03/04/19

A forma e o movimento na escrita manual


Imagem extraída da revista la graphologie
A escrita manifesta-se sempre através da forma e do movimento no espaço. Estes dois fatores completam-se, mas, normalmente, os escreventes valorizam mais ou menos um fator do que o outro.
Quanto mais acentuada for a forma menor será o movimento e quanto maior for o  movimento menor será a forma. Porém, não existe forma sem movimento nem movimento sem forma.
A preferência por cada um destes géneros é assumida inconscientemente pelo escrevente, de acordo com a sua personalidade, constituindo, por esse facto, uma boa referência para inferir determinadas caraterísticas psicológicas.
                                                                            Imagem extraída da revista la graphologie 
A forma considera-se predominante quando a escrita parece estar parada, com as letras minuciosamente desenhadas e ornamentadas. Um grafismo com estas vertentes revela que o seu autor estará mais focado na aparência, na necessidade de segurança, na estrutura e na imagem do Ego, no formalismo e na burocracia, manifestando originalidade, sentido estético e capacidade de adaptação.

Quando o movimento é predominante, a escrita apresenta-se muitas vezes inclinada para a direita, espaçada entre letras e entre palavras, com pequena dimensão, ligada, ritmada, com a direção da linha ascendente ou variável, com menor pressão e maior velocidade, com acentuação adiantada e formas semiovais. 
Predomínio desta dinâmica indica intensidade de vida, agilidade de atuação, de pensamento e de imaginação, comunicabilidade interna, impulsos vitais, aptidão para compreender e resolver problemas.
 As caraterísticas psicológicas referidas serão sempre comprovadas na presença de outros sinais deixados na escrita manual.

                                                       Afonso Sousa

16/02/19

Uma letra foi decisiva na atribuição da autoria


O algarismo 1 identifica o Documento Autêntico, escrito em 2019 e o algarismo 2,  o Documento Suspeito, redigido em 2013.  Ambos foram lavrados na posição de em pé e sobre um balcão de atendimento ao público. 

Parâmetros como forma, velocidade, continuidade do traçado, pressão, inclinação, dimensão e ligação são semelhantes nos dois caracteres.  As semelhanças são tão evidentes que o exame desta simples letra nos permitiu chegar a uma conclusão acertada.

Seguindo a ordem alfabética de “a” até “o”, no Documento 1, podemos acompanhar a sequência do traçado que a caneta realizou para executar a vogal maiúscula “A”.   

O escrevente, neste caso uma escrevente, inicia  com um movimento ascendente e pouco pressionado. No topo deste carácter forma um ângulo agudo. Desce, logo a seguir, de modo firme, em diagonal sinistrogira, até ao ponto mais baixo. Sem levantar a caneta, sobe um pouco em sobreposição com o traço descendente. Depois desvia à esquerda e deixa uma marca de tinta quase impercetível e passa a formar um segundo ângulo agudo abaixo do primeiro. Volta, de novo, a descer e projeta-se  numa curva ligeira para a esquerda.  Atravessa a linha de base e desenha uma nova curva apertada para a esquerda.  Sobe, novamente, com um traçado menos pressionado, para logo a seguir voltar à direita e formar um ângulo aproximadamente reto para completar a letra "A". 

Podemos verificar que algo de muito semelhante acontece na formação da letra "A" (Doc. 2), exceto no traço horizontal final, precedido de um movimento aéreo.
Apesar da distância temporal de seis anos que medeiam entre a realização dos dois documentos, as semelhanças pertinentes apresentadas pelas suas marcas grafoescriturais levaram-nos a concluir, num grau elevado de probabilidade, que ambos os documentos saíram do mesmo punho.
Afonso Sousa

08/01/19

Disgrafia - causas e diagnóstico

Texto de um jovem adolescente, de 14 anos, que frequentava o 5º ano de escolaridade.

