18/01/09

Questões grafológicas pertinentes


Como teve origem a grafologia?


As marcas deixadas pela caneta na folha, semelhantes a sulcos deixados pelo arado na terra ou a pegadas de dinossauros, como costuma dizer Francisco Queiroz, desde muito cedo impeliram os estudiosos da escrita a descortinar o seu significado.
Durante o Império Romano, no II século da nossa era, Suetónio, biógrafo do Octávio César Augusto, destacou algumas particularidades da escrita do imperador, a fim de traçar o perfil da sua personalidade.
O primeiro livro de interpretação do carácter através da escrita só apareceu no século XVII com o médico italiano Camillo Baldi.
No século XIX, com Hipólito Michon, abade francês, teve o verdadeiro início o estudo científico da Grafologia e, desde esse período, tem-se expandido por toda a parte.


A grafologia é uma arte ou uma ciência?

A grafologia tem o estatuto de ciência porque é constituída por um corpo de saberes sistematizados, objectivos, rigorosos e transmissíveis. Possui objecto, terminologia e método próprios e finalidades específicas. Os seus critérios e princípios podem ser testados. Não se confina a determinado território. Faz o seu percurso histórico independente de outras ciências, evoluindo com os próprios erros. Não apresenta verdades absolutas, mas graus de probabilidade.


Qual é a definição exacta de grafologia?



Alguns autores ou escolas apresentam definições um pouco diferentes, mas complementares. Umas são mais longas, outras, mais sintéticas. Em todas está presente o aspecto essencial “análise da escrita para a descoberta de determinadas tendências da personalidade do seu autor”. Cada sinal deve ser interpretado tendo em vista o contexto gráfico e não isoladamente.


Que traços da personalidade podem ser revelados através da análise grafológica?

A análise da escrita pode revelar certas características da personalidade: inteligência, intuição, criatividade, sociabilidade, energia psíquica, motivação, equilíbrio emocional, afectividade, actividade, abertura mental, organização, auto-estima, capacidade de decisão, concentração, liderança, honestidade, sensualidade, fantasia, agressividade, angústia e falsificação.


A escrita realizada com a mão esquerda, com a boca ou com o pé é diferente daquela que é feita com a mão direita?

A escrita é um acto mental do indivíduo e, por isso, cada um tem sua escrita própria, o seu estilo único. A escrita feita com a mão direita ou esquerda, com a boca ou com o pé exprime essencialmente as mesmas tendências da personalidade, conforme já demonstrou o TH. W. Preyer.

O teste grafológico substitui outros testes?

A grafologia é uma ciência. Não é apenas um teste, mas pode alcançar resultados iguais ou superiores aos de tantos outros testes projectivos.
Qualquer teste projectivo, isoladamente, fornece sempre menos dados do que se for cruzado com outros. O teste grafológico pode muito bem ser acompanhado por testes de desenho, nomeadamente, os da figura humana, da árvore, da família, da casa ou das ondas e do céu estrelado.



Em que campos se pode aplicar?


A grafologia tem aplicações relacionadas com auto-conhecimento, reeducação da escrita, compatibilidade conjugal, diagnóstico da personalidade, perícia documental, selecção de pessoal, aconselhamento profissional e vocacional, idoneidade de colaboradores, investigação histórica e artística, diagnóstico e contextualização de doenças físicas ou mentais.


A assinatura ou um pequeno texto são suficientes para fazer uma boa análise?


Depende daquilo que se pretende conhecer. Mas, normalmente, são necessárias várias páginas e várias assinaturas de períodos diferentes. Pois, um maior número de sinais gráficos fornece, em princípio, uma menor margem de erro.

Uma caligrafia bem feita é sempre um sinal positivo?


Fazer uma escrita caligráfica é seguir um padrão. Pode revelar sentido estético, mas também falta de originalidade e conformismo. Está claro que, se se tratar duma criança, na fase aprendizagem da escrita, será normal encontrar uma escrita caligráfica, e não se lhe pode atribuir nenhum significado especial.



