04/02/08

A escrita do António é lenta


Escrita com grau elevado dislexia, de aluno do 5º, com 12 anos
António, nome fictício, tem 12 anos, é um aluno com dislexia, repetente e com fraco aproveitamento escolar.
Sabendo eu que as crianças com uma escrita lenta apresentam geralmente mais dificuldadesdo que aquelas com uma escrita mais rápida, resolvi realizar provas da velocidade da escrita, junto deste aluno, para confirmar se era lenta ou rápida, comparada com outras.
Lembro que a velocidade da escrita está, geralmente, relacionada com rapidez de reacção, com o potencial do indivíduo, com a sua estrutura biotemperamental, com a intensidade de vida, com a agilidade de actuação, de pensamento, de imaginação e com a sua vivacidade. A prova foi realizada individualmente. Disse ao António que escrevesse o mais depressa possível, durante três minutos, a seguinte frase: As aulas estão quase a chegar ao fim. Frase tem vinte e nove letras variadas (com ovais, bucles, pernas e hastes). Recordei-lhe que não colocasse o ponto no fim da frase para não perder tempo. No início duma folha A4 pautada, escreveu uma vez a referida frase para se familiarizar com as palavras, para não precisar de olhar para o quadro e não perder tempo. Disse-lhe, ainda, que poderia utilizar o instrumento de escrita que desejasse; ele escolheu uma esferográfica azul. Cronometrei três minutos. O António realizou a prova, escrevendo sempre a frase inteira em cada linha. Como é esquerdino teve uma dificuldade acrescida em progredir da esquerda para a direita. O mais natural seria escrever da direita para a esquerda. O aluno colaborou bem e esforçou-se, escrevendo muito mais depressa do que costumava escrever nas aulas. Conseguiu fazer uma média de 89 letras por minuto. Média alta em ralação à lentidão normal da sua escrita, mas baixa se o compararmos com a outros colegas do 5.º e 6.º anos de escolaridade.
Em duas turmas com alunos de 10/11 anos, a média de letras por minuto dos rapazes foi de 112 e a das raparigas, de 123. E, em duas turmas com idades entre os 11/12 anos, os rapazes obtiveram 113 e as raparigas 117. Será também interessante, mais tarde, comparar a escrita das raparigas com a dos rapazes quanto à velocidade e a outros géneros. Tarefa que está nos meus objectivos.
Nesta e noutras amostras da escrita do António, nota-se uma grande falta de ritmo e muitos sinais de disgrafia. Uma análise pormenorizada poderia levar-nos a detectar outras tendências. Porém, o que interessava neste estudo era verificar o grau de velocidade. A escrita foi classificada como lenta, uma vez que este aluno já completou 12 anos, ainda frequenta o 5º ano e a sua rapidez é semelhante à dos alunos do 3º ano de escolaridade e com 9 de idade. Mais tarde, quando a população testada aumentar, terei dados mais fiáveis.
Muitos grafólogos, incluindo os da escola francesa, rconhecem que é difícil avaliar a velocidade a posteriori. Mas é possível encontrar traços distintivos entre uma escrita normal e uma rápida. Nos testes que efectuei, verifiquei diferenças quanto à pressão, à forma, à dimensão, ao movimento, à inclinação, à ordem, à continuidade e em certos gestos tipo.
Noutra ocasião, divulgarei, neste Blog os resultados duma amostragem com cerca 2500 alunos do 1º ao 12º anos de escolaridade, efectuada nos anos lectivos de 2005 e 2006 sobre a velocidade da escrita. Espero aumentar a população testada durante o corrente ano 2008, a fim de que os resultados sejam mais representativos. Para já foi interessante constatar que a velocidade média da escrita em turmas com melhor aproveitamento escolar era superior à de outras com mais fraco rendimento.

2 comentários:

ana disse...

Que através deste blog se desvendem os mistérios desta grandiosa ciência que tantas pistas nos pode dar acerca do nosso interior,das nossas vivências,de tudo o que temos...O conhecimento da pessoa ajuda obviamente, mas a grafologia vai muito além de tudo,ultrapassa limites,galga metas marcando muitos pontos na nossa existencia!!

ana

Afonso Sousa disse...

Mas não se pode pedir demasiado à Grafologia. Não se lhe pode pedir o que ela não pode dar. O que acontece com esta ciência, acontece com todas as as outras ciências humanas.