11/02/12

A pressão e os instrumentos de escrita

Todos os utensílios de escrita exigem maior ou menor pressão para traçar as letras. A escolha dum marcador ou duma caneta de feltro deixa um traçado espesso, sem necessitar de grande pressão.

Uma escrita pastosa pode significar sensualidade, calor vital, capacidade artística ou impressionista. A este propósito, M. Pulver afirma “É o espírito que cria o instrumento e não o instrumento que cria o espírito” (O Simbolismo da Escrita). E acrescenta ainda “A pressão gráfica é, pois, proporcional à necessidade de manifestar a sua força”.
A caneta de tinta permite um melhor registo da sensibilidade do escrevente do que a esferográfica, fazendo sobressair mais a diferença de espessura entre os traços ascendentes e os descendentes.
Há quem prefira continuar a usar a caneta em vez da esferográfica por ser mais sensível. Assim, a pressão forte ou fraca terá sempre um significado diferente. Não será por acaso que dado escrevente investe na pressão forte, apesar de “saber” que esta retarda os movimentos da escrita.
Uma menor pressão costuma corresponder a um maior altruísmo. E uma maior pressão pode significar maior sensualidade, maior força emocional, uma libido forte e resistência ao cansaço. Gastar mais energia para realizar o mesmo trabalho é uma opção consciente/inconsciente do escrevente. E para conseguir essa maior ou menor pressão escolhe o instrumento mais apropriado.
As crianças aprendem a escrever, normalmente, com o lápis, por ser mais versátil que os outros instrumentos de escrita e económico, aguentando a irregularidade de pressão imprimida e possibilitando apagar os erros cometidos.
Há pessoas que precisam de sentir o papel. Aquelas que gostam mais de escrever com lápis do que com esferográfica, é porque precisam de sentir o seu atrito. Por analogia, pode dizer-se que as pessoas que estão sempre a participar ou a reclamar gostam de provocar atrito indirecto. Quem deixa um baixo-relevo acentuado no verso da folha, apertará fortemente a sua mão, quando o cumprimentar.
É pela pressão que se reconhece a tridimensionalidade da escrita. Uma maior pressão corresponderá a um sulco mais profundo deixado na folha.
Quando se faz uma análise da escrita, seja para fins periciais ou  grafopsicológicos, é sempre importante identificar o instrumento utilizado e as suas caraterísticas.
 Poderíamos interrogar-nos por que determinado escrevente opta por certo instrumento e não por outro. A opção pode já ser reveladora de certas tendências do escrevente. Quem gosta de marcar terreno preferirá, certamente, um instrumento que deixe um traço mais grosso.
Deve, porém, ter-se presente que um indivíduo  prefira este ou aquele instrumento em detrimento de outros, apenas por uma questão de hábito.