27/12/09

Van Gogh

Auto-retrato de Van Gogh
Vicent Willen Van Gogh (1853-1890), foi um genial pintor pós-impressionista holandês, com grande sentimento religioso pela vida e pela natureza.
O estudo das suas cartas para o seu irmão Theo e para outros correspondentes (que podem ser consultadas em www. vangoghletters.org/vg) provam que Van Gogh não era uma personagem tão louca nem tão pobre como tem sido pintada. Ele afirmava que não conhecia outra via que não fosse a de bater-se com a Natureza até que ela lhe libertasse o seu segredo. Além da pintura, lia e escrevia muito, lembrando que “é tão interessante e tão difícil dizer bem uma coisa como pintá-la”.
Van Gogh foi um pintor apaixonado e verdadeiro. Viveu intensamente a sua vida, apesar da sua morte prematura.
Após o desentendimento com Gauguin, voltou para Paris e entrou em depressão. Teve ataques de violência e ficou agressivo. Foi neste período que chegou a cortar uma orelha. A situação depressiva não regrediu e, em Julho 1890, disparou sobre si próprio e morreu com 37 anos de idade.
Van Gogh continua a viver nos seus inúmeros quadros de tons puros e pinceladas firmes, irregulares, carregadas e rápidas que dão uma sensação de leveza à sua obra e transformam Os Girassóis numa obra ímpar.

A sua escrita simples, sem artificialidade, espaçada, com algumas letras isoladas, ovais abertos na parte superior, com inclinação variável, predominância das zonas média e superior, traços descendentes muito carregados, confirma uma personalidade sincera, com grande intuição, multifacetada, ambiciosa e determinada.

20/12/09

Renna Nezos

Renna Nezos, nascida na Grécia, em 1931, estudou grafologia em Paris, onde exerceu como grafóloga 20 anos e mudou-se para Londres. Constituiu a Academia Britânica de Grafologia, em 1985, e a Faculdade Londrina de Grafologia (considerada pelo governo britânico a instituição grafológica mais credenciada do Reino Unido e onde Renna lecciona esta ciência). Formou a editora Scriptor Books que edita e traduz livros da especialidade. Em 1999, criou o Instituto Grego de Grafologia, em Atenas, Grécia.
Dedica-se ao ensino e à investigação da Grafologia há mais de trinta anos. É diplomada pelo Instituto Internacional de Pesquisas Grafológicas. Representa no Reino Unido a Société Française de Graphologie e o Groupement des Graphologues Conseils de France, é membro honorário da Agrupacion de Grafoanalistas Consultivos (Espanha) e do Centro Internazionale di Grafologia Medica (Roma), e é correspondente da Associazone Italiana Grafoanalisi per l'Éta Evolutiva (Torim, Itália).
Renna foi co-fundadora da Associação Deontológica Europeia de Grafólogos (ADEG), a mais importante instituição internacional do género a nível mundial, de que foi presidente por três vezes- Escreveu numerosos artigos. Publicou os livros: Graphology - The Interpretation of Handwriting (1986), pesquisa cuidadosa e análise de escritas com a finalidade de detectar vários aspectos da personalidade); Advanced Graphology (1992), com muita informação e uma grande quantidade de amostras de escrita); Judicial Graphology (1994), onde coloca em evidência elementos inconscientes da escrita, tornando-se, por isso, uma obra de referência para os peritos forenses).
Para Renna Nezos, nenhum sinal assume um significado fixo, porque cada sinal é valorizado conforme o número de vezes que aparece na página, a zona onde se localiza, o seu contexto e formnivel do grafismo.

16/12/09

Ludwig Klages

Friedrich Konrad Eduard Wilhelm Ludwig Klages (1872-1956) foi filósofo, psicólogo e grafólogo alemão. Sofreu algumas influências de Friedrich Nietzsche. Fundou a Sociedade Alemã de Grafologia. Entre as obras que escreveu contam-se Os problemas de grafologia (1910), a obra clássica A Escrita e o Carácter (1917) e Introdução à psicologia da escrita à mão (1924).

Klages criou o conceito de formnivel (nível de forma) que expressa a energia vital ou intensidade de vida. O formnivel positivo ou negativo refere-se ao conjunto (visão global) da grafia e não apenas ao género forma. Para este filósofo e grafólogo em cada ser humano existem dois princípios – o espírito e a vida – sempre em perpétua luta entre si.

Em Klages, cada sinal gráfico pode ter vários significados, dependendo do ritmo pessoal da escrita. Com ele a grafologia adquire, na Alemanha, o estatuto de ciência e passa a ser ensinada na Universidade.

Para este autor, nas escritas com maior irregularidade predomina a vontade e naquelas com menor irregularidade, a falta de força de vontade (domínio de instintos, impulsividade, paixão e impetuosidade). Mas uma escrita irregular pode ser de um aventureiro errante, sem carácter, ou de um génio como Beethoven, com impetuosidade e paixão. Por isso, não se pode olhar apenas à regularidade ou irregularidade da escrita, mas em primeiro deve-se colher o ritmo.

