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17/06/14

Grafite de revolta

Este grafite, em forma de ponta de lança, foi feito num muro de uma propriedade privada em Ermesinde, Portugal. À semelhança de uma lança que pode penetrar num objeto, o autor desta escrita gladiada anónima pretende atingir, crítica ou ironicamente, o adversário. A sua grande capacidade de observação torna-o capaz de desmascarar intrigas.

Podemos interrogar-nos sobre os alvos a atingir com este grafite. Os proprietários do imóvel? Os políticos? A revolta interior contra alguém indeterminado? A própria ação de grafitar exprime já um sentimento de inconformismo e de vingança. Não foi, com certeza, pelo simples prazer da escrita que o “grafiteiro” escolheu um muro rugoso para expressar os seus sentimentos, gastando tinta e tempo. Outras expressões escritas, provavelmente, pelo mesmo autor, que foram encontradas noutros locais, apresentam idênticas formas decrescentes.

Se repararmos mais em pormenor, verificamos que, afinal, na mesma palavra “MALDITOS” surgem não uma, mas duas séries de letras decrescentes ou gladiadas. A primeira abrange as quatro primeiras letras MALD e a segunda, as últimas quatro ITOS.  
A primeira letra “M” antecipa já as formas ensiformes que se seguirão, apresentando a primeira perna maior do que a segunda.
Desconhece-se o género, a idade, a profissão e as habilitações literárias do escrevente. Sob este grafismo de aspeto simples, lento, desalinhado, desligado e com pressão desigual, pode esconder-se alguém com uma mente acutilante e que domine bem a escrita.
Sobressai a exagerada acentuação da sílaba tónica, especialmente a vogal “I”, para realçar o significado do termo “MALDITOS”. A pinta pesada e em forma de acento tenderá a expressar inconscientemente o grito de revolta.

A palavra original tem, aproximadamente, um metro de comprimento, dimensão não muito extensa, mas suficiente para transmitir o desagrado físico ou mental de um indivíduo que preferiu manter o anonimato.
Este grafite, em forma de ponta de lança, foi feito num muro de uma propriedade privada em Ermesinde, Portugal. À semelhança de uma lança que pode penetrar num objeto, o autor desta escrita gladiada anónima pretende atingir, crítica ou ironicamente, o adversário. A sua grande capacidade de observação torna-o capaz de desmascarar intrigas.
Podemos interrogar-nos sobre os alvos a atingir com este grafite. Os proprietários do imóvel? Os políticos? A revolta interior contra alguém indeterminado? A própria ação de grafitar exprime já um sentimento de inconformismo e de vingança. Não foi, com certeza, pelo simples prazer da escrita que o “grafiteiro” escolheu um muro rugoso para expressar os seus sentimentos, gastando tinta e tempo. Outras expressões escritas, provavelmente, pelo mesmo autor, que foram encontradas noutros locais, apresentam idênticas formas decrescentes.
Se repararmos mais em pormenor, verificamos que, afinal, na mesma palavra “MALDITOS” surgem não uma, mas duas séries de letras decrescentes ou gladiadas. A primeira abrange as quatro primeiras letras MALD e a segunda, as últimas quatro ITOS.  
A primeira letra “M” antecipa já as formas ensiformes que se seguirão, apresentando a primeira perna maior do que a segunda.
Desconhece-se o género, a idade, a profissão e as habilitações literárias do escrevente. Sob este grafismo de aspeto simples, lento, desalinhado, desligado e com pressão desigual, pode esconder-se alguém com uma mente acutilante e que domine bem a escrita.
Sobressai a exagerada acentuação da sílaba tónica, especialmente a vogal “I”, para realçar o significado do termo “MALDITOS”. A pinta pesada e em forma de acento tenderá a expressar inconscientemente o grito de revolta.
A palavra original tem, aproximadamente, um metro de comprimento, dimensão não muito extensa, mas suficiente para transmitir o desagrado físico ou mental de um indivíduo que preferiu manter o anonimato.Este grafite, em forma de ponta de lança, foi feito num muro de uma propriedade privada em Ermesinde, Portugal. À semelhança de uma lança que pode penetrar num objeto, o autor desta escrita gladiada anónima pretende atingir, crítica ou ironicamente, o adversário. A sua grande capacidade de observação torna-o capaz de desmascarar intrigas.
Podemos interrogar-nos sobre os alvos a atingir com este grafite. Os proprietários do imóvel? Os políticos? A revolta interior contra alguém indeterminado? A própria ação de grafitar exprime já um sentimento de inconformismo e de vingança. Não foi, com certeza, pelo simples prazer da escrita que o “grafiteiro” escolheu um muro rugoso para expressar os seus sentimentos, gastando tinta e tempo. Outras expressões escritas, provavelmente, pelo mesmo autor, que foram encontradas noutros locais, apresentam idênticas formas decrescentes.
Se repararmos mais em pormenor, verificamos que, afinal, na mesma palavra “MALDITOS” surgem não uma, mas duas séries de letras decrescentes ou gladiadas. A primeira abrange as quatro primeiras letras MALD e a segunda, as últimas quatro ITOS.  
A primeira letra “M” antecipa já as formas ensiformes que se seguirão, apresentando a primeira perna maior do que a segunda.
Desconhece-se o género, a idade, a profissão e as habilitações literárias do escrevente. Sob este grafismo de aspeto simples, lento, desalinhado, desligado e com pressão desigual, pode esconder-se alguém com uma mente acutilante e que domine bem a escrita.
Sobressai a exagerada acentuação da sílaba tónica, especialmente a vogal “I”, para realçar o significado do termo “MALDITOS”. A pinta pesada e em forma de acento tenderá a expressar inconscientemente o grito de revolta.
A palavra original tem, aproximadamente, um metro de comprimento, dimensão não muito extensa, mas suficiente para transmitir o desagrado físico ou mental de um indivíduo que preferiu manter o anonimato.
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30/04/14

