20/12/09

Renna Nezos

Renna Nezos, nascida na Grécia, em 1931, estudou grafologia em Paris, onde exerceu como grafóloga 20 anos e mudou-se para Londres. Constituiu a Academia Britânica de Grafologia, em 1985, e a Faculdade Londrina de Grafologia (considerada pelo governo britânico a instituição grafológica mais credenciada do Reino Unido e onde Renna lecciona esta ciência). Formou a editora Scriptor Books que edita e traduz livros da especialidade. Em 1999, criou o Instituto Grego de Grafologia, em Atenas, Grécia.
Dedica-se ao ensino e à investigação da Grafologia há mais de trinta anos. É diplomada pelo Instituto Internacional de Pesquisas Grafológicas. Representa no Reino Unido a Société Française de Graphologie e o Groupement des Graphologues Conseils de France, é membro honorário da Agrupacion de Grafoanalistas Consultivos (Espanha) e do Centro Internazionale di Grafologia Medica (Roma), e é correspondente da Associazone Italiana Grafoanalisi per l'Éta Evolutiva (Torim, Itália).
Renna foi co-fundadora da Associação Deontológica Europeia de Grafólogos (ADEG), a mais importante instituição internacional do género a nível mundial, de que foi presidente por três vezes- Escreveu numerosos artigos. Publicou os livros: Graphology - The Interpretation of Handwriting (1986), pesquisa cuidadosa e análise de escritas com a finalidade de detectar vários aspectos da personalidade); Advanced Graphology (1992), com muita informação e uma grande quantidade de amostras de escrita); Judicial Graphology (1994), onde coloca em evidência elementos inconscientes da escrita, tornando-se, por isso, uma obra de referência para os peritos forenses).
Para Renna Nezos, nenhum sinal assume um significado fixo, porque cada sinal é valorizado conforme o número de vezes que aparece na página, a zona onde se localiza, o seu contexto e formnivel do grafismo.

16/12/09

Ludwig Klages

Friedrich Konrad Eduard Wilhelm Ludwig Klages (1872-1956) foi filósofo, psicólogo e grafólogo alemão. Sofreu algumas influências de Friedrich Nietzsche. Fundou a Sociedade Alemã de Grafologia. Entre as obras que escreveu contam-se Os problemas de grafologia (1910), a obra clássica A Escrita e o Carácter (1917) e Introdução à psicologia da escrita à mão (1924).

Klages criou o conceito de formnivel (nível de forma) que expressa a energia vital ou intensidade de vida. O formnivel positivo ou negativo refere-se ao conjunto (visão global) da grafia e não apenas ao género forma. Para este filósofo e grafólogo em cada ser humano existem dois princípios – o espírito e a vida – sempre em perpétua luta entre si.

Em Klages, cada sinal gráfico pode ter vários significados, dependendo do ritmo pessoal da escrita. Com ele a grafologia adquire, na Alemanha, o estatuto de ciência e passa a ser ensinada na Universidade.

Para este autor, nas escritas com maior irregularidade predomina a vontade e naquelas com menor irregularidade, a falta de força de vontade (domínio de instintos, impulsividade, paixão e impetuosidade). Mas uma escrita irregular pode ser de um aventureiro errante, sem carácter, ou de um génio como Beethoven, com impetuosidade e paixão. Por isso, não se pode olhar apenas à regularidade ou irregularidade da escrita, mas em primeiro deve-se colher o ritmo.

Para apreciar o ritmo, Klages aconselha o grafólogo a inverter o texto (a voltar a folha debaixo para cima), a fim de se livrar de qualquer preferência pessoal e obter uma imagem pura do substrato da escrita. Quanto mais natural for a letra maior formnivel possui. O autor tem sempre presente o dualismo expressivo dos sinais gráficos: “a continuidade do movimento sem perturbações do traçado é tanto sinal de calma como de falta de sensibilidade” (A escrita e o carácter). A vida manifesta-se através do ritmo e este é uma manifestação primordial da vida que está constantemente no início. O espírito reprime o ritmo, através da força reguladora da norma. Cada movimento humano tem uma forma original, incluindo o movimento gráfico. Uma escrita será tanto mais original quanto mais profundo for o grafismo. Qualquer exagero diminui o nível do valor expressivo do sinal gráfico. A proporção e a regularidade aumentam o formnivel.

