1º Imitação
Menina de 7 anos, 1.º ano de escolaridade, mês de junho. Letras grandes e coladas, com dificuldade em traçar as mais difíceis.
A criança aos 7 anos entra no mundo do adulto através da aprendizagem da escrita, de um modo emocional e racional, que lhe abre um universo ainda desconhecido.
Os carateres são justapostos horizontalmente uns a seguir aos outros, formando palavras com determinado sentido.
A realização dos minúsculos gestos com o instrumento gráfico desenvolve a psicomotricidade (motricidade fina).
Ao desenhar, sucessivamente, as formas das letras na folha de papel vai desenvolvendo os conceitos de movimento, de espaço e de tempo.
2º Interiorização
Menina de 9 anos, 3.º ano de escolaridade. Liga algumas letras e coordena melhor os movimentos.
A criança sabe comparar e relativizar. As letras adquirem um valor distintivo. O significado dos vocábulos não provém da autoridade do professor mas da forma e da posição que os carateres ocupam dentro da palavra. Cada palavra é integrada no sentido global da frase.
As normas são respeitadas, porque permitem a inteligibilidade do texto.
As regras são, igualmente, uma necessidade para a convivência no grupo.
3º Contestação
Menina de 15 anos, 7º ano de escolaridade. Abandona o modelo caligráfico e as letras surgem adossadas ou separadas.
As letras perdem a carga afetiva e sofrem modificações.
A criança contesta a autoridade e questiona o modelo ensinado pelo professor, iniciando um estilo próprio, inspirado num familiar ou num amigo com quem se identifica.
4º Personalização
Professora, 50 anos. Escrita com traços personalizados, revelando alguma reserva e de determinadas etiquetas.
As transformações psicofísicas da adolescência levaram à experimentação de novas formas e de diferentes movimentos.
A necessidade de autonomia abriu caminho ao desenvolvimento de um modelo pessoal com o qual o escrevente se identifica, resultando uma escrita personalizada com sinais próprios e com significado psicológico específico.
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