Escrita de Vasco Graça Moura


Vasco Graça Moura, pessoa erudita, falecido aos 72 anos, licenciou-se em Direito, mas dedicou-se, intensamente, à escrita como ensaísta, poeta e tradutor.
Observando este pequeno texto escrito, em 1978, quando Graça Moura tinha 36 anos, conseguem-se evidenciar algumas caraterísticas da sua personalidade.
A sua escrita, impulsionada para frente, ligeiramente, ondulada, ritmada e rápida, indicia vivacidade de pensamento e de ação. Os múltiplos sinais de criatividade evidenciam-se, especialmente, na forma como estabelece a ligação entre as letras e traça as barras de alguns “tt”. O “gesto da independência”, patente no modo como traça a haste da letra “p”, tipo antena, costuma associar-se ao desejo de independência. Manifesta-se, também, o seu poder de conciliação, devido ao predomínio dos movimentos arredondados em detrimento dos angulosos.
A assinatura simples, semelhante ao texto e sem traços desnecessários, revela sinceridade e coerência em relação aos outros e consigo próprio. 
Vasco de Graça Moura remou contra a maré, na sua oposição acérrima ao último Acordo Ortográfico.
Foi um poeta original e um tradutor invulgarmente abrangente, traduzindo clássicos, como Shakespeare, Dante, Petrarca, Lorca e Racine.
Entre as distinções recebidas contam-se o Prémio Fernando Pessoa, a Coroa de Ouro do Festival de Struga e o Prémio Nacional de Tradução, este atribuído, em 2007, pelo Ministério da Cultura italiano.
 Poema de V. G. Moura dedicado à Mãe - “Lâmpada votiva 3” (2002):
“Agora deu-se à terra o que é da terra
e as flores amontoam-se em sinal
de ser fugaz a vida, sobre a cal.
e enquanto cada dia desaferra,

com o seu sopro bravio virão ventos
e as gaivotas, levando-lhes outras vozes,
uivos do mar, pios, metamorfoses.
nada ela escutará nesses momentos.

haverá fumo e fogo, deslembranças,
ecos, recordações, nuvens, ruídos,
outros cortejos tristes, recolhidos,
ali por perto hão-de brincar crianças

num jogo descuidado. um grupo vence-o.

mas fica a minha mãe posta em silêncio.”

