05/07/15

CARTA DE CRISTINA, INFANTA DE ESPANHA

Esta é última página da carta que a Infanta Cristina de Espanha enviou ao seu irmão Filipe VI, atual rei de Espanha, em princípios de junho, solicitando a renúncia ao título de Duquesa de Palma de Maiorca, a fim de evitar a contaminação da Coroa, devido aos processos judiciais em que a Infanta e o marido são acusados.
A opção por uma redação manuscrita, em vez da utilização do computador, permite-lhe expressar de modo mais intenso a sua personalidade e intimidade, não apenas através do conteúdo, mas também das marcas deixadas pelo fio de tinta no espaço da folha de papel.
De facto, esta carta contém as caraterísticas necessárias para uma boa análise das tendências biopsicológicas da personalidade da sua autora, expressas com espontaneidade, abundância e originalidade.
A carta é constituída por quatro folhas e está escrita a tinta azul.
Principia a saudação com a palavra “Majestade” e finaliza com a expressão “Infanta de Espanha”.
A escrita apresenta-se simples, legível e sem os exageros ornamentais que seriam de esperar em estratos sociais elevados.
Os carateres maiúsculos, as hastes e pernas estão reduzidos à sua expressão mais simplificada. Apenas o “C” final de “Cristina”, na assinatura, se eleva verticalmente e prolonga na horizontal para sustentar o nome, terminando encurvado para a esquerda.
A velocidade, movimento e ritmo materializam-se, com naturalidade, neste grafismo vertical ou ligeiramente inclinado para trás.
As numerosas formas em grinalda e a quase ausência de ângulos são caraterísticas típicas da feminilidade.
Acentuação e pontuação precisas e pouco exuberantes coadunam-se com o formato do texto.
A dimensão das letras é moderada e grande parte delas estão desligadas no interior das palavras. As linhas encontram-se ligeiramente onduladas, encontrando-se afastadas umas das outras e formando a margem esquerda crescente e a margem direita bastante livre e irregular.
Como gestos-tipo, observam-se as letras “ll” resumidas a simples traços descendentes, os “tt” com a barra a partir da base das hastes e os “ee” a constituírem um misto entre género caligráfico e tipográfico.
O levantamento das caraterísticas patentes neste documento constitui apenas uma simples amostragem, sem o propósito de uma análise extensa e nem intensa.

Dispensando-me de interpretações psicológicas das caraterísticas apresentadas, concluo, apenas, que a ausência de formas gráficas elaboradas assentam bem numa personalidade que renuncia ao título de Duquesa.  

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