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23/02/14

Escrita de uma pessoa cumpridora e de outra não cumpridora

Esta curta análise grafológica constitui o 150 º artigo do meu blog www.graphologia.blogspot.com , onde pode ser lida na íntegra.  
A crescente afluência de interessados por esta área do conhecimento incitou-me a escrever ao longo dos últimos anos. O blog obteve mais de 230.000 visitas, por pessoas de várias nações, com destaque para o Brasil, Portugal, Estados Unidos da América, Angola, Espanha e Argentina.
As palavras representadas na imagem foram extraídas de documentos escritos por António e Manuel, nomes fictícios. Trata-se de dois industriais da construção civil, do sexo masculino, possuidores de poucas habilitações literárias. O António tem cerca de 40 anos e o Manuel, à volta de 60. Apresento aqui, apenas, estas três palavras para evitar que os seus autores sejam identificados.
Esta curta análise grafológica não tem como objetivo descobrir as tendências ou pré-disposições destas personalidades, através da escrita. Tem, antes, como finalidade precisamente o inverso, ou seja, verificar se as pré-disposições, já conhecidas, destes sujeitos, para assumirem ou não os seus compromissos, deixam algumas marcas no modo como escrevem.
Quais são as marcas da escrita que indiciam que estas personalidades cumprem ou não os seus deveres profissionais?
Nestas palavras e em tantas outras pertencentes aos documentos analisados podem observar-se alguns sinais que nos indiquem que um sujeito é cumpridor e outro não? A resposta é afirmativa.
A debilidade e inconstância do António (autor dos termos 1 e 2) sobressai no traçado mais superficial. A inconstância e o consequente impacto negativo com o ambiente estão indiciados pela letra inicial “E” fragmentada, pelo “s” deformado e pelos carateres com dimensão irregular. A tendência para a incoerência, para a desordem e para a confusão estão refletidas nas letras deformadas. A sua ambição desmedida pode estar associada às hastes demasiado prolongadas. A dificuldade de socialização e de adaptação está associada às letras soldadas umas às outras, em vez de se apresentarem unidas normalmente.
O Manuel, indivíduo firme, apresenta uma pressão do traçado forte (termo 3). As suas boas capacidades de organização e de adaptação ao meio social estão patentes na adoção do modelo caligráfico. A modéstia e sinceridade que o caraterizam espelha-se na simplicidade dos carateres. A intuição e necessidade de clareza estão representadas pela falta de ligação e pela separação das letras nas palavras. A cautela e algum cansaço do Manuel estão refletidos na linha de base ligeiramente descente.   
A debilidade, a inconstância, o impacto negativo no meio social, a ambição desmedida e a dificuldade de socialização e de adaptação exprimem a tendência do António para o incumprimento.
Quando o António cumprimenta um amigo, aperta-lhe, levemente, a mão, exprimindo, inconscientemente, “não me comprometo”. 
As tendências ou pré-disposições de Manuel para cumprir os seus deveres deduzem-se da firmeza, objetividade, adaptação ao meio ambiente e sinceridade. Quando ele cumprimenta alguém aperta-lhe a mão com força, sugerindo, irrefletidamente, “em mim podes confiar”.

As assinaturas do António e do Manuel são semelhantes aos seus textos. A velocidade dos seus grafismos aparenta ser maior do que na realidade é. As alterações efetuadas não resultam de um ímpeto de criatividade, mas de escasso domínio da linguagem.O contexto gráfico do António apresenta-se menos positivo do que o do Manuel.

Conclui-se que o Manuel será mais digno de confiança do que o António. Com este será aconselhável agir com cautela e segurança, porque terá tendência a faltar aos seus compromissos. Com o Manuel poderá negociar-se à-vontade, uma vez que se trata de uma pessoa sincera e cumpridora da palavra dada. 

09/02/14

As assinaturas de Miró




Juan Miró, um dos expoentes do surrealismo, pintou centenas de quadros e "desenhou" milhares de assinaturas. A espontaneidade, a imaginação e a irracionalidade da sua linguagem artística estão patentes no modo como assina as suas obras. Parece que cada assinatura se coaduna com o quadro que autentica. Miró experimenta uma série de variedades de formas dos carateres, com coloridos e dimensões diferentes. O modelo-padrão escolar parece ignorado por alguém que não se quer submeter às regras caligráficas. As vogais são muito mais pequenas do que as consoantes. As quatro letras de “Miró” surgem desniveladas em relação à linha de base. O olhal da vogal “o” aparece, por vezes, pincelado, como que por distração “voluntária”. Esta distorção da letra constitui uma alteração criativa e intencional à norma. A sua escrita não segue os parâmetros da ordem e da organização habituais, mas desenvolve-se de modo primitivo e infantil. Parece manuscrita por uma criança, na fase inicial da aprendizagem. O traçado muito carregado, as hastes torcidas, os pontos desnecessários e os traços iniciais e finais prolongados testemunham o alheamento de Miró pela preocupação estética e pelo controlo de razão. 
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04/02/14

Falsificação da carta da irmã Lúcia



A falsificação de documentos é tão antiga como a própria escrita.
Na Suméria, cerca do ano 4000 a.C., apareceram os primeiros casos de falsificação de documentos.
No tempo dos imperadores Constantino, Marco Aurélio e Justiniano já se comparavam as escritas para a descoberta do falso ou do verdadeiro autor.
O Édito de Teodorico (entre 500 e 526 d.C.) previa a pena de morte para diversos tipos de falsificação de documentos.
Nenhum setor da sociedade escapa aos falsificadores, uma vez que existe sempre alguém que não se conforma com a verdade dos factos e pretende disfarçá-los em proveito próprio, desejando parecer maior do que é ou possuir mais do que tem.
Mesmo no campo religioso também houve falsificações. Basta recordar as célebres (falsas) “doações” do imperador Constantino à Igreja, com o objetivo de fortalecer Cristianismo perante o paganismo ou as outras religiões.
O exemplo que apresento da falsificação de uma carta de Lúcia sobre o 3.º segredo de Fátima, ocorrida há dezenas de anos, levantou, na época, uma grande polémica. Neste, como noutros casos, o falsificador deixou marcas que não conseguiu disfarçar.
Apesar da fraca resolução das imagens, observam-se algumas caraterísticas que distinguem, com elevado grau de probabilidade, a carta autêntica (Fig. A) da falsa (Fig. B). As diferenças quanto ao conteúdo e quanto ao vocabulário utilizados são, neste caso, analisadas.
A carta falsa possui uma acentuada irregularidade de carateres, quanto à inclinação e dimensão, que não se verifica na autêntica.
A carta falsa contém palavras decrescentes que não se observam na autêntica.
A acentuação apresenta-se mais atrasada, na contestada, e mais adiantada na autêntica.
O traço sinistrogiro com que termina o ditongo “ão” é mais lento e menos espontâneo, na falsa do que na autêntica.
Os ritmos da escrita são inconfundíveis: mais alterado o da contestada e mais monocórdio o da autêntica.

O gesto típico descendente, presente no final da letra “h” da carta autêntica, não está sempre presente na carta falsa e, quando aparece, surge mal disfarçado.

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