https://www.facebook.com/afonso.sousa.370

23/02/14

Escrita de uma pessoa cumpridora e de outra não cumpridora

Esta curta análise grafológica constitui o 150 º artigo do meu blog www.graphologia.blogspot.com , onde pode ser lida na íntegra.  
A crescente afluência de interessados por esta área do conhecimento incitou-me a escrever ao longo dos últimos anos. O blog obteve mais de 230.000 visitas, por pessoas de várias nações, com destaque para o Brasil, Portugal, Estados Unidos da América, Angola, Espanha e Argentina.
As palavras representadas na imagem foram extraídas de documentos escritos por António e Manuel, nomes fictícios. Trata-se de dois industriais da construção civil, do sexo masculino, possuidores de poucas habilitações literárias. O António tem cerca de 40 anos e o Manuel, à volta de 60. Apresento aqui, apenas, estas três palavras para evitar que os seus autores sejam identificados.
Esta curta análise grafológica não tem como objetivo descobrir as tendências ou pré-disposições destas personalidades, através da escrita. Tem, antes, como finalidade precisamente o inverso, ou seja, verificar se as pré-disposições, já conhecidas, destes sujeitos, para assumirem ou não os seus compromissos, deixam algumas marcas no modo como escrevem.
Quais são as marcas da escrita que indiciam que estas personalidades cumprem ou não os seus deveres profissionais?
Nestas palavras e em tantas outras pertencentes aos documentos analisados podem observar-se alguns sinais que nos indiquem que um sujeito é cumpridor e outro não? A resposta é afirmativa.
A debilidade e inconstância do António (autor dos termos 1 e 2) sobressai no traçado mais superficial. A inconstância e o consequente impacto negativo com o ambiente estão indiciados pela letra inicial “E” fragmentada, pelo “s” deformado e pelos carateres com dimensão irregular. A tendência para a incoerência, para a desordem e para a confusão estão refletidas nas letras deformadas. A sua ambição desmedida pode estar associada às hastes demasiado prolongadas. A dificuldade de socialização e de adaptação está associada às letras soldadas umas às outras, em vez de se apresentarem unidas normalmente.
O Manuel, indivíduo firme, apresenta uma pressão do traçado forte (termo 3). As suas boas capacidades de organização e de adaptação ao meio social estão patentes na adoção do modelo caligráfico. A modéstia e sinceridade que o caraterizam espelha-se na simplicidade dos carateres. A intuição e necessidade de clareza estão representadas pela falta de ligação e pela separação das letras nas palavras. A cautela e algum cansaço do Manuel estão refletidos na linha de base ligeiramente descente.   
A debilidade, a inconstância, o impacto negativo no meio social, a ambição desmedida e a dificuldade de socialização e de adaptação exprimem a tendência do António para o incumprimento.
Quando o António cumprimenta um amigo, aperta-lhe, levemente, a mão, exprimindo, inconscientemente, “não me comprometo”. 
As tendências ou pré-disposições de Manuel para cumprir os seus deveres deduzem-se da firmeza, objetividade, adaptação ao meio ambiente e sinceridade. Quando ele cumprimenta alguém aperta-lhe a mão com força, sugerindo, irrefletidamente, “em mim podes confiar”.

As assinaturas do António e do Manuel são semelhantes aos seus textos. A velocidade dos seus grafismos aparenta ser maior do que na realidade é. As alterações efetuadas não resultam de um ímpeto de criatividade, mas de escasso domínio da linguagem.O contexto gráfico do António apresenta-se menos positivo do que o do Manuel.

Conclui-se que o Manuel será mais digno de confiança do que o António. Com este será aconselhável agir com cautela e segurança, porque terá tendência a faltar aos seus compromissos. Com o Manuel poderá negociar-se à-vontade, uma vez que se trata de uma pessoa sincera e cumpridora da palavra dada. 

09/02/14

As assinaturas de Miró




Juan Miró, um dos expoentes do surrealismo, pintou centenas de quadros e "desenhou" milhares de assinaturas. A espontaneidade, a imaginação e a irracionalidade da sua linguagem artística estão patentes no modo como assina as suas obras. Parece que cada assinatura se coaduna com o quadro que autentica. Miró experimenta uma série de variedades de formas dos carateres, com coloridos e dimensões diferentes. O modelo-padrão escolar parece ignorado por alguém que não se quer submeter às regras caligráficas. As vogais são muito mais pequenas do que as consoantes. As quatro letras de “Miró” surgem desniveladas em relação à linha de base. O olhal da vogal “o” aparece, por vezes, pincelado, como que por distração “voluntária”. Esta distorção da letra constitui uma alteração criativa e intencional à norma. A sua escrita não segue os parâmetros da ordem e da organização habituais, mas desenvolve-se de modo primitivo e infantil. Parece manuscrita por uma criança, na fase inicial da aprendizagem. O traçado muito carregado, as hastes torcidas, os pontos desnecessários e os traços iniciais e finais prolongados testemunham o alheamento de Miró pela preocupação estética e pelo controlo de razão. 
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04/02/14