Em Portugal, a grafologia é ensinada nalguma Universidade?


No diz respeito ao reconhecimento e ao ensino oficiais da grafologia, Portugal está atrasado em relação a outros países, como Itália, França, Espanha, Suíça, Alemanha, Argentina, onde é ensinada em instituições de ensino superior, desde há vários anos.

O que não podemos pedir à grafologia?




Não se pode pedir à grafologia aquilo que ela não pode dar. Não dá a idade, o sexo, a profissão, o estatuto social, cultural ou económico do escrevente. Os grafólogos não prevêem o futuro nem prevêem comportamentos pontuais, mas indicam tendências ou predisposições do sujeito. E não devem confundir-se com astrólogos, cartomantes ou outros praticantes de artes divinatórias.


Qual é a percentagem de acerto na análise grafológica?


Não se pode falar em percentagens exactas de acerto, nem nesta nem em quaisquer outras ciências humanas afins, como a psicologia, a medicina, a pedagogia, a sociologia ou a criminologia. Pode, contudo, afirmar-se que uma margem de erro de dez ou vinte por cento é bastante razoável.

Por que prefere utilizar o termo grafologia em vez de psicologia da escrita?




Alguns autores fogem do termo grafologia para evitar confusões ou conotações pejorativas. Eu prefiro a palavra grafologia porque é mais abrangente. Não se trata de uma disciplina de psicologia, mas de uma ciência com múltiplas disciplinas. Certamente que para um grafólogo é indispensável uma boa formação em psicologia, mas a grafologia abrange outras componentes para lá da psicológica, nomeadamente, no âmbito da medicina, da psiquaitria, da criminologia, da investigação histórica e da selecção de pessoal.

Afonso Sousa






















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01/01/09

Quanto mais alguém se esconde atrás do texto mais se manifesta, porque pode haver grafólogos distraídos, mas não há escritas indecifráveis.
"Disfarçar a escrita é tão difícil como disfarçar a fisionomia" (J. CH. Grohmann)

Ovais

Ovais fechados de menina adolescente de 15 anos, 8º ano
O círculo é uma das figuras mais primitivas, perfeitas e simbólicas da humanidade. É uma forma feminina por excelência. Está associada aos conceitos de harmonia, fecundidade, origem e fim. Por isso, não é de estranhar que tenha sido escolhida como letra do alfabeto. O primeiro modo de a criança desenhar a figura humana é circular.
Os ovais são constituídos por todas as letras de forma arredondada (as vogais o, a, e parte das consoantes d, g, q). Ocupam a zona central ou média, fazendo fronteira com a zona superior (zona do ideal e do racional) e com a zona inferior (zona do instinto e do inconsciente). De modo geral, os ovais retratam a intimidade, a auto-consciência, a vida afectiva e as suas descargas emocionais do escrevente. Além de outros formatos, podem apresentar-se:
  • Abaulados, reflectindo necessidades afectivas na infância e na adolescência, apropriação indevida, imaturidade, fantasia, emoções e agressividade reprimidas.
  • Achatados, sugerindo inibição, reserva, timidez, dissimulação, hedonismo, necessidade de auto-estima e reacção lenta aos estímulos.
  • Abertos em cima, estando relacionados com receptividade, sinceridade e abertura.
  • Abertos à direita, indiciando permeabilidade, confiança, franqueza, ternura social, calor humano e extroversão.
  • Abertos à esquerda, indicando prudência, calma, introversão, apego ao passado, nostalgia, timidez e ocultação.
  • Abertos em baixo, inferindo fraqueza ou ternura nível corporal, instintivo ou sexual, deslealdade, e egoísmo adquirido.
  • Angulosos, estando associados a disciplina, coragem, rigor, combatividade, firmeza, tenacidade, resistência, defesa, rigidez, intransigência, severidade, agressividade, frieza, egoísmo, inflexibilidade, irritabilidade, teimosia, dificuldade de adaptação e desconfiança.
  • Com bucles (duplo fecho), remetendo para reserva, ambiguidade, manipulação, busca de afecto e insinceridade.
  • Sem bucles, manifestando desejos sexuais por satisfazer e frieza.
  • Fechados, reportando prudência, introversão, reserva e cautela.
  • Sem amolgadelas nem esmagamentos podem ser sinal de calor afectivo, abertura e de pessoa comedida.
Qualquer das características supracitadas não pode ter uma leitura isolada, sob pena de se incorrer numa interpretação descontextualizada e, portanto, errónea.

