14/06/16

Algarismos e identificação do seu autor

Na procura de um indivíduo que tenha cometido determinado crime ou atos de terrorismo, a polícia tenta investigar todos os sujeitos que apresentam caraterísticas físicas ou psicológicas semelhantes às do indivíduo suspeito.

O sujeito criminoso tentará por todos os meios disfarçar o seu aspeto físico e comportamental, a fim de iludir as autoridades policiais e dificultar a sua identificação: poderá deixar crescer a barba e o cabelo, usar óculos escuros ou escurecer a própria pele.

Na impossibilidade de recolha do ADN, de impressões digitais ou de provas testemunhais, os investigados dos atos criminais tendem a alargar o leque de suspeitos e, por vezes, pessoas irrepreensíveis, que nada têm a ver com atos criminosos, sofrem injustamente, apenas porque se encontravam no local errado e no momento errado.

Determinados indivíduos podem, até, possuir o mesmo nome e idêntica nacionalidade e tratar-se de pessoas completamente distintas.

Seria muito vantajoso para a investigação a descoberta de qualquer registo escrito encontrado na posse do sujeito suspeito. Quando este fosse chamado a produzir textos autógrafos, dificilmente conseguiria disfarçar as caraterísticas da escrita que lhe são próprias e acabaria por se autodenunciar.

Nos dois enunciados, acima apresentados – no contestado e no autógrafo – observam-se marcas que denunciam a mesma autoria: como o arredondamento dos ovais, a ausência de angulosidade, os movimentos finais fusiformes, a oclusão no topo de alguns carateres, a simetria volumétrica, o traçado denso e bem pressionado, o tipo de ligação, o ritmo e a velocidade destes enunciados, tipicamente, femininos. 

O enorme predomínio das semelhanças sobre as diferenças observadas nestas duas curtas séries numéricas, leva-nos a concluir que as mesmas se correspondem e que foram lavradas pela mesma pessoa. 
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26/01/16

FALSIFICAÇÃO POR IMITAÇÃO GROSSEIRA


A afirmação constante no enunciado “B” é uma imitação grosseira da afirmação “A”.
O falsificador “B” não conseguiu captar o ritmo da escrita “A”, pecando por lentidão, tremor, paragens e faltas de ligação.
O traçado “B” é mais monótono e a pressão apresenta pouca diferenciação entre os movimentos descendentes e os ascendentes.
Enquanto as hastes literais do enunciado autógrafo “A” se inclinam ligeiramente para a esquerda, no enunciado contestado “B”, a inclinação é variável.
O imitador/falsificador terá sentido dificuldade em se adaptar a uma escrita com caraterísticas muito diferentes das da sua.
Os traços verticais da escrita autógrafa “A” são bem marcados, revelando a tendência do autor para pressionar mais acentuadamente os movimentos de contração e reduzir ao mínimo os de extensão. Este facto é comprovado pela presença de constantes movimentos aéreos que não se observam na escrita suspeita.
O bucle na parte superior da consoante “l”, em forma de vela, na frase autógrafa, difere bastante do bucle da frase suspeita que se encontra mais arredondado, inclinado para a direita e que fora realizado com maior lentidão. 
A barra da letra “t” na escrita “A” é muito mais leve do que em “B”. Quando o autor da escrita “B” pretende imitar a rapidez com que foi executada a barra da escrita “A”, ligando a haste e a letra seguinte, o que resulta é uma prova de falsa velocidade. Pois um movimento rápido não se perde em formas angulosas nem em ziguezagues.
Na hipótese de se tratar de uma auto-imitação ou auto-falsificação, o autor teria, com certeza, deixado algumas marcas por disfarçar, porque tem um estilo muito próprio e inconfundível. 
Depois de observação ao microscópio destas e doutras diferenças, pericialmente muito significativas, pode afirmar-se que os dois enunciados não se correspondem e que, muito provavelmente, terão sido escritos por pessoas diferentes.