Falsificação da carta da irmã Lúcia



A falsificação de documentos é tão antiga como a própria escrita.
Na Suméria, cerca do ano 4000 a.C., apareceram os primeiros casos de falsificação de documentos.
No tempo dos imperadores Constantino, Marco Aurélio e Justiniano já se comparavam as escritas para a descoberta do falso ou do verdadeiro autor.
O Édito de Teodorico (entre 500 e 526 d.C.) previa a pena de morte para diversos tipos de falsificação de documentos.
Nenhum setor da sociedade escapa aos falsificadores, uma vez que existe sempre alguém que não se conforma com a verdade dos factos e pretende disfarçá-los em proveito próprio, desejando parecer maior do que é ou possuir mais do que tem.
Mesmo no campo religioso também houve falsificações. Basta recordar as célebres (falsas) “doações” do imperador Constantino à Igreja, com o objetivo de fortalecer Cristianismo perante o paganismo ou as outras religiões.
O exemplo que apresento da falsificação de uma carta de Lúcia sobre o 3.º segredo de Fátima, ocorrida há dezenas de anos, levantou, na época, uma grande polémica. Neste, como noutros casos, o falsificador deixou marcas que não conseguiu disfarçar.
Apesar da fraca resolução das imagens, observam-se algumas caraterísticas que distinguem, com elevado grau de probabilidade, a carta autêntica (Fig. A) da falsa (Fig. B). As diferenças quanto ao conteúdo e quanto ao vocabulário utilizados são, neste caso, analisadas.
A carta falsa possui uma acentuada irregularidade de carateres, quanto à inclinação e dimensão, que não se verifica na autêntica.
A carta falsa contém palavras decrescentes que não se observam na autêntica.
A acentuação apresenta-se mais atrasada, na contestada, e mais adiantada na autêntica.
O traço sinistrogiro com que termina o ditongo “ão” é mais lento e menos espontâneo, na falsa do que na autêntica.
Os ritmos da escrita são inconfundíveis: mais alterado o da contestada e mais monocórdio o da autêntica.

O gesto típico descendente, presente no final da letra “h” da carta autêntica, não está sempre presente na carta falsa e, quando aparece, surge mal disfarçado.

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23/12/13

A curva e o ângulo na escrita manual





As formas curva (Fig. A) e angulosa (Fig. B) constituem os dois principais pilares da grafologia de Moretti. Elas podem observar-se na estrutura das próprias letras e nas ligações das mesmas.
 

Já J.H. MIchon, na descrição dos diversos sinais gráficos, afirmava que a curva e o ângulo constituíam a essência da escrita.

A escrita redonda retarda a progressão do movimento e do ritmo para se concentrar no aspeto formal, ao passo que uma escrita angulosa surge impulsionada para a frente.


Estas caraterísticas gráficas não surgem de modo abstrato, mas são derivadas dos movimentos consecutivos de extensão e de tensão, de abdução e adução, de um modo mais suave na escrita arredondada e de uma maneira mais brusca na escrita angulosa.


A interação equilibrada destas duas orientações do movimento grafoescritural (nem excessivamente redondo nem demasiado anguloso) revela a harmonia do Ego do escrevente, representando uma espécie de compromisso entre o instinto de defesa e de ataque, entre a passividade e a atividade.
Escrita redonda (extraída de A. Vels)
O autor da escrita arredondada terá predisposição para contornar os obstáculos e para se adaptar ao meio ambiente. O utilizador de escrita angulosa tenderá a cortar a direito, sem medir, devidamente, as consequências. Os extremos podem refletir, ainda, a tendência para a prodigalidade e esbanjamento, no primeiro caso, e um acentuado egoísmo e açambarcamento, no segundo.

Uma é comparável a um balão flexível e envolvente, o outro pode comparar-se a um caça-bombardeiro rígido, combativo e repelente. Uma provém de uma personalidade em que predomina a razão, outro, de um indivíduo em que impera a emoção.
Escrita angulosa (extraída de A. Vels)

Cada grafismo é o resultado de uma ação individual, apresentando múltiplas facetas representativas da personalidade de cada sujeito. Portanto, a escrita não se resume a estas duas caraterísticas, existindo outros numerosos fatores que reforçam ou reduzem o seu sentido psicológico.

Do ponto de vista pericial, estes formatos são bastante pertinentes, porque o escrevente que utiliza, normalmente, uma escrita curva, apresentará sinais de hesitação ao fazer, com rapidez e espontaneidade, uma escrita angulosa.
 
 


26/11/13

Traços de arranque e de remate na escrita manual



O aparecimento destes apêndices iniciais e finais nas letras assume um importante papel na área da análise psicológica e pericial, porque não são ensinados na fase da aprendizagem do modelo da escrita, mas desenvolvem-se como criações individuais.

Os traços de arranque e de remate dão-nos, respetivamente, uma ideia da autoimagem do sujeito e do modo como ele reage perante o mundo exterior.

