Quando, em duas assinaturas, nos surgem muitas semelhanças significativas e escassas diferenças, costumamos atribuí-las à mesma pessoa. Porém, quando aparecem uma ou mais diferenças relevantes, podem virar todo o edifício ao avesso. É o que acontece na presente ilustração. Uma única dissemelhança (a ordem por que foi traçado o "laço" do "f") obriga-nos a rever todos os parâmetros e a examiná-los com maior pormenor.
PARA CONTESTAÇÃO DE ASSINATURAS OU DOCUMENTOS SUSPEITOS E PARA REALIZAÇÃO DE TESTES DE PERSONALIDADE CONTACTE O CENTRO DE GRAFOLOGIA E DOCUMENTOSCOPIA FORENSE
09/11/15
05/09/15
Escrita feminina e masculina
Não podemos
afirmar, absolutamente, que um documento foi escrito por uma mulher ou por um
homem. Existem, porém, escreventes do sexo feminino que apresentam
caraterísticas de masculinidade e há sujeitos do sexo masculino que revelam
caraterísticas de feminilidade. No entanto, em determinadas circunstâncias,
atendendo à diversidade natural dos géneros, pode afirmar-se que determinada
escrita terá saído, provavelmente, do punho de um homem ou do de uma mulher.
A escrita
das senhoras costuma apresentar-se mais arredondada e regular do que a dos
homens, a zona média das letras evidencia-se mais que a superior e a inferior, a
forma dos carateres predomina sobre o movimento, a pressão é menor e a dimensão
é maior. Os carateres costumam ser simétricos, contendo, normalmente, adornos e,
apresentando-se, tendencialmente, verticais.
As senhoras,
de facto, relevam como predicados a simetria, a recetividade, a ternura e a contenção.
A escrita
dos homens apresenta-se mais movimentada e inclinada para a frente, com
angulosidades e irregularidades, mais larga e mais pressionada, com predomínio
das zonas superior e inferior sobre a zona média. A direção da linha de base é oscilante,
sendo as letras mais pequenas e mais estreitas.
Os homens
são, predominantemente, mais dados à ação, à impulsividade, à assimetria e ao
ataque.
Estas
diferenças, que, atualmente, tendem a esmorecer, continuam a significar e a
gerar complementaridade.
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Análises grafológicas
30/07/15
Sinais de alarme na escrita dos adolescentes
A escrita dos adolescentes pode apresentar sinais de
alerta que devem despertar a atenção dos pais, dos professores e do psicólogo
escolar.
Na abordagem ligeira deste artigo, vou apresentar os principais
sinais a ter em consideração e as medidas a tomar, aquando da sua presença de sinais
de alarme na escrita dos adolescentes.
Os distúrbios da adolescência e as crises da puberdade
refletem-se, normalmente, nos trabalhos escolares manuscritos.
Úrsula Avé-Lallemant,
psicóloga e grafóloga alemã, autora do livro, O Teste das Estrelas e das Ondas, que permite avaliar o grau de
maturidade, sintomas de distúrbios e outras caraterísticas da primeira
infância, analisou mais de duas mil escritas de crianças e de adolescentes, a
fim de detetar sinais de sofrimento, próprios destas idades, que de outra
maneira seriam mais difíceis de conseguir identificar. Tais sinais são uma
espécie de pedido de socorro, sem que constituam um desequilíbrio psicológico
patológico.
Esses sintomas são
universais, sendo, portanto, transversais às várias culturas, línguas ou
sociedades.
Os sinais de alarme podem
observar-se na desorganização do espaço grafroescritural (desagregado,
desestruturado ou confuso) que revela sintomas de disfunção no relacionamento
com os outros, insegurança ou angústia. A hiper-estruturação do espaço indicará,
especialmente, falta de autonomia.
A forma como as letras e as
palavras estão realizadas (retocadas, isoladas, truncadas) representam
conflitos interiores, necessidade de independência e falta de segurança.
O movimento e o ritmo (frouxos,
rígidos ou inibidos) indiciam um esforço extremo na observação das normas e
regulamentos. A carga excessiva, que o adolescente sente, leva-o ao conformismo
e impede-o de descobrir o verdadeiro sentido e finalidade da norma.
A qualidade do próprio traçado
(sujo, fragmentado, sobreposto) pode ser sintoma de falta de firmeza, de insegurança
e de irritabilidade.
A intervenção atempada do
grafólogo e do psicólogo escolar, perante estes sinais de sofrimento, conseguiria
modificar as consequências negativas diretas na aprendizagem e no desenvolvimento
do adolescente, numa fase em que se constroem os alicerces do Adulto Integrado.
As caraterísticas dos
grafismos devem ser consideradas isoladamente, mas analisadas e avaliadas
globalmente e contextualizadas, antes de extrair qualquer conclusão e, sempre
que possível, no âmbito interdisciplinar.
