02/05/08

O grafólogo na escola

A criança com dificuldades a nível da psicomotricidade (dificuldades de controlo neuromuscular, de coordenação óculo-manual e de organização espácio-temporal), do esquema corporal, da lateralidade apresenta necessariamente a escrita e a leitura deficitárias.
Compete ao grafólogo, através do exame da escrita, elaborar o respectivo diagnóstico, ajudar a criança a admitir e a resolver o problema que a aflige. Atitudes simples como a posição geral do corpo e da coluna vertebral, bem como, o modo de apoiar a mão sobre a folha e de pegar na esferográfica têm uma importância significativa na aprendizagem e no desenvolvimento da escrita e, por consequência, no aproveitamento escolar do aluno. Quanto mais tarde se der a intervenção do técnico, mais difícil se torna a recuperação. Atitudes essenciais serão o respeito pelo ritmo da criança e a incrementação duma sã auto-estima.
O domínio do grafismo parece simples e natural, mas é bastante complexo. As descoordenações motoras e posturas incorrectas reflectem-se na motricidade fina. Como teremos ocasião de explicar mais tarde nesta página, a aprendizagem da escrita está longe de se limitar ao género forma. Esta é importante numa fase inicial, mas não suficiente. Porque escrever é uma actividade mental, como já foi provado por diversos autores e a própria diária experiência o confirma. A personalidade do escrevente está presente em todos os seus actos e, de modo especial, no da escrita.
Dificuldades grafomotoras e de controlo podem ocasionar problemas de pressão, de rotação, de direcção e de distribuição das letras e das palavras no espaço. Pois que, escrever, mesmo no teclado, não é um simples acto mecânico, mas enquadra-se sempre num plano afectivo e intelectual. O gesto gráfico, apesar de se tornar uma rotina, é sempre condicionado pelo estado físico e psicológico. Portanto, para lá da expressão intencionalmente comunicativa da linguagem escrita, existe uma mensagem imanente nos próprios sinais gráficos que escapa a um linguista. Não necessitamos de analisar o conteúdo dum texto para descobrirmos que um jovem é inteligente. Basta reparar na personalização e na harmonia expressas na sua escrita. É praticamente impossível escrever com um conteúdo rico e original, se a grafia apresentar deficiências graves. Uma criança impulsiva, certamente, não fará uma escrita lenta e relaxada.
As causas das perturbações da escrita são, por vezes, múltiplas e profundas e estão quase sempre associadas a factores de ordem emocional. Por trás duma escrita caótica é preciso descobrir um escrevente perturbado que procura libertação.

1 comentário:

Anónimo disse...

Boa noite, gostaria de saber como encontrar um colégio e um profissional especializado para tratar uma criança com dificuldades grafomotora, ele tem 13 anos e não escreve corretamente e nem acompanhada os co´legas de sala.
agradeço desde já
Mariana