16/08/10

Análise da escrita do escritor Miguel Real


Transcrevo o artigo da revista "OS MEUS LIVROS", n.º 89, deste mês de Agosto, após solicitação dum breve perfil psicológico sobre o escritor Miguel Real.




Pedimos ao calígrafo judicial Afonso Sousa que analisasse a letra de Miguel Real. O espírito crítico e eclético e o bom humor são algumas das características que destacou.
TEXTO Eduarda Sousa
Entregámos a este especialista as primeiras páginas manuscritas do romance "A Ministra" e a assinatura de Miguel Real. Partindo da análise da «escrita ritmada, movimentada e simplificada» que apresenta uma «forma predominantemente arredondada» e olhando para pormenores como as pintas dos "i" ou as barras dos "t", o perito retira várias conclusões: «Com um temperamento impressionável e com propensão para a diversidade emotiva e originalidade, Miguel Real sente necessidade de evasão, de mudança e de estímulos. De elevada agilidade mental, de espírito sistematicamente crítico e eclético, com predomínio do aspecto emotivo sobre o racional, a sua curiosidade e espírito intuitivo deixam-no sempre insatisfeito». Afonso Sousa acrescenta ainda outros traços de personalidade: «De apreciável generosidade, cortês e altruísta, é flexível, receptivo e espontâneo, com uma boa adaptação ao meio onde está inserido e com enorme tendência para a simplicidade a nível pessoal e ambiental. Revela prudência, precaução, vontade de autocontrolo e espírito de oposição: factores que facilitam a contestação e a necessidade de ligação ao passado. Tem bom sentido de humor, considerável sensibilidade, vivacidade e diplomacia, sem cair no 'politicamente correcto'. A sua energia vital pode levá-lo a fervilhar em determinados momentos e contextos. Apesar do gosto pelo detalhe, dá mais importância ao essencial do que ao acessório. A sua introversão harmoniza-se com a extroversão, tornando-se uma pessoa sociável, procurando ser leal e íntegro. O seu sentido de responsabilidade leva-o a compreender determinadas atitudes dos outros».
Uma análise grafológica pode esboçar um retrato psicológico, detectando emoções, sentimentos, qualidades, defeitos ou impulsos. Mas, por vezes, o resultado precisa de ser complementado com outros testes (de desenho, inteligência, personalidade ou sociabilidade) para ser conclusivo.
O acto da escrita não se esgota no papel.


PRÁTICA ANCESTRAL
Já Demétrio na Grécia antiga dizia que a escrita reflectia a alma do indivíduo. Sempre que escrevemos à mão, deixamos uma impressão do nosso carácter e personalidade no papel. A nossa escrita expressa o que vai no inconsciente, revelando muito sobre nós.
Não é possível situar no tempo as origens do estudo e análise da escrita, que se dá pelo nome de grafologia.
O primeiro livro conhecido sobre o tema é de Camillo Baldi, um médico italiano, professor da Universidade de Bolonha, "Tratado sobre de como através de uma carta se conhece a natureza e as qualidades do autor" que saiu em 1622 e criou a primeira normalização sobre o tema.
Crépieux Jamin (1858-1940) é considerado o verdadeiro fundador da grafologia moderna, levando o rigor científico ao seu estudo.
Tendo em conta que se trata de uma Ciência Humana não exacta, a grafologia consegue apenas um «desempenho semelhante ao de tantos outros testes projectivos», conclui Afonso Sousa.


os meus livros //AGOSTO 2010

2 comentários:

Fabíola disse...

Olá. Gosto muito do seu blog. Que bom que voltou a postar!
No título dele, acredito que a palavra "relevam" está no lugar de "revelam".
Abs
Fabíola

Afonso Sousa disse...

Cara Fabíola,
Agradeço o seu interesse e participação.

Em relação à sua correção, pela qual fico grato, informo-a que, de facto, pretendo escrever "relevar" no sentido de "pôr em evidência".
Um grande abraço,
Afonso