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Análises grafológicas
28/07/15
Escrita muito cuidada ou demasiado regular
O automatismo deste traçado parece não deixar respirar
livremente o seu autor, dominado pelo superego e pelo excessivo respeito das
normas e das tradições.
A artificialidade desta escrita pode constituir um mecanismo
de defesa do seu autor, perante determinado sentimento de inferioridade.
Este tipo de grafismo expressa o desejo inconsciente de
querer ser diferente do que se é ou se julga ser, perante os outros. Moretti
fala, também, de outros sinais gráficos, como os “gestos fugitivos”, que são,
igualmente, manifestados pelos mecanismos de defesa de alguns escreventes.
O escrevente é capaz de camuflar as próprias fragilidades,
em prejuízo da ação dinâmica e da originalidade próprias da sua personalidade.
Esta “fuga para a frente” pode levar os sujeitos a criar uma
realidade fictícia que substitui a verdadeira realidade. Tal atitude reduz a
capacidade de autocrítica e aumenta o desejo de impor o próprio ponto de vista.
Estes e outros mecanismos de defesa fazem parte de cada
processo psíquico, sendo alheio à vontade do sujeito, que, assim, tenta resguardar-se,
ocultando as suas limitações reais ou imaginárias, perante a sociedade e o meio
envolvente.
O indivíduo, que se apresenta mascarado perante os outros,
ao condicionar-se pelo meio ambiente, deixa de ser ele próprio.
Estes padrões de comportamento podem atingir todas as
atividades e, neste caso, a da escrita. A análise desta permitiria obter uma
melhor compreensão da organização dinâmica da personalidade do escrevente.
Publicada por
Afonso Henrique Maça Sousa
à(s)
09:03
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05/07/15
CARTA DE CRISTINA, INFANTA DE ESPANHA
Esta é última página da carta que a Infanta Cristina de
Espanha enviou ao seu irmão Filipe VI, atual rei de Espanha, em princípios de
junho, solicitando a renúncia ao título de Duquesa de Palma de Maiorca, a fim
de evitar a contaminação da Coroa, devido aos processos judiciais em que a
Infanta e o marido são acusados.
A opção por uma redação manuscrita, em vez da utilização do
computador, permite-lhe expressar de modo mais intenso a sua personalidade e
intimidade, não apenas através do conteúdo, mas também das marcas deixadas pelo
fio de tinta no espaço da folha de papel.
De facto, esta carta contém as caraterísticas necessárias
para uma boa análise das tendências biopsicológicas da personalidade da sua
autora, expressas com espontaneidade, abundância e originalidade.
A carta é constituída por quatro folhas e está escrita a
tinta azul.
Principia a saudação com a palavra “Majestade” e finaliza
com a expressão “Infanta de Espanha”.
A escrita apresenta-se simples, legível e sem os exageros
ornamentais que seriam de esperar em estratos sociais elevados.
Os carateres maiúsculos, as hastes e pernas estão reduzidos
à sua expressão mais simplificada. Apenas o “C” final de “Cristina”, na
assinatura, se eleva verticalmente e prolonga na horizontal para sustentar o
nome, terminando encurvado para a esquerda.
A velocidade, movimento e ritmo materializam-se, com
naturalidade, neste grafismo vertical ou ligeiramente inclinado para trás.
As numerosas formas em grinalda e a quase ausência de
ângulos são caraterísticas típicas da feminilidade.
Acentuação e pontuação precisas e pouco exuberantes
coadunam-se com o formato do texto.
A dimensão das letras é moderada e grande parte delas estão
desligadas no interior das palavras. As linhas encontram-se ligeiramente
onduladas, encontrando-se afastadas umas das outras e formando a margem
esquerda crescente e a margem direita bastante livre e irregular.
Como gestos-tipo, observam-se as letras “ll” resumidas a
simples traços descendentes, os “tt” com a barra a partir da base das hastes e
os “ee” a constituírem um misto entre género caligráfico e tipográfico.
O levantamento das caraterísticas patentes neste documento
constitui apenas uma simples amostragem, sem o propósito de uma análise extensa
e nem intensa.
Dispensando-me de interpretações psicológicas das
caraterísticas apresentadas, concluo, apenas, que a ausência de formas gráficas
elaboradas assentam bem numa personalidade que renuncia ao título de Duquesa.
Publicada por
Afonso Henrique Maça Sousa
à(s)
10:29
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Análises grafológicas
31/05/15
Inclinação e inversão dos grafismos
Apresenta-se como natural a atribuição de significados diferentes
à inclinação e à inversão dos grafismos.
Apesar de não se poderem atribuir caraterísticas
psicológicas à personalidade do escrevente quando os parâmetros gráficos surgem
isolados do seu contexto, uma simples observação de algumas escritas ou
pinturas leva-nos a destacar tendências diferentes ou mesmo opostas.
É o caso do simbolismo
expresso pelas figuras presentes no quadro de Filipe de Champanhe, pintor
barroco francês do século XVII, sobre a aparição do Anjo. A posição das
personagens ilustra bem o significado que o artista lhes pretende atribuir: o avanço do Anjo e o recuo da Virgem.