25/12/08

Rubrica

Rubrica de adulto do sexo masculino, com traço final descendente
A rubrica é constituída pelas partes da assinatura que não são letras, que não se conseguem ler.
Quanto mais acessórios contém menos personalidade apresenta. Se a assinatura não deve ser interpretada fora do texto e do contexto, tanto menos a rubrica que aparece, por vezes, com aspecto simbólico, como a pauta num músico ou a bola num jogador de futebol Elenco alguns dos traços mais pertinentes.
  • Com um traço por baixo, exprime o desejo de reconhecimento, confiança em si mesmo, gosto em mostrar as próprias capacidades, orgulho.
  • Com um traço na parte superior, indica protecção contra ideias alheias e defesa das próprias, protecção da intimidade.
  • Com duplo sublinhado, expressa a necessidade de dar excessiva importância ao que diz ou faz, orgulho, sentimento de fracasso.
  • Com traço descendente no final, aponta para capacidade de afirmação, de defesa e de ataque.
  • Com ponto no fim, indicia desconfiança, prudência, cautela, auto-afirmação.
  • Com ângulo voltado para a esquerda, assinala agressividade, possibilidade de auto-agressão, ressentimento, possível problema com a mãe.
  • Em ziz-zag, revela astúcia, entusiasmo, vingança.
  • Com forma circular apenas no início, é indício de bleuff, charlatanice, falta de sinceridade.
  • Em espiral estreita ou enredada, aponta para ideias fixas ou obsessivas, habilidade para enredos, imaginação.
  • Em forma de C (boca de lobo), é característica de pessoa com inclinação para a actividade comercial, vontade de poder, tenacidade.
  • Em forma de C ao revés, significa conservadorismo egoísmo, apego à família e à terra, desconfiança.
  • Em laço para a esquerda, é própria de sujeitos com espontaneidade com os mais íntimos.
  • Em laço para a direita, atesta facilidade de contactos, expressividade, ductilidade.
  • Sem rubrica, está associada à simplicidade, à essencialidade, à coragem moral, à integridade e à auto-satisfação.
As rubricas são mais que os escreventes, porque ninguém consegue fazer duas rubricas exactamente iguais. Uma rubrica é mais fácil de imitar do que uma assinatura.
Existem muitos outros traços distintivos de rubricas. Veja as características da sua, mas não se apresse a auto-avaliar-se.

Ver também: https://www.facebook.com/CentroGrafologiaDocumentospiaForense?ref=hl



14/12/08

Assinatura

Assinatura igual ao texto de adulto do sexo masculino
A análise isolada da assinatura não é suficiente para traçar o perfil completo duma personalidade, porque retrata o eu íntimo do escrevente, mas não nos informa sobre o seu comportamento social e profissional. Comparando a assinatura com o texto extraem-se melhores conclusões.
Localização da assinatura
  • Colocada no centro da folha pode significar equilíbrio, prudência, indecisão, centro de atenções e inibição.
  • Situada no lado direito mostra-nos uma personalidade expansiva e dinâmica, optimismo, extroversão, iniciativa, confiança no futuro, espírito de decisão, sinceridade, espontaneidade e entusiasmo.
  • Localizada no lado esquerdo reflecte prudência, autodefesa, introversão, conservadorismo, inibição, melancolia, ansiedade, medo do futuro, desencorajamento e obsessão.
  • Muito afastada do texto indicia necessidade de independência, visão global das coisas, descomprometimento, distanciação dos outros e frialdade.
  • Muito próxima do texto implica compromisso, simplicidade, espontaneidade ingenuidade, intromissão e necessidade de dependência.