As causas da perturbação grafomotora consistem na dificuldade de aquisição do esquema corporal, de orientação, de coordenação óculo-manual e da lateralidade, devendo ser identificadas a partir da escola infantil.
Outras causas consistem na falta de pré-requisitos, da escassa motivação, das fracas condições ambientais, de distúrbios afetivos, da motricidade inadequada, da descoordenação corpo/espaço, da inserção complicada no ambiente escolar, das perturbações da linguagem (atraso na aprendizagem, dificuldade de simbolização e de compreensão do léxico).
Dificilmente existirá uma causa única e suficiente para explicar o comportamento disgráfico. Convém, pois, efetuar, antecipadamente, uma anamnese, recolhendo informações junto da criança, dos pais e dos professores e fazendo testes de leitura, uma vez que a aprendizagem da escrita está diretamente relacionada com o desenvolvimento da expressão oral e da leitura.
A fim de determinar o nível grafomotor, o grafólogo fará um exame cuidadoso da escrita, estabelecendo um bom relacionamento com a criança e com a sua família, em colaboração com os professores. O programa de atuação será individualizado, tendo em conta a personalidade da criança, o seu nível de integração na escola e a sua motivação. Sem esconder as falhas detetadas, convém valorizar os aspetos positivos da escrita, a fim de aumentar a autoestima.
A educação será sempre preferível à reeducação. Porém, quando a escrita não desempenha bem a função de comunicar e o gesto se torna difícil, é necessária a reeducação através da intervenção dum profissional  que saiba lidar com o problema e coordene a realização de atividades didáticas apropriadas que permitam desenvolver capacidades percetivas, motoras, linguísticas, de atenção e mnemónicas adequadas.
O grafólogo observará a posição do escrevente, a distância entre o corpo e a mesa, a posição da coluna vertebral e das pernas, verificará se a mão que escreve está apoiada na folha e se o cotovelo assenta sobre a mesa, se a caneta é pegada pelo dedo indicador e pelo polegar,  se  está apoiada no dedo médio e se os dedos anelar e  mínimo deslizam sobre folha.
Uma atenção especial será prestada à organização espácio-temporal, à coordenação motora, à lateralidade, à linha de base, à pressão, à velocidade, ao tamanho dos carateres e a outros parâmetros que, negativamente, se destaquem. Sendo detetados problemas de foro neurológico ou psicológico, torna-se necessária a intervenção de um profissional de saúde.  
Entre as técnicas que ajudam a melhorar a grafia, podem nomear-se  o desenho livre, os traçados arabescos, os contornos, o preenchimento de figuras, os grafismos com várias direções e formatos, os exercícios de progressão cinética e de pressão.
Inicialmente, algumas técnicas podem ser aplicadas em suportes de maior dimensão do que a folha de papel (como por exemplo quadros) ou utilizando outros instrumentos diferentes de escrita, como marcadores e pincéis.
Qualquer método ou processo de educação ou de reeducação deve assumir um caráter específico e ao mesmo tempo globalizante.

03/12/18

Grafologia e disgrafia



Escrita de adolescente com 14 anos, desinteressado 
pela escola, algo violento e com variações de humor.
.A escrita é um ato, simultaneamente, neurológico, percetivo e motor. A capacidade para  escrever pressupõe, portanto, uma coordenação funcional dos membros superiores, o que implica o desenvolvimento das capacidades motora e motora fina, visual, espacial e linguística.
 Ambos os hemisférios intervêm na realização do ato gráfico. Todavia é sabido que o hemisfério esquerdo predomina sobre o direito, como se pode constatar na preferência da mão direita pela quase totalidade dos escreventes.

Uma das perturbações de tipo funcional da escrita é a disgrafia, que ocorre com alguma frequência no início da fase de aprendizagem, sem implicar lesões cerebrais ou problemas sensoriais. Ela consiste na dificuldade de execução gráfica, na perceção incorreta das formas e da dimensão das letras, das palavras e dos algarismos e na incorreta orientação espacial. A disgrafia não é problema apenas das crianças, mas também dos adultos. Os estudos efetuados provam que a percentagem de indivíduos com disgrafia é mais elevada no sexo masculino do que no feminino.
O escrevente com disgrafia  faz muito maior esforço para escrever  do que os não disgráficos.  A sua escrita costuma apresentar linhas flutuantes, espaços e margens irregulares, formas imperfeitas das letras  e com dimensões irregulares, erros ortográficos, pressão irregular, ritmo alterado, rasuras e interrupções do traçado, inversões de sentido do movimento gráfico, a pontuação descuidada e inclinação variável.
 A disgrafia distingue-se, também,  pela fraca qualidade da letra, pela insuficiente legibilidade, pela demasiada lentidão. Não se deve confundir com a chamada “letra feia”.
Ela distingue-se da dislexia e da disortografia, mas está com estas relacionada.
                Afonso Sousa