O autor recorda que é preciso medir a intensidade do impulso vital e a intensidade da resistência, porque pode haver um grande impulso e uma maior resistência ou um pequeno impulso sem resistência. Exemplifica com o caso de duas crianças que perante o desejo de colher uma tulipa, uma colhe-a imediatamente e a outra abstém-se. Mas a que se abstém pode ter maior desejo (maior impulsividade instintiva) do que a criança que a colhe, mas ficar inibida por medo da punição (força antagónica). Segundo a teoria de Klages, a própria vida alimenta um instinto e o seu contrário para que ambos adquiram uma força que os leve a afirmarem-se como riqueza de vida ou vacuidade, impulso ou sua ausência.

Assim, como cada canção tem o seu ritmo (que não se confunde com compasso porque este não tem alma, é mecânico), cada ser humano tem o seu ritmo de vida, espécie de onda original que produz sempre formas semelhantes, mas nunca iguais, porque “o ritmo é a manifestação primordial da vida”. O relógio e o compressor, diz Klages, têm ambos compassos, mas não têm ritmo. A vida da escrita está na força do seu nível formnivel, no seu movimento original. A força criadora do grafismo pode não ser completamente harmónica, como é o caso da escrita de Beethoven, mas que tem uma força criadora indiscutível.

14/12/09

Max Pulver

Max Albert Eugen Pulver (1889–1952), filósofo, psicanalista, escritor e grafólogo suíço, baseado na teoria do inconsciente colectivo de Jung, desenvolveu a interpretação psicológica do simbolismo do espaço gráfico, introduzindo as técnicas psicanalíticas no estudo da escrita.

Ensinou grafologia no Instituto de Psicologia Aplicada de Zurique, fundou a Sociedade Grafológica de Neuchatel e escreveu obras de referência como, Symbolik der Handschkrft, (1931), Person, Charakter, Schicksal (1944), Der Intelligenzausdruck in der Handschrift(1949).

Segundo Pulver, o escrevente, através das formas verbais, projecta-se inconscientemente a si mesmo no espaço da página atraído pelos vectores: alto, baixo, esquerdo, direito. Em cima, estão a imaginação, as ideias, a moral, o bem, o dia, o céu, o intelecto, o pai, o espírito e Deus. Em baixo, estão os instintos, a materialidade, a sexualidade, a noite, o mal, o inconsciente, a terra, a escuridão e o Demónio. À esquerda, o princípio, o passado, a família, a mãe e a interioridade. Á direita, o tu, o futuro, o fim, o mundo exterior, o outro e o desconhecido. O centro está associado ao coração, à afectividade, à acção, ao eu e à realidade. A cabeça erguida é sinal de alegria, a cabeça baixa, sinal de tristeza.

Esta visão simbólica do espaço gráfico (com seus arquétipos ou forças dominantes: direita, esquerda, alto, baixo), elaborada Max Pulver e retomada por alguns grafólogos contemporâneos, abrange as letras, as palavras, as margens, os espaços em branco, as margens, a inclinação, a pontuação, dos traços dos tt, a colocação da assinatura.

Para Pulver, a escrita da esquerda para a direita do mundo ocidental simboliza o movimento em direcção ao tu, ao exterior, à expansão. Ao passo que, é uma característica do mundo oriental (árabe e semita) a tendência para voltar às origens, aos valores do passado e à meditação.

Este simbolismo espacial pulveriano não se opõe aos movimentos neurofisiológicos, mas, pelo contrário, confirma-os. Ele é aplicado não só na escrita, mas também na interpretação de testes projectivos e desenhos. Todavia, já, Platão, no Timeu, se refere ao Kora, em que o ser (espaço) está acima, o estar (espaço concreto) está abaixo, o mito está à esquerda e o logos à direita.