Dimensão da assinatura
  • Maior do que o texto pressupõe capacidade de liderança, confiança em si próprio, orgulho, auto-estima equilibrada, necessidade ou procura de valorização, afirmação do sentimento de si, segurança, extroversão, entusiasmo, compensação de sentimento de inferioridade, necessidade de admiração e vaidade.
  • Menor do que o texto exprime falta de confiança, insegurança, falta de auto-estima, timidez, inibição, sentimento de inferioridade e sentimento de fracasso.
  • Semelhante ao texto (nos vários géneros) revela sinceridade, personalidade equilibrada, coerência em relação aos outros e consigo mesmo.
  • Nome maior do que o apelido manifesta desejo de figurar e procura de protagonismo.
  • Nome menor do que o apelido é sinal de orgulho familiar, aceitação do papel social e desejo de êxito social.

Pressão da assinatura
  • Maior que a do texto pode interpretar-se com sinal de afirmação da própria personalidade, firmeza, disciplina, tensão interior e evasão perante compromissos.
  • Menor que a do texto representa vulnerabilidade perante os problemas do eu ou de familiares, necessidade de se retirar e de aliviar a tensão exterior.
  • Pressão irregular está associada a violências impulsivas internas.
  • Pressão deslocada aponta para conflitos entre o ego e o superego.

Direcção da assinatura
  • Ascendente implica boa disposição, entusiasmo, confiança, contestação, agressividade, encobrimento e desejo de pertencer a alguma coisa.
  • Descendente está associada a desalento, insegurança, falta de confiança, submissão, timidez e falta de iniciativa.
  • Horizontal ajuda a medir o nível de maturidade, estabilidade e serenidade.
  • Vertical relaciona-se com desejo de independência, de afirmação e autoritarismo.
  • Letras saltitantes estão relacionadas com sensibilidade e receptividade.

Forma da assinatura
  • Semelhante ao texto traduz naturalidade, espontaneidade e equilíbrio.
  • Entre duas barras horizontais mostra inflexibilidade, exigência, espírito de domínio, orgulho, reserva, desconfiança e astúcia na defesa dos próprios interesses.
  • Arredondada é própria duma personalidade amável e cortês.
  • Angular testemunha agressividade e tensão.
  • Em forma de caracol é sintoma de independência, de egoísmo e de isolamento.
  • Filiforme (forma de fio) expressa talento, habilidade e inteligência.
  • Em casulo simboliza necessidade de protecção, de fixação na mãe e pouca comunicabilidade.
  • Com formas variadas (arcos, grinaldas, ângulos, ….) está associada a conflito entre o eu e a realidade, entre o eu e o eu ideal.
  • Abstracta prova originalidade e criatividade.
  • Em laço está relacionada com astúcia e engano.
  • Envolvida por traço está conotada com distanciamento afectivo, protecção do eu, orgulho, reserva, perseverança, vontade inflexível, medo de ser atacado e narcisismo.
  • Traço final longo corresponde a extroversão e a necessidade de domínio (para baixo indica auto-afirmação e para cima agressividade). Se for separado, constitui uma espécie de marcação de território, de espaço de protecção.
  • Traço inicial longo é prova de prudência, ligação ao passado e satisfação narcísica.
  • Traços para a esquerda, se estiverem por baixo da assinatura, podem interpretar-se como regressão, tendência esconder a própria vida e o passado; se estiverem por cima, podem significar prudência, tendência a esconder os próprios projectos.
  • Um ou dois pontos no fim da assinatura exprimem distanciação, prudência, falta de tolerância e desconfiança.
  • Traço da letra inicial a sublinhar toda a assinatura pode corresponder a consciência do próprio valor, a admiração por si mesmo, a vaidade ou a complacência narcisista.