Eles ocupam um determinado espaço, em consonância com o impulso psicomotor, constituindo uma projeção do inconsciente. O seu significado varia consoante a zona onde surgem, sendo tanto mais relevantes quanto mais elevada for a sua desproporção em relação à restante escrita. Um traço amputado e outro demasiadamente grande terão um sentido oposto. Todavia, qualquer interpretação será feita de acordo com o contexto e com o ambiente da escrita.

A aceção psicológica varia também conforme a forma que os traços assumem. Se forem curvos, projetarão uma imagem de menor rigor do que se descreverem ângulos. De um escrevente de caráter dócil e agradável não são de esperar gestos angulosos, porque estes refletem maior agressividade.

Escrever uma palavra sem grandes prolongamentos iniciais e finais é como abordar uma questão de modo sucinto e sem rodeios, indo diretamente ao assunto. Enredar com traços desnecessários é perder tempo com factos acessórios.

Se a pressão exercida for débil ou firme, poderá indiciar sinais de fragilidade ou de fortaleza. Comparável a um sujeito que ao cumprimentar o amigo encosta delicadamente os dedos à sua mão ou àquele que o aperta tão intensamente que lhe comprime os dedos.

Os traços complicados e extravagantes poderão exprimir uma necessidade de enfatizar as qualidades que o escrevente possui ou mascarar as que se julga possuir. Será natural que as pessoas que possuem estas marcas se exprimam com boa fluência verbal e gostem de exibir os seus predicados.

25/10/13

Escrita de Salvador Dali


Artista surrealista e extravagante, de caráter excêntrico e anarquista, possuidor duma linguagem onírica e simbólica.

Pintou mais de milhar e meio de quadros com figuras estranhas.

Numa mistura de motivos que só existiam na sua fértil imaginação, o espetador tem que desvendar as constantes conotações da sua obra interpenetrada de objetos psicanalíticos.

As fraquezas tornam-se forças e torrentes de impulsos tornam-no inconformista, parecendo semear o caos cósmico povoado por entes desconformes.


                                                                                                               A Tentação de S. António
Os vários géneros e subgéneros da escrita de Dali variam constantemente. Mas a originalidade é desconcertante. Surgem letras simplesmente esboçadas e outras bem desenhadas. O modo como ocupa o espaço da página parece caótico. Há letras que ocupam, por si só, mais espaço do que palavras inteiras. Não se verifica nenhum alinhamento nas margens da folha. A dimensão dos carateres não obedece a nenhum critério de proporcionalidade: umas vezes minúsculos, quase invisíveis, e outras grandes. As maiúsculas exageradamente elevadas e a pressão forte e irregular manifestam uma potência vital impulsiva e inconstante. O génio rebusca, no próprio inconsciente, o ímpeto ingénuo que o leva a destacar-se dos demais.

Os traços iniciais e finais das letras, ora se prolongam desmedidamente, ora se tornam como que inibidos. As formas angulosas misturam-se com espirais. A ligação varia imenso, encontrando-se palavras com todas as letras desligadas e palavras ligadas entre si.

Este texto poderia ser encaixilhado como uma das telas de Dali, porque também ele revela como as suas obras o predomínio do irracional, a oposição à norma, a deformação da realidade, a turbulência do traçado, as formas fragmentadas e uma meticulosidade desconcertante.
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18/09/13

Cartas anónimas



Extrato de carta anónima

 O escrevente mantém o anonimato em cartas ou panfletos que escreve sem os assinar, nem se identificar, geralmente, com o objetivo de denunciar ou censurar alguém.
 
A pessoa anónima, para tornar mais difícil a sua identificação, pode simular menor cultura, empregando termos mais vulgares do que aqueles que normalmente utiliza; pode dar erros ortográficos, intencionalmente; pode usar uma linguagem artificial. Por isso, o perito tem que estar atento àquelas expressões que, por desatenção ou inconscientemente, escapam ao autor da carta. Se aparecem termos cultos, se há palavras difíceis bem acentuadas, se existe artificialidade.
 

As alterações das letras mais comuns acontecem na forma: nas letras tipográficas nas maiúsculas, na escrita infantil, numa escrita completamente diferente e em alterações da dimensão. O disfarçante pode escrever com uma mão diferente da habitual.
Mas existem aspetos que escapam ao autor da grafia anónima: o espaço entre as letras, entre as palavras e entre as linhas e a própria estrutura da página; o movimento grafoescritural torna-se mais lento e com menor fluidez; surge uma certa artificialidade e uma rigidez controlada; as ligações entre letras e continuidade do traçado são difíceis de disfarçar; a pressão e o ritmo podem denunciar a existência de uma contradição.