Para apreciar o ritmo, Klages aconselha o grafólogo a inverter o texto (a voltar a folha debaixo para cima), a fim de se livrar de qualquer preferência pessoal e obter uma imagem pura do substrato da escrita. Quanto mais natural for a letra maior formnivel possui. O autor tem sempre presente o dualismo expressivo dos sinais gráficos: “a continuidade do movimento sem perturbações do traçado é tanto sinal de calma como de falta de sensibilidade” (A escrita e o carácter). A vida manifesta-se através do ritmo e este é uma manifestação primordial da vida que está constantemente no início. O espírito reprime o ritmo, através da força reguladora da norma. Cada movimento humano tem uma forma original, incluindo o movimento gráfico. Uma escrita será tanto mais original quanto mais profundo for o grafismo. Qualquer exagero diminui o nível do valor expressivo do sinal gráfico. A proporção e a regularidade aumentam o formnivel.

O autor recorda que é preciso medir a intensidade do impulso vital e a intensidade da resistência, porque pode haver um grande impulso e uma maior resistência ou um pequeno impulso sem resistência. Exemplifica com o caso de duas crianças que perante o desejo de colher uma tulipa, uma colhe-a imediatamente e a outra abstém-se. Mas a que se abstém pode ter maior desejo (maior impulsividade instintiva) do que a criança que a colhe, mas ficar inibida por medo da punição (força antagónica). Segundo a teoria de Klages, a própria vida alimenta um instinto e o seu contrário para que ambos adquiram uma força que os leve a afirmarem-se como riqueza de vida ou vacuidade, impulso ou sua ausência.

Assim, como cada canção tem o seu ritmo (que não se confunde com compasso porque este não tem alma, é mecânico), cada ser humano tem o seu ritmo de vida, espécie de onda original que produz sempre formas semelhantes, mas nunca iguais, porque “o ritmo é a manifestação primordial da vida”. O relógio e o compressor, diz Klages, têm ambos compassos, mas não têm ritmo. A vida da escrita está na força do seu nível formnivel, no seu movimento original. A força criadora do grafismo pode não ser completamente harmónica, como é o caso da escrita de Beethoven, mas que tem uma força criadora indiscutível.

14/12/09

Max Pulver

Max Albert Eugen Pulver (1889–1952), filósofo, psicanalista, escritor e grafólogo suíço, baseado na teoria do inconsciente colectivo de Jung, desenvolveu a interpretação psicológica do simbolismo do espaço gráfico, introduzindo as técnicas psicanalíticas no estudo da escrita.

Ensinou grafologia no Instituto de Psicologia Aplicada de Zurique, fundou a Sociedade Grafológica de Neuchatel e escreveu obras de referência como, Symbolik der Handschkrft, (1931), Person, Charakter, Schicksal (1944), Der Intelligenzausdruck in der Handschrift(1949).

Segundo Pulver, o escrevente, através das formas verbais, projecta-se inconscientemente a si mesmo no espaço da página atraído pelos vectores: alto, baixo, esquerdo, direito. Em cima, estão a imaginação, as ideias, a moral, o bem, o dia, o céu, o intelecto, o pai, o espírito e Deus. Em baixo, estão os instintos, a materialidade, a sexualidade, a noite, o mal, o inconsciente, a terra, a escuridão e o Demónio. À esquerda, o princípio, o passado, a família, a mãe e a interioridade. Á direita, o tu, o futuro, o fim, o mundo exterior, o outro e o desconhecido. O centro está associado ao coração, à afectividade, à acção, ao eu e à realidade. A cabeça erguida é sinal de alegria, a cabeça baixa, sinal de tristeza.

Esta visão simbólica do espaço gráfico (com seus arquétipos ou forças dominantes: direita, esquerda, alto, baixo), elaborada Max Pulver e retomada por alguns grafólogos contemporâneos, abrange as letras, as palavras, as margens, os espaços em branco, as margens, a inclinação, a pontuação, dos traços dos tt, a colocação da assinatura.

Para Pulver, a escrita da esquerda para a direita do mundo ocidental simboliza o movimento em direcção ao tu, ao exterior, à expansão. Ao passo que, é uma característica do mundo oriental (árabe e semita) a tendência para voltar às origens, aos valores do passado e à meditação.

Este simbolismo espacial pulveriano não se opõe aos movimentos neurofisiológicos, mas, pelo contrário, confirma-os. Ele é aplicado não só na escrita, mas também na interpretação de testes projectivos e desenhos. Todavia, já, Platão, no Timeu, se refere ao Kora, em que o ser (espaço) está acima, o estar (espaço concreto) está abaixo, o mito está à esquerda e o logos à direita.

Dentro destes conceitos, uma zona superior predominante (prolongamentos superiores das letras) pode denotar orgulho, domínio do pensamento, da criatividade, do sonho da espiritualidade, idealismo, utopias, gosto pela reflexão, pelo mundo das ideias, pelo essencial das coisas. Uma zona média predominante (zona média das letras e os ovais), com realce das letras a, c, e, m, n, o, r, s, u, v, w, x em detrimento das restantes, pode indicar domínio do sentimento, da afectividade, da emoção, sensibilidade. Uma zona inferior predominante (prolongamentos inferiores das letras) pode referir-se à materialidade, à realização concreta, à sensualidade e aos instintos. Estas características observam-se nas pernas consoantes g, j, p, q, y, z e f.

Pulver inventariou um conjunto de sinais de insinceridade e afirmou que “o escrevente desenha inconscientemente a sua própria natureza interior”.