Velocidade da assinatura
  • Mais lenta que o texto evidencia prudência, ponderação, reserva e autodefesa.
  • Mais rápida que o texto pressupõe impaciência e evasão.
  • Semelhante à do texto é sintoma de equilíbrio entre atitude interior e comportamento social.

Inclinação da assinatura
  • Maior que no texto prova que sente mais calor na vida íntima do que na vida social.
  • Variável está associada a conflitos, lutas internas, ambivalência de sentimentos e de atitudes.
Ligação/continuidade da assinatura
  • Nome e apelido unidos assinalam complementaridade entre o eu íntimo e o eu socioprofissional.
  • Com cortes (interrupções) atesta insegurança, incerteza, medo, fractura entre o mundo do pensamento e o do sentimento.
  • Menos ligada do que o texto revela inibição e isolamento.
  • Hiper-ligada exprime segurança, produtividade de pensamento e fluência.
  • Em grinalda é sinal de conciliação e amabilidade.
  • Reenganchada expressa possíveis dificuldades de coordenação motora e transtornos nervosos.
  • Maiúscula desligada indica reflexão, contemplação, desproporção entre o que ambiciona ser e os meios que possui para consegui-lo (a assinatura da pintora Paula Rego apresenta o P separado).
  • Em arcada é sinónimo de formalismo.
  • Filiforme exprime habilidade e diplomacia.
  • Em ângulo é sinal de vontade firme, dureza e intransigência.
  • Com movimentos progressivos é sintoma de desenvolvimento harmónico, ponderação e adaptação integradora.
  • Com movimentos regressivos significa colocar-se à defesa.

Ordem da assinatura
  • Rasurada é própria de atitudes de conformismo e de insegurança.
  • Comprimida é sinal de inibição e de introversão.
  • Diferente do texto (nos vários géneros) pressupõe ambivalência de sentimentos, conflito, desordem, dissimulação, incoerência, inconstância e falta de maturidade.
  • Escrita muito cuidada e assinatura mais livre indicia predomínio das relações sociais e dissimulação.
  • Ilegível está relacionada com actividade, independência, evasão perante compromissos, introversão, reserva, impaciência, ansiedade, ocultação e desonestidade.
  • Legível exibe transparência, sinceridade, honestidade, simplicidade, extroversão, sentido de responsabilidade, franqueza e integração social.
  • Envolvida por um círculo explicita a necessidade de protecção, fixação na mãe, orgulho, exigência, egoísmo e complexo de culpa.
  • Cortada chama a atenção para auto-crítica, auto-limitação e auto-reprovação.
Repare, agora, se a sua assinatura é muito diferente ou semelhante ao texto. O leitor melhor do que ninguém poderá reconhecer se as suas tendências estão aí espelhadas.