O perito de escrita manual prestará atenção redobrada aos gestos-tipo coincidentes (ângulos, bucles, arpões, ligações, abertura dos ovais, acerados) que são aspetos importantes para desvendar o anonimato.

 

Não é fácil descobrir o autor dos anónimos, especialmente se não houver suspeitos ou se a população for numerosa. Além da análise da escrita, pode também ser fundamental o próprio conteúdo. Nestes casos, para filtragem, recorre-se à sociolinguística e ao estudo de outras circunstâncias ou factos conjunturais.

A anonimografia pode ser, simplesmente, fruto de uma psicomania de escrevente, de pessoas imaturas que não querem dar a cara, mascarando-se com todos os meios ao seu alcance.

O importante para descobrir o autor duma carta ou escrito anónimo é ir ao encontro de alguns suspeitos, porque uma grande quantidade de presumíveis autores torna a tarefa demasiado árdua.
 

Para encolhermos o leque de opções teremos que colocar as questões: qual a vantagem que pessoa anónima pretende obter ou que interesse tem em prejudicar outrem? Trata-se, normalmente, de alguém que está muito próximo do indivíduo visado.
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20/08/13

Profundidade versus superficialidade da escrita




Escrita superficial (A) e escrita profunda (B) observadas ao microscópio

Escrita profunda e superficial são dois polos opostos e complementares da escrita. O papel pode ser penetrado com força pelo instrumento gráfico, deixando um sulco profundo ou ser levemente tocado, deslizando com suavidade sobre a sua superfície.

No primeiro caso, o papel fica cheio de sulcos, porque a caneta penetra no papel e rasga as suas fibras, como um arado que lavra a terra bravia.

No segundo caso, o suporte mantem-se quase inalterado, à semelhança de uma superfície vítrea, em que a caneta desliza suavemente.

Na área da perícia da escrita manual, a profundidade e superficialidade assumem hoje em dia um papel fundamental, porque a pressão é um elemento relevante na avaliação da constituição psicossomática do escrevente.
A pressão exercida pela caneta está relacionada com a força vital (energia psicofísica, potência da libido) com a intensidade de sentimentos, com a sensualidade, com a capacidade de resistência, a firmeza ou a insegurança, a adaptabilidade, a força do impulso vital, a produtividade criadora e a sensibilidade aos estímulos externos.
Quando a pressão é profunda, estamos provavelmente perante um indivíduo com grande força emocional e física, persistente, corajoso, de libido forte, com poder de persuasão, com tendência ao comando, ambicioso, persistente, materialista, agressivo e independente. Num ambiente gráfico desarmónico, as tendências revelam-se mais negativas, representando fraca sensibilidade, escassa recetividade, fricções sociais ou depressão (se a escrita for lenta).
Quando a pressão é superficial, o escrevente tende a manifestar grande sensibilidade, delicadeza, capacidade de adaptação, recetividade, boa memória (M. Pulver), sentido crítico, altruísmo, reserva, recusa de conflitos sociais, compostura, desembaraço, predomínio da força inteletual e espiritual sobre a muscular e material. Porém, se o ambiente gráfico for desarmónico, poderá imperar a vulnerabilidade, a fraca combatividade, a inconstância e a influenciabilidade.

07/07/13

Pegadas de “Escrita”


A observação das marcas deixadas na areia da praia faz lembrar-me uma imensa folha de papel carimbada com inúmeros selos brancos.
Por detrás da desordem e confusão aparentes, desta “escrita” coletiva, conseguem distinguir-se padrões de locomoção bípede.
Pegadas impressas por homens, mulheres e crianças mantêm algumas caraterísticas distintivas, enquanto aguardam que o mar as guarde no seu arquivo virtual.
Algumas descrevem linhas retas, outras oscilam para cima e para baixo, como as próprias ondas de branca espuma.
Inclinadas, invertidas ou verticais, penetram no macio solo arenoso, conforme o peso, largura e extensão dos pés de cada caminhante.
Com formas variadas e tamanhos diferentes - pequenos, médios ou gigantes - enxameiam todo o espaço.
Pressões fortes, seguras e nítidas, ou leves e frouxas, retratam baixos-relevos perfeitos ou superfícies congestionadas.
Ora se apresentam mais lentas e espasmódicas, ora, mais rápidas e precipitadas.
Umas exibem formas nítidas, porque estão unidas por movimentos aéreos, outras apresentam pequenas deformações, porque se   
encontram ligadas umas às outras por movimentos rasteiros.