18/10/18


Caraterísticas grafológicas das assinaturas de Cristiano e Kathryn
No texto apresenta-se uma súmula dos traços mais visíveis e mais significativos das assinaturas de Cristiano Ronaldo e de Kathryn Mayorga envolvidos num caso mediático.
Não aparecem interpretados psicologicamente, porque as assinaturas estão isoladas de textos manuscritos que contextualizem as caraterísticas aqui apresentadas. A contextualização é, de facto, fundamental para uma boa apreciação e para a obtenção de resultados mais confiáveis.
A assinatura de Cristiano Ronaldo apresenta uma grande clareza e enorme simplicidade. O nome e apelido estão bem separados, sem predomínio de um sobre o outro.
Destacam-se a separação de todos os carateres, a fragmentação da letra “d”, a mistura de carateres caligráficos com tipográficos, as formas curvas e ovais arredondados, a ausência de ângulos, a letra “R” a dominar em altura e amplitude todas as outras.
A assinatura de Kathryn Mayorga é pouco legível, em que o nome aparece ligado e enlaçado ao apelido. Este predomina sobre nome em extensão e artifícios, apesar de serem compostos pelo mesma quantidade de carateres.
Destacam-se, ainda, enrolamentos acessórios no final do apelido terminados com um movimento em ponta aguda prolongada para a esquerda, um movimento sinistrogiro no final do nome cortando-o, uma mistura de traços angulosos e arredondados e a zona inferior é invadida por duas vezes.

04/10/18

Uma boa ideia para uma prenda original



                                                                                              A iniciativa surgiu de um Centro de Recrutamento de Pessoal no Grande Porto.
 Para o aniversário de uma colabora dora, psicóloga, a diretora quis fazer-lhe uma surpresa: oferecer-lhe um teste grafológico de personalidade.
Os testes psicológicos são o pão nosso de cada dia para o Centro. A diretora, desta vez, como tem uma grande admiração pela grafologia, optou por encomendar um teste não para admissão de ninguém, mas para surpreender a sua amiga psicóloga.

Contactou-me para saber se poderia contar com a minha colaboração para surpreender a amiga.  
Após a resposta afirmativa e estabelecidos os honorários, recebo uma carta escrita manualmente pela aniversariante.
Houve que fazer uma análise cuidadosa do texto para deduzir algumas das principais caraterísticas pessoais.
Numa linguagem clara e precisa, o perfil fora traçado e a prenda seguira em suporte eletrónico.
As últimas palavras que recebi da pessoa retratada foram, textualmente, “Grata pela análise... Fez-me muito sentido! E pedi a outras pessoas que me conhecem para comentarem e todas concordaram...!
Vinda de uma psicóloga, esta declaração deixou-me ainda mais satisfeito do que se partisse de alguém alheio à psicologia.
Aqui fica a ideia dum voucher diferente, mas enriquecedor, para as prendas dos amigos.

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e-mail: afhsousa@hotmail.com

28/09/18

Imitação ou mesma autoria?


A perícia levada a cabo nos dois termos concluiu que se tratava da mesma autoria e não de uma imitação por outrem.
Pois o termo suspeito “Carvalho”, numa observação macroscópica, apresenta estilo, dinâmica e forma equivalentes com o termo autêntico “Carlos”.
A velocidade de escrita de ambos os termos é lenta.
Os traços descendentes são bastante carregados e os ascendentes, pouco marcados ou mesmo impercetíveis.
Na zona média, a dimensão vertical das letras predomina sobre a horizontal.
Os carateres estão agarrados à linha de base.

A presença das três primeiras letras iguais (Car) nos dois nomes, permite confirmar ritmo, enrolamentos e interrupções semelhantes.

E, no exame pormenorizado, observaram-se marcas semelhantes e dissemelhantes, sendo as primeiras em grau mais elevado  do que as segundas no que toca a quantidade e qualidade.
As semelhanças estão assinaladas, nas figuras, com algarismos e as diferenças, com letras.

