09/02/14

As assinaturas de Miró




Juan Miró, um dos expoentes do surrealismo, pintou centenas de quadros e "desenhou" milhares de assinaturas. A espontaneidade, a imaginação e a irracionalidade da sua linguagem artística estão patentes no modo como assina as suas obras. Parece que cada assinatura se coaduna com o quadro que autentica. Miró experimenta uma série de variedades de formas dos carateres, com coloridos e dimensões diferentes. O modelo-padrão escolar parece ignorado por alguém que não se quer submeter às regras caligráficas. As vogais são muito mais pequenas do que as consoantes. As quatro letras de “Miró” surgem desniveladas em relação à linha de base. O olhal da vogal “o” aparece, por vezes, pincelado, como que por distração “voluntária”. Esta distorção da letra constitui uma alteração criativa e intencional à norma. A sua escrita não segue os parâmetros da ordem e da organização habituais, mas desenvolve-se de modo primitivo e infantil. Parece manuscrita por uma criança, na fase inicial da aprendizagem. O traçado muito carregado, as hastes torcidas, os pontos desnecessários e os traços iniciais e finais prolongados testemunham o alheamento de Miró pela preocupação estética e pelo controlo de razão. 
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