Ritmadas ou cadenciadas avançam pelo areal, estas marcas humanas timbradas pela energia vital. 
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12/06/13

Ritmo e Arritmia da escrita manual


O ritmo é um dos parâmetros que melhor identifica e qualifica o escrevente.
Temos dois textos, com duas estruturas gráficas diferentes quanto ao ritmo. Foram escritos por dois indivíduos com personalidades diversas. O texto “A” pertence a uma senhora com mais de 70 anos e o texto “B”, a um médico, com cerca de 50 anos.
O texto “A” é mais vulgar, apresentando perturbações quanto ao movimento, à forma e ao espaço. As formas triangulares perturbam o espaço gráfico. A insegurança dos grandes traços iniciais contrasta com a tendência impositiva dos golpes de sabre da barra dos “tt”.
A arritmia grafoescritural é um provável sintoma de disfunção psicofísica ocasional ou permanente ou é indício de uma falsificação da escrita.
Revela algum desequilíbrio entre imaginação e realidade, entre a autoimagem e os valores


alcançados.
O texto “B” é ritmado, nem se apresentado demasiado lento nem precipitado. Os carateres, as palavras e os espaços são harmoniosos, desiguais, mas proporcionais. O movimento gráfico não aparece quebrado sistematicamente, nem se apresenta demasiado contínuo. Não se verificam prolongamentos desconformes. A pressão é moderada. A inclinação não é rígida.
Este tipo de equilíbrio grafoescritural é denominado “ritmo” por Klages, “desigualdade metódica” por Moretti, “harmonia” por Crepiéux.
O ritmo da escrita, como sucede em muitos outros comportamentos humanos, está relacionado com o fluxo e refluxo espontâneos do dinamismo vital. Sendo uma espécie de melodia criada pela palpitação e vibração neuropsíquicas, não se confunde com um compasso mecânico.
Não é fácil medir com exatidão o ritmo grafoescritural. Uma das sugestões para avaliar o ritmo é observar a presença ou ausência de excessos. Qualquer sinal desmedido diminui o equilíbrio e a espontaneidade da escrita. Qualquer descomedimento, por não ser natural, reduz a harmonia do traçado e, consequentemente, o seu ritmo.
A escrita arrítmica carece de equilíbrio estético, devido a distorções globais ou parciais quanto à forma, dimensão, pressão e organização do traçado.
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29/05/13

A escrita de um sem-abrigo




O que esconde ou revela esta escrita?

Escrita de um sem-abrigo, caucasiano, com 35 anos de idade e com 4.º ano de escolaridade.
Trabalhou como servente na construção civil, acabando no desemprego.
Para agravar a situação surgiram-lhe problemas familiares.
Seguiu-se uma vida de fome e roubo para matar a mesma fome,
acabando num albergue. Com esta escrita em maiúsculas tipográficas manifesta  o seu orgulho e a própria dignidade.
Agora, refere como os seus principais desejos: sair do albergue, ter uma

vida como a maioria das outras pessoas, ter saúde, dignidade e respeito.
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05/02/13

A escritura de Luis Bárcenas


Vários colegas grafólogos espanhóis já apresentaram algumas semelhanças entre caraterísticas dos grafismos autógrafos e contestados do ex-tesoureiro do PP de Espanha, Luis Bárcenas.

Data constante na carta "autógrafa"

Na sequência de algumas análises levadas a efeito, com base nos parâmetros grafonómicos fundamentais, eu acrescento umas minúsculas marcas pericialmente significativas e que vêm ao encontro de outros pareceres já emitidos. Fazendo fé nos documentos publicados pelo diário El País, tais marcas confirmam a tese mais provável de que se trata de escritos saídos do mesmo punho, tanto a carta, dita autógrafa, como o caderno contestado pelo ex-tesoureiro.

Data constante no caderno contestado

A minha análise incide especialmente sobre algarismos e acentuação. 

Deste modo, verifiquei que a disposição espacial da data “2009” da carta é semelhante às das datas “2008” e “2006” constantes no caderno

 contestado.
                                                      Data constante no caderno contestado
Em ambos os documentos, o primeiro dígito “2” está seguido de um ponto e os algarismos “00” são sempre mais pequenos e encontram-se ligados, após a descrição de um laço que fecha o primeiro zero. A distância que separa o algarismo “2” dos zeros é superior à que separa os zeros do último algarismo. O segundo zero é ligeiramente menos encorpado e apresenta-se um pouco ascendente.

                                                             Número constante na carta "autógrafa"
Quanto ao número “10” na carta e no caderno, o braço inicial do algarismo “1” principia ao nível da linha de base com o traço em diagonal ascendente bastante pronunciada para a direita. A perna do “1” é mais curta e mais inclinada para a direita do que a haste.

                                                      Número constante no caderno contestado

O ângulo agudo formado pelo braço e pela haste tem uma abertura semelhante.