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03/12/15

Ritmo da Escrita



O ritmo da poesia, da música e da fala varia de acordo com a expressividade biopsicológica do seu autor. O modo de caminhar e de correr são distintos de umas pessoas para as outras. A linguagem gráfica é, também, caraterizada pelo ritmo. Por este facto, o ritmo da escrita expressa a individualidade do sujeito escrevente.

A escrita rítmica pressupõe criatividade e uma certa desigualdade de forma, de tamanho e de pressão. O ritmo não se confunde com o movimento grafoescritural “mecanizado” ou monótono, em que as letras e as palavras surgem sempre certinhas.

Os diferentes géneros ou subgéneros oscilam ligeira e harmoniosamente ao longo do traçado, num ambiente gráfico positivo, difícil de quantificar, porque resultam de impulsos complexos da personalidade do seu autor.

A analogia estabelecida entre o ritmo vital e a atividade grafomotora permite distinguir duas escritas diferentes ou caraterizar, psicologicamente, os seus autores. Somente, em situações patológicas é que o ritmo do fio de tinta não espelha o biorritmo endógeno do escrevente.


O ritmo da escrita manual assemelha-se mais ao das ondas do mar, calmas ou agitadas, do que a oscilações pendulares, periódicas, precisas e monótonas. E a complexidade da mente humana faz com que determinado grafismo deva ser apreciado como um todo complexo e dinâmico. No entanto, o ritmo adquiriu, recentemente, um importante papel na perícia da escrita manual.

16/11/15

Escrita e coeficiente de inteligência

A inteligência costuma ser definida por capacidade de adquirir conhecimentos e de aplicá-los, adequadamente, a novas situações. Capacidade que pressupõe uma atitude mental flexível, capaz de
organizar e comunicar, logicamente, as diversas ideias.
A memória, o raciocínio, a fluidez verbal e a velocidade percetiva são parâmetros que andam associados à manifestação da inteligência.
Múltiplos autores que procuraram estudar, definir e avaliar vários graus ou níveis de inteligência. Para tais efeitos foram criados testes baseados no vocabulário, na memorização de algarismos, no raciocínio aritmético, no complemento de figuras ou de histórias, na associação de símbolos e em desenhos. Também o teste grafológico pode ser um ótimo instrumento para medir o grau de inteligência do escrevente, com base na análise da escrita. Esta possui a vantagem de não necessitar da presença do escritor, evitando, assim, algum estresse e determinados condicionalismos.
O indivíduo ao escrever um texto espontâneo, utiliza, simultaneamente,  a mente, o sistema nervoso e os músculos, tornando os movimentos grafoescriturais  como atos  da inteira personalidade. Porém, as palavras são criadas e distribuídas no espaço, de acordo com o grau de inteligência do seu autor.   
Desta maneira, o modo como nos expressamos graficamente, deixando de lado o conteúdo, é capaz de revelar o nível de inteligência.
O exame grafológico não pretende substituir os instrumentos de avaliação do cociente de inteligência iniciados com Binet, desenvolvidos com Wecheler e continuados por tantos outros investigadores, pois todas as ciências são poucas para descortinar a complexidade da personalidade humana.
Entre as principais caraterísticas da escrita que revelam uma boa inteligência podem mencionar-se a clareza e a harmonia do enunciado, a simplicidade, a proporção entre os vários géneros, as formas diversificadas, criativas e originais, a simplificação de carateres, a rapidez do movimento, a ligação dos carateres e a pressão moderada.
Na apreciação destes parâmetros, a atitude do grafólogo deve ser de humildade e de rigor, de modo a não extrair conclusões precipitadas e descontextualizadas, baseadas em amostras escassas.

Neste manuscrito de Albert Einstein, podemos encontrar as caraterísticas acima enunciadas.

09/11/15

UM AUTOR OU DOIS AUTORES?

Quando, em duas assinaturas, nos surgem muitas semelhanças significativas e escassas diferenças, costumamos atribuí-las à mesma pessoa. Porém, quando aparecem uma ou mais diferenças relevantes, podem virar todo o edifício ao avesso.  É o que acontece na presente ilustração. Uma única dissemelhança  (a ordem por que foi traçado o "laço" do "f") obriga-nos a rever todos os parâmetros e a examiná-los com maior pormenor.

