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26/07/17

Do desenho à escrita


“Desenhos” de Joana, nome fictício, desde os dois anos de idade.
As primeiras garatujas constituem uma verdadeira linguagem que manifesta a autêntica realidade interior.
Os desenhos de Joana como os de qualquer criança vão traduzindo o seu desenvolvimento, o grau de maturidade e o equilíbrio emocional.


A partir dos dois anos, a criança vai apreendendo a ordem gráfica e formal do traçado. As formas circulares são uma espécie de delimitação da sua identidade, do seu mundo.
A coordenação óculo-manual e da motricidade fina para a atividade gráfica do desenho e da escrita passa por um longo processo de desenvolvimento.







Cada gesto tem para a criança determinado sentido que para o adulto pode parecer sem significado. Um único desenho pode mesmo ter várias interpretações, porque a criança encontra-se num processo acelerado de desenvolvimento e, ainda, não existe nela a distinção clara entre lógica e emoção, entre sentimento e inteligência. A Joana fala de si mesma e da sua relação com o ambiente, através do desenho.

As figuras desenhadas sob a forma de rabiscos, presentes em todos os ambientes culturais, são uma fonte de prazer e desenvolvem o conhecimento sensório-motor e simbólico da criança.
A folha em branco constitui o símbolo do ambiente que a rodeia e do seu mundo.



A partir dos três anos, as figuras desenhadas começam a ser mais coordenados e mais interligadas com o meio circundante, chegando a atribuir-lhes nomes.






Depois dos quatro anos de idade, a evolução gráfica caminha a par e passo com o desenvolvimento afetivo e percetivo. Na figura humana, aparecem os braços e as pernas, em forma de riscos que partem, inicialmente, da cabeça.






A criança, de qualquer cultura ou nacionalidade, servindo-se do mais diversos utensílios e materiais de suporte, aprende a desenhar figuras próprias do seu meio ambiente como casas, árvores, pessoas ou animais. O pensamento evolui com o desenho e desenho aperfeiçoa-se com o pensamento.


A pressão exercida sobre o suporte, as cores escolhidas, a dimensão do desenho, a continuidade ou as interrupções do traçado ou a posição das figuras constitui uma ferramenta importante para a compreensão da interioridade da criança. 


Da sucessiva evolução de formas e de movimentos realizados por Joana resulta este texto capaz de transmitir uma mensagem linguística e grafológica. 

27/08/13

Desenvolvimento da escrita




1º Imitação

Menina de 7 anos, 1.º ano de escolaridade, mês de junho. Letras grandes e coladas, com dificuldade em traçar as mais difíceis.






A criança aos 7 anos entra no mundo do adulto através da aprendizagem da escrita, de um modo emocional e racional, que lhe abre um universo ainda desconhecido.

Os carateres são justapostos horizontalmente uns a seguir aos outros, formando palavras com determinado sentido.

A realização dos minúsculos gestos com o instrumento gráfico desenvolve a psicomotricidade (motricidade fina).

Ao desenhar, sucessivamente, as formas das letras na folha de papel vai desenvolvendo os conceitos de movimento, de espaço e de tempo.





2º Interiorização

Menina de 9 anos, 3.º ano de escolaridade. Liga algumas letras e coordena melhor os movimentos.


 


A criança sabe comparar e relativizar. As letras adquirem um valor distintivo. O significado dos vocábulos não provém da autoridade do professor mas da forma e da posição que os carateres ocupam dentro da palavra. Cada palavra é integrada no sentido global da frase.

As normas são respeitadas, porque permitem a inteligibilidade do texto.

As regras são, igualmente, uma necessidade para a convivência no grupo.



3º Contestação

Menina de 15 anos, 7º ano de escolaridade. Abandona o modelo caligráfico e as letras surgem adossadas ou separadas.





O pensamento da criança torna-se mais abstrato, distanciando-se das concretizações apreendidas.
As letras perdem a carga afetiva e sofrem modificações.

A criança contesta a autoridade e questiona o modelo ensinado pelo professor, iniciando um estilo próprio, inspirado num familiar ou num amigo com quem se identifica.
 
 
 
4º Personalização

Professora, 50 anos. Escrita com traços personalizados, revelando alguma reserva e de determinadas etiquetas.

 


As transformações psicofísicas da adolescência levaram à experimentação de novas formas e de diferentes movimentos.

A necessidade de autonomia abriu caminho ao desenvolvimento de um modelo pessoal com o qual o escrevente se identifica, resultando uma escrita personalizada com sinais próprios e com significado psicológico específico.