13/12/08

Gestos-tipo

Gesto da mitomania, no final dos “o” , na escrita de menina, com 13 anos

Os gestos-tipo, como o próprio nome indica, são traços específicos dum dado escrevente, uma espécie de tiques gráficos. Exprimem manifestações instintivas e inconscientes, aspectos incontroláveis da pessoa, instintos, impulsos, necessidade de aparecer, formação do carácter, mecanismos de defesa e de compensação, complexos (dependendo da zona onde aparecem).
  • Gestos da mitomania - ricci della mitomania (no final palavra para cima ou para frente ou para baixo) indicam fuga da realidade, mitomania, ideias fixas e parasitárias, fantasia, vivacidade, estranheza, riscos de subjectivismo, distorção da realidade e quebra de regras. Neste e noutros gestos, sigo de perto a escola moretiana, quanto à designação e ao significado psicológico.
  • Gestos da confusão - Ricci della confusione (cortam as letras da própria linha, da seguinte ou da anterior) exprimem a confusão em todos os níveis da personalidade, fraca capacidade de discriminação dos estímulos, comportamentos impulsivos e desordenados.
  • Gestos da ocultação - ricci del nascondimento (traços finais para baixo e para trás) expressam reticência, cautela, capacidade diplomática, hipocrisia, introversão, insinceridade e ocultação de pensamentos.
  • Gestos de amaneiramento - ricci dell` ammanieramento (traços no início, no meio ou no fim da palavra) demonstram dissimulação, adulação, predisposição teatral, egoísmo encapotado de altruísmo e hipocrisia. Se forem para baixo, no início das letras podem significar insegurança ou medo de perder bens materiais.
  • Gestos do subjectivismo ou da espacialidade - ricci del soggettivismo (prolongamento horizontal excessivo do final da palavra, com pressão uniforme) assinalam necessidade de defesa do próprio território, colocação no centro de atenções, distinção, superioridade, orgulhoso, complexo de superioridade, insegurança, desconfiança, manutenção dos outros à distância e frieza no relacionamento social.
  • Gestos da vaidade (altura desmedida das letras iniciais ou maiúsculas) exprimem a necessidade de chamar a atenção e capacidade para representar.
  • Gestos do materialismo (para baixo, no final da letra) chamam a atenção para a preocupação com bens materiais, para a agressividade e para a precipitação.
  • Gestos do desleixo - ricci della sciatteria (traços frouxos e descendentes no final da palavra) traduzem desleixo, indolência, abulia e tendências materiais e sensuais.
  • Os gestos (pernas, hastes ou outros traços verticais ou horizontais) acerados assumem o significado de hipersensibilidade, perspicácia, inteligência, irritabilidade, penetração, penetrabilidade, impressionabilidade, insegurança, originalidade, hiperemotividade, ansiedade, agressividade, cólera, paranóia e masoquismo.
  • Gestos da espiritualidade (traços avançados na zona superior) marcam misticismo, criatividade, imaginação e fuga da realidade.
  • Os ganchos, os arpões e os triângulos (ou golpes de sabre) nas pernas, nas hastes ou noutros traços são sinónimo de tenacidade, resistência, egoísmo, teimosia, agressividade, vivacidade, audácia, desejo de mandar e de possuir, oposição, dinamismo, irritabilidade e agressividade.
  • Os golpes de chicote (formação dum laço antes de se projectar com impulsividade) reflectem imaginação, vivacidade, audácia, impulsividade, ambição e egoísmo.
  • Os laços (bucles dentro doutros bucles) representam habilidade manual, sedução, simpatia, vaidade, egoísmo e intriga.
  • As maças podem indiciar actividade, dinamismo, carga emocional, violência, inadaptação e brutalidade.
  • Os nós (pequenos laços) fornecem sinais de reserva, diplomacia, tacto, ocultação, falta de sinceridade, desconfiança e hipocrisia.

Certamente a sua escrita apresentará algum destes gestos ou outros não inventariados. Para captar melhor o seu significado psicológico é preciso avaliar o ambiente gráfico (positivo ou negativo) e a contextualizar cada um dos gestos.

11/12/08

GÉNEROS E ESPÉCIES DA ESCRITA

Neste espaço vão ser listados e definidos os vários géneros da escrita, nomeadamente: forma, dimensão, direcção da linha, direcção axial das letras, inclinação, ligação/continuidade, movimento/ritmo, ordem, espaço, velocidade, pressão (relevo, profundidade) e outros parâmetros como assinatura/rubrica, margens, gestos-tipo, letras especiais, ovais, barras, hastes, pernas, acentuação, pontuação, cor e algarismos.
As espécies são centenas e a sua interpretação depende do ambiente positivo ou negativo da escrita, da presença ou ausência de sinais atenuantes ou reforçantes, tendo sempre em vista a sua integração no contexto global. A quantidade, o peso, o enquadramento e a designação de alguns géneros e espécies variam de acordo com as escolas grafológicas. Mas, apesar de nomenclaturas diversas, os conceitos essenciais subjacentes são semelhantes.