Dentro destes conceitos, uma zona superior predominante (prolongamentos superiores das letras) pode denotar orgulho, domínio do pensamento, da criatividade, do sonho da espiritualidade, idealismo, utopias, gosto pela reflexão, pelo mundo das ideias, pelo essencial das coisas. Uma zona média predominante (zona média das letras e os ovais), com realce das letras a, c, e, m, n, o, r, s, u, v, w, x em detrimento das restantes, pode indicar domínio do sentimento, da afectividade, da emoção, sensibilidade. Uma zona inferior predominante (prolongamentos inferiores das letras) pode referir-se à materialidade, à realização concreta, à sensualidade e aos instintos. Estas características observam-se nas pernas consoantes g, j, p, q, y, z e f.

Pulver inventariou um conjunto de sinais de insinceridade e afirmou que “o escrevente desenha inconscientemente a sua própria natureza interior”.

15/11/09

Mestrado em grafologia

Faculdade de Ciências da Formação de Turim
Na Universidade de Turim, Itália, vai funcionar, no corrente ano lectivo de 2009-2010, o primeiro Mestrado em Consultoria Grafológica para a idade desenvolvimento. Surgiu dum protocolo assinado entre a Faculdade de Ciências da Formação, a Faculdade de Psicologia e a Associação Grafológica Italiana.

Pedagogos, psicólogos e grafólogos estão preocupados com a perda do hábito da escrita manual que está a provocar problemas de aprendizagem e outras perturbações assinaladas pelos professores, especialmente no 1º ciclo.

Ao Mestrado podem candidatar-se licenciados em Psicologia, em Pedagogia e noutras ciências afins. O mestrando adquirirá as competências específicas para observar e interpretar a estrutura e psicodinâmica da actividade gráfica de crianças e de adolescentes.

Descortinando sinais de alarme e outras situações problemáticas, o grafólogo, juntamente com o psicólogo, o médico e o professor, envolvendo o encarregado de educação, intervirão no desenvolvimento integral e harmonioso da personalidade do aluno.

Esta nova especialização no domínio da grafologia trará, com certeza, grandes benefícios para as novas gerações que, ao serem apoiadas na evolução da escrita manual, serão capazes de traduzir, com maior eficácia, o pensamento em unidades semânticas.
Para mais informações contactar www.a-g-i.it - Associazione Grafologica Italiana.

06/11/09

O movimento gráfico

Qualquer manuscrito é o resultado directo duma sequência de delicados movimentos dos dedos, da mão e do antebraço que, coordenados pelo cérebro, através dos nervos motores, e servindo-se de um apropriado instrumento, deixam a sua marca sobre determinado suporte. A escrita é essencialmente movimento.
Numa série de movimentos de extensão e de flexão, de traços ascendentes e descendentes, curvos, angulares e lineares, o escrevente distribui um fio de tinta com uma originalidade irrepetível. Não há duas escritas iguais, nem mesmo dum único escrevente, mas existem determinadas características que permitem distinguir um texto próprio de outro alheio.
Como em qualquer outra actividade humana, – o canto, a dança, o caminhar –, na actividade gráfica, por baixo da sua forma, escorre vida, num ritmo natural, que é preciso descortinar.
Uma página escrita assemelha-se à fotografia de um rio que a imagem parou, mas cujas águas continuam a correr. Os impulsos grafomotores ficam registados no papel, mediante movimentos acelerados ou lentos, com ou sem interrupções, proporcionais ou desproporcionais, enérgicos ou débeis, interrompidos ou ligados, originais ou padronizados.
Surge, então, a escrita feita de palavras e de proposições alinhadas e distribuídas ritmicamente no espaço e distanciadas umas das outras para ganharem sentido, para espelharem o carácter pessoal do escrevente.
A análise gráfica, devido à ambiguidade e à polivalência de significados dos vários sinais gráficos, só será real quando conseguir penetrar na dinâmica subjacente à forma.
Como afirmou o filósofo e grafólogo alemão, Ludwig Klages, “o ritmo é a manifestação primordial da vida”.
A escrita, como outras obras de arte, contém essa manifestação da vida e, por isso, o grafólogo é capaz de identificar determinadas tendências da multifacetada, mas não compartimentada, personalidade humana.
Uma grande intuição "objectiva" e uma longa experiência são dois atributos necessários para interpretar, através da escrita, a imensa riqueza psíquica do seu autor.

