26/09/11

Intuição e razão na análise grafológica

Intuição é criação individual, interna e subjetiva, mais ligada à arte. A razão é universal, externa e objetiva, mais ligada à ciência. Ambas se completam: uma é vida e pende para o coração, outra é o farol que a ilumina e rege-se pelo intelecto.

O grafólogo deve utilizar estas duas ferramentas que estão à sua disposição. O ritmo da escrita é captado pela intuição, mas explicado pela razão. São dois tipos de linguagem que se devem interpenetrar dialeticamente sob a forma de inteligência intuitiva para extrair o que de mais original se encontra no gesto gráfico.
Tivemos, no passado, e temos, atualmente, grafólogos dotados de uma grande intuição, tanto a nível da perícia da escrita manual como na vertente grafopsicológica. Entre eles destaca-se G. Moretti. Este autor italiano, no seu método, utilizou como poucos a capacidade intuitiva para desvendar importantes aspetos dentro da análise do grafismo, mas reconheceu que a qualidade dos sinais descobertos tinha que ser completada com a quantificação dos seus atributos.

Registo num livro de honra: esta escrita filiforme do hospede de uma casa de turismo revela uma tendência para improvisação, diplomacia e subtileza.
Uma ciência humana como esta não se pode basear apenas na intuição. Por mais profunda que esta seja, são necessários rigor e objetividade na análise e na organização dos conteúdos, de modo a tornarem-se, logicamente, transmissíveis.
A intuição é semelhante a um território sem marcos e sem fronteiras, a inteligência delimita e fragmenta para depois voltar a sintetizar.
Apesar de se reger por princípios científicos, a grafologia não é uma ciência exata, como não são exatas as ciências afins: psicologia, psicanálise, medicina, pedagogia, fisiologia ou sociologia. Não pode confundir-se com um teste ou com uma técnica, porque tem um objeto próprio: o estudo e o estabelecimento da relação da escrita com o escrevente ou de uma escrita com outras.
O seu grande objetivo é a compreensão da personalidade humana. E no âmbito judicial presta um excelente serviço ao apoiar o tribunal a separar o verdadeiro do falso.

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