25/10/13

Escrita de Salvador Dali


Artista surrealista e extravagante, de caráter excêntrico e anarquista, possuidor duma linguagem onírica e simbólica.

Pintou mais de milhar e meio de quadros com figuras estranhas.

Numa mistura de motivos que só existiam na sua fértil imaginação, o espetador tem que desvendar as constantes conotações da sua obra interpenetrada de objetos psicanalíticos.

As fraquezas tornam-se forças e torrentes de impulsos tornam-no inconformista, parecendo semear o caos cósmico povoado por entes desconformes.


                                                                                                               A Tentação de S. António
Os vários géneros e subgéneros da escrita de Dali variam constantemente. Mas a originalidade é desconcertante. Surgem letras simplesmente esboçadas e outras bem desenhadas. O modo como ocupa o espaço da página parece caótico. Há letras que ocupam, por si só, mais espaço do que palavras inteiras. Não se verifica nenhum alinhamento nas margens da folha. A dimensão dos carateres não obedece a nenhum critério de proporcionalidade: umas vezes minúsculos, quase invisíveis, e outras grandes. As maiúsculas exageradamente elevadas e a pressão forte e irregular manifestam uma potência vital impulsiva e inconstante. O génio rebusca, no próprio inconsciente, o ímpeto ingénuo que o leva a destacar-se dos demais.

Os traços iniciais e finais das letras, ora se prolongam desmedidamente, ora se tornam como que inibidos. As formas angulosas misturam-se com espirais. A ligação varia imenso, encontrando-se palavras com todas as letras desligadas e palavras ligadas entre si.

Este texto poderia ser encaixilhado como uma das telas de Dali, porque também ele revela como as suas obras o predomínio do irracional, a oposição à norma, a deformação da realidade, a turbulência do traçado, as formas fragmentadas e uma meticulosidade desconcertante.
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