O pintor apresenta-nos a Virgem surpreendida e retraída com
as palavras do Anjo. Aquela não contava com semelhante notícia. Por tal facto,
coloca-se numa posição de defesa, inclinando-se para trás. Com esta atitude,
Maria manifesta prudência e uma certa timidez.
O Anjo, pelo contrário, inclina o corpo para frente, projetando-se
sobre a Virgem e apresentando-se cheio de energia e de iniciativa.
Maria, numa atitude introvertida, parece recuar, ao passo
que o Anjo, manifestando-se extrovertido, avança em sua direção, interpelando-a
e considerando-se seu protetor.
Esta posição do corpo da Virgem tem um significado comparável
ao da escrita inclinada para trás e a posição do corpo do Anjo assume um
sentido semelhante ao da escrita inclinada para frente.
Também os adolescentes, especialmente as meninas, numa fase
da vida em que lhes surgem tantos obstáculos, têm tendência a inverter a
escrita. Trata-se de uma atitude natural, se a inversão for pouco pronunciada e
limitada no tempo. No entanto, pode constituir um sinal de alarme para os pais,
para o psicólogo ou para o grafólogo, quando aquela for muito acentuada e se prolongue
temporalmente.
Publicada por
Afonso Henrique Maça Sousa
à(s)
22:05
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11/04/15
Análise linguística forense
O
ex-primeiro ministro português, José Sócrates, publicou o livro “Confiança no
Mundo – Sobre a Tortura em Democracia”. O jornal semanário “Sol”, num artigo de
Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita, de 27/03/2005, relatam que terá sido um professor catedrático a escrever o livro.
Chegaram a esta conclusão, com base em indícios recolhidos, através de escutas
telefónicas, na Operação Marquês. Os advogados de José Sócrates desmentiram,
categoricamente, afirmando que tenha sido este o autor do livro.
Vemos muitas pessoas a escrever livros, apesar de
possuírem um nível intelectual inferior ao ex-primeiro ministro. Ninguém duvida
que ele não tenha preparação e dotes suficientes para escrever um ou mais
livros.
Acredite-te ou não se acredite que o livro tenha sido
escrito por José Sócrates, existem métodos de avaliação que podem confirmar a
autoria, neste e em tantos outros casos, em que são levantadas suspeitas.
O método aqui proposto é a análise linguística das
marcas deixadas no texto contestado, seguida da comparação com as de outros
textos escritos pelo considerado verdadeiro autor ou pelo autor suspeito.
Existem centenas de parâmetros que, se estiverem
presentes e coincidirem numa e noutras obras, confirmam a sua autoria; pelo
contrário, se se observarem numa obra e não estiverem presentes noutra ficará
provada uma autoria diferente.
A linguagem escrita permite expressar-nos através de
várias funções e obedece a estruturas semânticas, sintáticas e morfológicas caraterísticas.
Vou limitar-me a citar cerca de duas dezenas de itens
que costumam se examinados e aplicados na identificação de autores de cartas
anónimas escritas em carateres tipográficos:
· A preferência por uma das funções:
denotativa, conotativa, apelativa, fática, poética e metalinguística.
· A densidade de ideias e a riqueza
vocabular ou o uso de redundâncias, com estereótipos.
· O modo de construção do discurso: preferência
por frases simples ou complexas, coordenadas ou subordinadas.
· A abundância ou a escassez de
parágrafos.
· A ordem dos elementos sintáticos na
frase.
· O nível de linguagem: corrente,
popular, cuidado, literário, familiar e calão.
· O uso frequente ou diminuto de sufixos
aumentativos ou diminutivos.
· A utilização, de modo correto ou
incorreto, da pontuação e da acentuação.
· O recurso a estrangeirismos,
neologismos ou arcaísmos.
· O emprego de expressões idiomáticas
ou recorrentes.
· A repetição de determinados termos
que estabelecem o relacionamento entre frases, tais como: ora, então, pois,
portanto, com efeito, aqui.
· A abundância de diversos tipos de
frases: declarativo, interrogativo, exclamativo e imperativo.
· O domínio dos discursos direto, indireto
ou indireto livre.
· A adjetivação excessiva ou diminuta.
· A existência de erros semânticos,
sintáticos ou ortográficos.
· A preferência por figuras de estilo
mais frequentes: metáfora, hipérbole, ironia, repetição, comparação.
· O emprego de determinadas formas
verbais, de pronomes pessoais, de advérbios, de preposições, de interjeições.
· A repetição de tiques
linguísticos, impares, específicos de cada escritor.
Nada, na linguagem, acontece por acaso, porque a utilização das palavras no discurso oral ou escrito é modelada, singularmente, pela mente de cada escritor.
Nada, na linguagem, acontece por acaso, porque a utilização das palavras no discurso oral ou escrito é modelada, singularmente, pela mente de cada escritor.
Publicada por
Afonso Henrique Maça Sousa
à(s)
22:42
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