28/07/15

Escrita muito cuidada ou demasiado regular

Estamos em presença de uma escrita demasiado cuidada, igual, estereotipada, caligráfica e lenta.
O automatismo deste traçado parece não deixar respirar livremente o seu autor, dominado pelo superego e pelo excessivo respeito das normas e das tradições.
 (Imagem extraída de Augusto Vels, Grafologia, de la A a la Z)
A artificialidade desta escrita pode constituir um mecanismo de defesa do seu autor, perante determinado sentimento de inferioridade.


Este tipo de grafismo expressa o desejo inconsciente de querer ser diferente do que se é ou se julga ser, perante os outros. Moretti fala, também, de outros sinais gráficos, como os “gestos fugitivos”, que são, igualmente, manifestados pelos mecanismos de defesa de alguns escreventes.

O escrevente é capaz de camuflar as próprias fragilidades, em prejuízo da ação dinâmica e da originalidade próprias da sua personalidade.

Esta “fuga para a frente” pode levar os sujeitos a criar uma realidade fictícia que substitui a verdadeira realidade. Tal atitude reduz a capacidade de autocrítica e aumenta o desejo de impor o próprio ponto de vista.

Estes e outros mecanismos de defesa fazem parte de cada processo psíquico, sendo alheio à vontade do sujeito, que, assim, tenta resguardar-se, ocultando as suas limitações reais ou imaginárias, perante a sociedade e o meio envolvente.

O indivíduo, que se apresenta mascarado perante os outros, ao condicionar-se pelo meio ambiente, deixa de ser ele próprio.


Estes padrões de comportamento podem atingir todas as atividades e, neste caso, a da escrita. A análise desta permitiria obter uma melhor compreensão da organização dinâmica da personalidade do escrevente.

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