14/12/09

Max Pulver

Max Albert Eugen Pulver (1889–1952), filósofo, psicanalista, escritor e grafólogo suíço, baseado na teoria do inconsciente colectivo de Jung, desenvolveu a interpretação psicológica do simbolismo do espaço gráfico, introduzindo as técnicas psicanalíticas no estudo da escrita.

Ensinou grafologia no Instituto de Psicologia Aplicada de Zurique, fundou a Sociedade Grafológica de Neuchatel e escreveu obras de referência como, Symbolik der Handschkrft, (1931), Person, Charakter, Schicksal (1944), Der Intelligenzausdruck in der Handschrift(1949).

Segundo Pulver, o escrevente, através das formas verbais, projecta-se inconscientemente a si mesmo no espaço da página atraído pelos vectores: alto, baixo, esquerdo, direito. Em cima, estão a imaginação, as ideias, a moral, o bem, o dia, o céu, o intelecto, o pai, o espírito e Deus. Em baixo, estão os instintos, a materialidade, a sexualidade, a noite, o mal, o inconsciente, a terra, a escuridão e o Demónio. À esquerda, o princípio, o passado, a família, a mãe e a interioridade. Á direita, o tu, o futuro, o fim, o mundo exterior, o outro e o desconhecido. O centro está associado ao coração, à afectividade, à acção, ao eu e à realidade. A cabeça erguida é sinal de alegria, a cabeça baixa, sinal de tristeza.

Esta visão simbólica do espaço gráfico (com seus arquétipos ou forças dominantes: direita, esquerda, alto, baixo), elaborada Max Pulver e retomada por alguns grafólogos contemporâneos, abrange as letras, as palavras, as margens, os espaços em branco, as margens, a inclinação, a pontuação, dos traços dos tt, a colocação da assinatura.

Para Pulver, a escrita da esquerda para a direita do mundo ocidental simboliza o movimento em direcção ao tu, ao exterior, à expansão. Ao passo que, é uma característica do mundo oriental (árabe e semita) a tendência para voltar às origens, aos valores do passado e à meditação.

Este simbolismo espacial pulveriano não se opõe aos movimentos neurofisiológicos, mas, pelo contrário, confirma-os. Ele é aplicado não só na escrita, mas também na interpretação de testes projectivos e desenhos. Todavia, já, Platão, no Timeu, se refere ao Kora, em que o ser (espaço) está acima, o estar (espaço concreto) está abaixo, o mito está à esquerda e o logos à direita.

Dentro destes conceitos, uma zona superior predominante (prolongamentos superiores das letras) pode denotar orgulho, domínio do pensamento, da criatividade, do sonho da espiritualidade, idealismo, utopias, gosto pela reflexão, pelo mundo das ideias, pelo essencial das coisas. Uma zona média predominante (zona média das letras e os ovais), com realce das letras a, c, e, m, n, o, r, s, u, v, w, x em detrimento das restantes, pode indicar domínio do sentimento, da afectividade, da emoção, sensibilidade. Uma zona inferior predominante (prolongamentos inferiores das letras) pode referir-se à materialidade, à realização concreta, à sensualidade e aos instintos. Estas características observam-se nas pernas consoantes g, j, p, q, y, z e f.

Pulver inventariou um conjunto de sinais de insinceridade e afirmou que “o escrevente desenha inconscientemente a sua própria natureza interior”.

1 comentário:

Professor de Filosofia disse...

Olá.
Fiquei interessado em saber mais sobre Kora. Você comenta no seu post, penso que não podemos chamar de artigo, algumas implicações do Kora no Timeu e questões espaciais.

Estou elaborando um artigo sobre o termos Kora e ficaria grato de poder intercambiar informações.

Me. Almeida