05/09/15

Escrita feminina e masculina



Não podemos afirmar, absolutamente, que um documento foi escrito por uma mulher ou por um homem. Existem, porém, escreventes do sexo feminino que apresentam caraterísticas de masculinidade e há sujeitos do sexo masculino que revelam caraterísticas de feminilidade. No entanto, em determinadas circunstâncias, atendendo à diversidade natural dos géneros, pode afirmar-se que determinada escrita terá saído, provavelmente, do punho de um homem ou do de uma mulher.
A escrita das senhoras costuma apresentar-se mais arredondada e regular do que a dos homens, a zona média das letras evidencia-se mais que a superior e a inferior, a forma dos carateres predomina sobre o movimento, a pressão é menor e a dimensão é maior. Os carateres costumam ser simétricos, contendo, normalmente, adornos e, apresentando-se, tendencialmente, verticais.

As senhoras, de facto, relevam como predicados a simetria, a recetividade, a ternura e a contenção.

A escrita dos homens apresenta-se mais movimentada e inclinada para a frente, com angulosidades e irregularidades, mais larga e mais pressionada, com predomínio das zonas superior e inferior sobre a zona média. A direção da linha de base é oscilante, sendo as letras mais pequenas e mais estreitas.

Os homens são, predominantemente, mais dados à ação, à impulsividade, à assimetria e ao ataque.

Estas diferenças, que, atualmente, tendem a esmorecer, continuam a significar e a gerar complementaridade.



30/07/15

Sinais de alarme na escrita dos adolescentes

A escrita dos adolescentes pode apresentar sinais de alerta que devem despertar a atenção dos pais, dos professores e do psicólogo escolar.

Na abordagem ligeira deste artigo, vou apresentar os principais sinais a ter em consideração e as medidas a tomar, aquando da sua presença de sinais de alarme na escrita dos adolescentes.

Os distúrbios da adolescência e as crises da puberdade refletem-se, normalmente, nos trabalhos escolares manuscritos.

Úrsula Avé-Lallemant, psicóloga e grafóloga alemã, autora do livro, O Teste das Estrelas e das Ondas, que permite avaliar o grau de maturidade, sintomas de distúrbios e outras caraterísticas da primeira infância, analisou mais de duas mil escritas de crianças e de adolescentes, a fim de detetar sinais de sofrimento, próprios destas idades, que de outra maneira seriam mais difíceis de conseguir identificar. Tais sinais são uma espécie de pedido de socorro, sem que constituam um desequilíbrio psicológico patológico.

Esses sintomas são universais, sendo, portanto, transversais às várias culturas, línguas ou sociedades.

Os sinais de alarme podem observar-se na desorganização do espaço grafroescritural (desagregado, desestruturado ou confuso) que revela sintomas de disfunção no relacionamento com os outros, insegurança ou angústia. A hiper-estruturação do espaço indicará, especialmente, falta de autonomia.

A forma como as letras e as palavras estão realizadas (retocadas, isoladas, truncadas) representam conflitos interiores, necessidade de independência e falta de segurança.

O movimento e o ritmo (frouxos, rígidos ou inibidos) indiciam um esforço extremo na observação das normas e regulamentos. A carga excessiva, que o adolescente sente, leva-o ao conformismo e impede-o de descobrir o verdadeiro sentido e finalidade da norma.

A qualidade do próprio traçado (sujo, fragmentado, sobreposto) pode ser sintoma de falta de firmeza, de insegurança e de irritabilidade.

A intervenção atempada do grafólogo e do psicólogo escolar, perante estes sinais de sofrimento, conseguiria modificar as consequências negativas diretas na aprendizagem e no desenvolvimento do adolescente, numa fase em que se constroem os alicerces do Adulto Integrado.

As caraterísticas dos grafismos devem ser consideradas isoladamente, mas analisadas e avaliadas globalmente e contextualizadas, antes de extrair qualquer conclusão e, sempre que possível, no âmbito interdisciplinar.