A
falsificação de documentos é tão antiga como a própria escrita.
Na
Suméria, cerca do ano 4000 a.C., apareceram os primeiros casos de falsificação
de documentos.
No tempo
dos imperadores Constantino, Marco Aurélio e Justiniano já se comparavam as
escritas para a descoberta do falso ou do verdadeiro autor.
O Édito
de Teodorico (entre 500 e 526 d.C.) previa a pena de morte para diversos tipos
de falsificação de documentos.
Nenhum
setor da sociedade escapa aos falsificadores, uma vez que existe sempre alguém
que não se conforma com a verdade dos factos e pretende disfarçá-los em
proveito próprio, desejando parecer maior do que é ou possuir mais do que tem.
Mesmo no
campo religioso também houve falsificações. Basta recordar as célebres (falsas)
“doações” do imperador Constantino à Igreja, com o objetivo de fortalecer
Cristianismo perante o paganismo ou as outras religiões.
O exemplo que apresento da falsificação
de uma carta de Lúcia sobre o 3.º segredo de Fátima, ocorrida há dezenas de
anos, levantou, na época, uma grande polémica. Neste, como noutros casos, o
falsificador deixou marcas que não conseguiu disfarçar.
Apesar da fraca resolução
das imagens, observam-se algumas caraterísticas que distinguem, com elevado
grau de probabilidade, a carta autêntica (Fig. A) da falsa (Fig. B). As
diferenças quanto ao conteúdo e quanto ao vocabulário utilizados são, neste
caso, analisadas.
A carta falsa possui uma
acentuada irregularidade de carateres, quanto à inclinação e dimensão, que não
se verifica na autêntica.
A carta falsa contém
palavras decrescentes que não se observam na autêntica.
A acentuação apresenta-se
mais atrasada, na contestada, e mais adiantada na autêntica.
O traço sinistrogiro com que
termina o ditongo “ão” é mais lento e menos espontâneo, na falsa do que na
autêntica.
Os ritmos da escrita são
inconfundíveis: mais alterado o da contestada e mais monocórdio o da autêntica.
O gesto típico descendente, presente
no final da letra “h” da carta autêntica, não está sempre presente na carta
falsa e, quando aparece, surge mal disfarçado.
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