.
Pelo facebook: https://www.facebook.com/CentroGrafologiaDocumentospiaForense?ref=hl

09/05/13

Falsificação de documentos: os falsos diários de Hitler

A revista alemã Der Stern por intermédio de Heidemann comprou, por 10 milhões de marcos, vários volumes de supostos diários secretos de Hitler que teriam sido recuperados entre os destroços de um avião, num acidente aéreo em Börnersdorf e que cobriam o período entre 1932 e 1945.
Com a compra deste "importante" achado, Heidemann julgava conseguir uma grande fortuna. Para o efeito, solicitou a opinião dos historiadores Hugh Trever-Roper e   Gerhard L. Weinberg, espertos em História da Segunda Guerra Mundial, que, num exame superficial,  consideraram os documentos autênticos.
Vários meios de comunicação colocaram muitas reservas à autenticidade dos “Diários” (62 volumes), uma vez que Hitler era pouco dado à escrita e, nos últimos anos, tremia muito.
Em 1983, Der Stern publicou alguns extratos dos documentos adquiridos e revelou a história da descoberta que despertou um enorme interesse nos principais meios de comunicação internacionais.
Weinberg pediu à Stern que fosse realizada uma perícia forense aos supostos “Diários”. Um grupo de especialistas do Arquivo Federal do Serviço Federal de Investigações e do Departamento de Análise de Materiais verificou que o papel, a tinta, a cola e a capa de encadernação em que os documentos estavam impressos teriam sido fabricados em data posterior à morte de Hitler. O grafólogo estadunidense, Charles Hamilton, também concluiu que se tratava de uma falsificação grosseira. O autor dos “Diários” baseara-se no livro “Hitler: Discursos e Proclamações 1832-1945”, de Max Domarus, e transmitira uma imagem benévola de Hitler que contradizia a realidade manifesta nos crimes cometidos pelo ditador.
Descoberta a fraude, Konrad Kujau, especialista em falsificações, confessou a autoria dos “Diários” e foi condenado a quatro anos e meio de prisão, juntamente com o periodista Heidemann.
https://www.facebook.com/CentroGrafologiaDocumentospiaForense?ref=hl

08/04/13

Falsificação por imitação reiterada



     Diferenças de pressão e velocidade (in F. Dellavale)
A falsificação por memorização acontece após intenso treino e familiarização com o modelo a imitar. O falsificador consegue escrever com uma velocidade semelhante à da sua escrita autêntica. Neste caso, o perito deve procurar os detalhes do próprio estilo (gestos específicos) do falsificador que constituem uma espécie de tiques gráficos. Ao confrontar o documento falsificado com os autênticos, o grafólogo constatará a existência de determinados microgestos originados por impulsos psicomotores que constituem uma parte instintiva da personalidade e dos quais não se pode prescindir.
Estas pequenas marcas costumam ser tanto mais valorizadas na perícia quanto mais seja a sua constância, a sua pouca visibilidade e a dificuldade de imitação.
De entre os sinais mais difíceis de imitar constam a própria natureza do traçado com o seu jogo de plenos e perfis (dependentes da conjugação da pressão com a velocidade) e a sucessão de movimentos gráficos (proporção, elasticidade, dinâmica).
O exame da escrita não se limitará a simples comparações estáticas, mas saberá captar as caraterísticas dominantes e a dinâmica das tendências psíquicas do sujeito escrevente.
Deste modo, na imitação reiterada, torna-se mais difícil detetar a própria falsificação do que identificar o seu autor, porque este deixa sempre algumas “pegadas”, alguns traços pessoais.

31/03/13

Falsificação de documentos




Falsificação por sobreposição


          Negatoscópio para decalques
O falsificador coloca uma folha transparente sobre o documento e decalca-o. Posteriormente, servindo-se da transparência, constrói outro igual. Pode  servir-se de um vidro duma janela ou de um tampo transparente duma mesa para elaborar a cópia falsificada. Pode, ainda, fazer uma fotocópia normal do documento original, decalcá-la com uma ponta seca ou com lápis e, depois, escrever por cima com a caneta ou esferográfica igual à do original. Nestes casos, é fácil afirmar que há falsificação, mas torna-se difícil identificar o falsificador.
A falsificação por sobreposição (imitação servil) ou por decalque deixa indícios nas retomas, nas ligações, na pressão e nos movimentos tremidos. O falsificador tenta disfarçar a sua própria letra, imitando a letra de outrem. O traçado é lento, frouxo e hesitante. A pressão entre perfis e plenos aparece pouco diferenciada. Existem pequenos e múltiplos tremores, falta de dinamismo e de tensão, interrupções, retoques e algumas paragens da caneta. As letras surgem como que estacionadas. 
Uma fotocópia do documento contestado em papel de acetato e a sua sobreposição sobre o autêntico ajudará a detetar as igualdades formais, pois, a  sobreposição e o paralelismo exatos são a prova da falsificação. O perito  pode, igualmente, servir-se do negatoscópio (ou do vidro de uma janela ou de uma mesa de vidro com uma lâmpada por baixo). 
Este tipo de falsificação é mais fácil de descobrir do que o da imitação reiterada, mas torna-se mais difícil de identificar o seu autor.
O perito encontrará maiores dificuldades, se a escrita autógrafa for lenta e com predomínio da forma sobre o movimento. Se a autenticada ou autógrafa for tremida, o grafólogo saberá distinguir as tremuras angulosas de quem sofre de alguma patologia nervosa das sacudidelas intencionais do falsificador.