19/10/09

Falsificação de Vermeer

A leiteira, uma das obras mais importantes de Vermeer
A falsificação, quando é total, costuma designar-se por contrafacção e por falsificação, quando é parcial: sujeita a junção, a eliminação ou a substituição de certas partes.

Para estabelecer a autoria ou não autoria de obras de arte, recorre-se, à peritagem gráfica, à análise química das tintas, das telas, dos materiais de suporte, à luz rasante, aos raios ultravioletas, infravermelhos ou laser.

Uma rigorosa análise grafológica da assinatura, confrontada com outras do mesmo autor, poderia facilitar a autenticação, porém, nos tempos antigos, as obras de arte apareciam por assinar.

Não se pode garantir a 100% a autenticidade de determinadas obras de arte, sendo provável que circulem no mercado muitas telas mal atribuídas, especialmente aquelas supostamente pintadas por grandes artistas já desaparecidos e que continuam a ser negociados por avultadas quantias.

Há galeristas que acumularam grandes fortunas à custa da falsificação e da comercialização de obras de artistas famosos como Dali, Picasso, Renoir e outros.

Na história das falsificações ficou famoso o caso do holandês Hans van Meegeren, (1889-1947), dotado de enorme talento para falsificação de obras de arte. Falsificou obras como Cristo e os Discípulos de Emaús, Mulher Surpreendida em Adultério e O Jovem Cristo Ensinando no Templo, atribuídos indevidamente a Johannes Vermeer (1632-1675), grande mestre holandês.

Meegeren, conseguia reproduzir os pigmentos da época, mas, perante a polícia, confessou ter falsificado obras-primas de Vermeer.

Meegeren, além de falsificador, foi um grande génio da pintura e poderia ser colocado ao lado dos grandes mestres holandeses. Foram os próprios críticos de arte que incluíram as obras de Meegeren no catálogo de Vermeer.

Meegeren ficou conhecido como um mago na arte da falsificação. Ele não se limitou a copiar Vermeer, mas pintou quadros e colocou neles a assinatura de Vermeer.

A grafologia terá um importante papel a desempenhar neste domínio, não só em relação à assinatura do artista, mas também no que respeita a qualidade do seu traçado (pressão, direcção, forma, distribuição,…). Se duas assinaturas sobrepostas coincidirem exactamente (se forem iguaizinhas) é prova evidente que uma ou ambas são falsas).

01/10/09

Prova Grafológica da Verdade

Francisco Viñals Carrera, nascido em Barcelona, no ano 1958, é jurista, criminalista, especialista em AT, consultor, grafoanalista e professor da Universidade Autónoma de Barcelona e da Escola de Polícia da Catalunha. Em conjunto com MariLuz Puente, escreveu Diccionario Jurídico-pericial del documento escrito, Análisis de Escritos y Documentos en los Servicios Secretos, Pericia Caligráfica Judicial. Práctica, casos y modelos, Psicodiagnóstico por la Escritura – Grafoanálisis Transaccional e, últimamente, Grafologia Criminal.
Baseado na Grafologia Emocional de Honroth criou a Prova da Verdade Grafológica, aplicada com êxito na Secção de Inteligência do Estado Maior da Região Militar Pirenaica.
Servindo-se de palavras-chave, Viñals distribui-as estrategicamente ao longo dum texto ditado ao sujeito suspeito. Tais termos funcionam como lapsus calami. Ou seja, o escrevente ao redigir certas palavras sente-se tocado emocionalmente e marca-as inconscientemente com diferenças grafonómicas (quebras de linha, rasuras, falta de firmeza, maior ou menor dimensão,...).
Para que a verdade ou mentira sejam detectadas, o perito deve proceder de modo a que o presumível falsificador utilize o menos possível a reflexão.
Viñals, apesar de reconhecer que a Prova da Verdade Grafológica apresenta grande fiabilidade, afirma que a mesma não deve ser utilizada em exclusivo, mas completada com uma prova caligráfica.