No que respeita a acentuação, os acentos são baixos, precisos, bem carregados e adiantados, em ambos os documentos.

O grau de probabilidade, porque de probabilidade se trata e não de certeza absoluta, poderia ser aumentado com a análise sobre os originais e com um exame grafopsicológico e com uma perícia sociolinguística.

22/01/13

Documento anónimo


Há gestos que, por vezes, fazem a diferença. Trata-se de gestos típicos ou fugitivos, uma espécie de tique gráfico que o escrevente pode apanhar. São formados a partir de comportamentos conscientes que, ao longo do tempo, se vão transformando em atitudes inconscientes e passam a fazer parte da própria escrita personalizada.
 Assim sendo, um gesto típico não é o resultado da ação de um músculo ou  de um órgão isolados, mas um ato de um indivíduo total, de uma pessoa singular.
O falsificador profissional procurará disfarçá-los, mas no próprio disfarce deixa o seu rasto e compete ao perito da escrita manual saber detetá-lo e interpretá-lo.
O quesito aqui colocado é o seguinte: Qual dos funcionários terá sido o autor de uma declaração anónima? Os suspeitos, com grande prática de escrita, aceitam escrever meia dúzia de palavras que constam na declaração em causa (mas os suspeitos desconhecem que tais termos fazem parte do texto anónimo). Um dos termos é a palavra “cêntimos”.
A grafia deste vocábulo apresenta-se arredondada, anelada, sinistrogira, gladiada, rápida, ascendente, com a zona média predominante, com os eixos literais ligeiramente inclinados para a esquerda e com letras espaçadas e largas. E posso acrescentar que se trata de uma escrita feminina. O que não significa que se deva atribuir a priori  a uma senhora, porque há homens  que fazem escrita feminina e senhoras que produzem  escrita masculina.  
Analisando mais em pormenor, observo ainda outras marcas pericialmente bastante pertinentes: as letras e os acentos iniciam com uma curva sinistrogira, a diferença de pressão entre os traços descendentes e ascendentes é acentuada, a vogal “i” encontra-se ligada diretamente à barra do “t” de uma maneira original e o ponto final está alto e preciso.
Entre os textos anónimos, encontra-se um com a maior parte das caraterísticas verificadas nas palavras autógrafas, como “cêntimos”.
 Um dos suspeitos, neste caso, do sexo feminino, posto perante a evidência dos factos, assume, de imediato a autoria do escrito.

18/01/13

Escrita de um adolescente como sinal de alarme


Este pequeno texto foi  escrito por um adolescente de 14 anos, que frequenta, apenas, o 5º ano de escolaridade.
Nascido numa família desestruturada, foi acolhido por uma instituição.

Padece de bruscas variações de humor, é violento e pouco interessado pelos estudos.  Não é destituído inteletualmente, mas não consegue acompanhar, minimamente,  o ritmo da turma. Quer ser o centro das atenções e tem dificuldade em concentrar-se. 

O extrato aqui apresentado faz parte dum curto ditado, preparado antecipadamente. Os erros são mais que as palavras e quase tornam o texto incompreensível.  

A habilidade gráfica é reduzida. A escrita desordenada está cheia de colagens, rasuras e emendas. Os carateres são desiguais e as linhas, descendentes. Os movimentos contêm gestos regressivos e com angulosidades. O traçado é arrítmico e lento. A inclinação das hastes das letras é variável.  Os ovais são duplamente anelados e os laços apresentam sinais de tremura. Alguns traços finais terminam em maça.
A escrita desarmónica, com um rosário de erros, deste adolescente, incapaz de interiorizar as normas sociais, constitui um grito de dor e de revolta contra os outros e contra si próprio.


A desorganização e a instabilidade da escrita refletem instabilidade do Eu e confusão na avaliação objetiva da realidade. O adolescente não interiorizou referências sadias. O desenvolvimento psicoafetivo, o sentido de responsabilidade e capacidade de fazer escolhas estão desajustados da sua idade.

Os carateres apresentam-se mais largos do que estreitos, a zona inferior está bem presente e a pressão é desigual. Estes são indícios de que o rapaz, apesar dos fraquíssimos resultados escolares, não vive inibido nem se sente constrangido. O adolescente não é dado a atividades que requerem concentração e síntese, mas é capaz de exercer missões pontuais e arriscadas.


Oxalá que o sujeito escrevente, aqui anónimo, mas, na realidade, de carne e osso, ao reconhecer-se nesta sua escrita, seja capaz de combater os seus pontos fracos e de desenvolver as suas potencialidades.