10/09/18

A grande viagem de uma assinatura



Um processo num tribunal de Macau aguardava há muito tempo por uma segunda perícia sobre uma assinatura contestada. Uma primeira perícia realizada por peritos locais não satisfazia algumas das partes envolvidas.
Os advogados da pessoa suspeita de ter falsificado a assinatura não se conformaram com o primeiro exame pericial. Haveria que recorrer a um gabinete que conseguisse desmontar os critérios que conduziram a conclusões julgadas contraditórias. Como em Macau haveria poucos peritos a quem recorrer, a escolha recaiu sobre um perito português e lá fui solicitado a enfrentar o desafio.
Um relatório bem fudamentado, mais objetivo e circunstanciado, poderia prevalecer na decisão do tribunal.
A possível audição por videoconferência ou por carta rogatória, atendendo à distância a que o Porto se encontra de Macau, foi rejeitada pelo tribunal. O resultado foi a deslocação, propositadamente, a esta cidade.
Numa sessão específica do tribunal, pude apresentar o meu depoimento, em língua portuguesa, com tradução simultânea para chinês, porque um dos juízes não dominava a língua de Camões. Durante a mesma sessão tive a oportunidade de observar o original da assinatura contestada e projetar em direto, num ecrã, os traços grafologicamente mais pertinentes que me permitiram estabelecer o confronto entre a assinatura contestada e as autênticas.
Não sei  se a argumentação que constituiu a minha tese terá sensibilizado o tribunal. O objetivo era ajudar na reposição da verdade, com base no grau de probabilidade a que os documentos que me foram apresentados me conduziram.
Nas viagens de ida e volta de avião percorri cerca de 22.000 quilómetros e demorei perto de 20 horas para cada lado. Um percurso muito longo, mas incomparável com as demoradas deslocações por mar feitas pelos antigos descobridores portugueses para administrarem esta cidade, durante mais de 400 anos, agora, região administrativa especial da República Popular da China.
Entre o fuso horário de Macau e o  de Lisboa há uma diferença de sete horas. Quando na cidade do Santo Nome de Deus de Macau são as quatro horas de tarde, em Portugal ainda são as nove horas da manhã, ou seja, quando os tribunais estão a abrir em Portugal já estão a fechar na antiga colónia portuguesa. 
Afonso Sousa

09/08/18

Grafologia e neurociências


Extrato de carta, presumívelmente, falsificada da irmã Lúcia 
Os movimentos musculares de extensão (de baixo para cima), de flexão (de cima para baixo), de abdução (da esquerda para a direita) e de adução (da direita para a esquerda) estão na base de qualquer traçado gráfico.
O cérebro, enquanto central do sistema nervoso, tem-se desenvolvido e adaptado ao longo de milhões de anos, partindo dos elementos mais simples para os mais complexos.

A aprendizagem da escrita não se processa de modo instantâneo e momentâneo, mas por etapas sucessivas e progressivas, constituídas por séries de movimentos e de interações das diversas estruturas do indivíduo como um todo, começando pelas mais simples e avançando pelas mais complexas.
A escrita, considerada como ato mental, não prescinde das suas raízes biológicas, pois a própria mente é resultante da concretização de ações levadas a cabo por uma complexa e delicada rede de estruturas orgânicas, musculares, nervosas, emocionais e cognitivas. Estruturas essas que funcionam como um todo, estando de tal modo interligadas que não são passiveis de fracionamento, sem o risco de perderem a sua identidade e o seu significado.
Existe uma contínua interatividade entre cérebro e escrita, em que esta é condicionada pela maturação cerebral e aquele se estimula e se fortalece com a prática da escrita.
A escrita, quando evolui positivamente, reflete harmonia e equilíbrio por parte do escrevente, quando regride, devido a fatores patogénicos ou desviantes, espelha o desequilíbrio da personalidade, através de desproporções e desarmonias do enunciado.
Os grafismos consistem, pois, em conjuntos de formas individuais e únicas distribuídas no espaço com determinado ritmo, constituindo marcas significativas, capazes de permitirem a identificação do escrevente e de caracterizá-lo psicologicamente.
Dentro deste âmbito, as caraterísticas opostas de harmonia ou desproporção das formas, de pressão média ou de pressão irregular, de velocidade moderada ou de movimento agitado, de dimensão equilibrada ou desequilibrada, de ordem ou de desordem, refletirão, com certeza, emoções e sentimentos positivos ou negativos próprios do escrevente e que este dificilmente conseguirá disfarçar.
A escrita (letras ou algarismos), redigida sob as formas manual, tipográfica ou digital, inventadas e desenvolvidas pelo homem, constituem uma ferramenta essencial que permanecerá viva enquanto estiver intrinsecamente ligada ao seu progresso e bem-estar da humanidade.
O suporte ou a forma em que os carateres são apresentados pode variar, mas o papel da escrita na evocação e na memória permanentes de experiências, de eventos e de invenções constituirá um dos principais alicerces das culturas e das civilizações.
A grafologia, ao distinguir os registos falsos dos autênticos, assume uma função importante na confiança na escrita como impulsionadora do desenvolvimento das relações sociais.
                            Afonso Sousa

16/05/18

“Preconceitos” no exame grafológico



 
O grafólogo, como outros profissionais das ciências humanas, dificilmente se despe por completo das suas expetativas e da perceção imediata que lhes proporcionam os grafismos em análise. 
Texto de Leonardo da Vinci: uma escrita diferente de um autor invulgar

Na caraterização de uma personalidade através da escrita e, especialmente, na perícia da escrita manual, a atitude mais incorreta seria pensar: “Eu estou certo, os outros estão errados”. Procedendo deste modo, a sua atitude mental fá-lo-ia esquecer que esta ciência não é exata e que ele é capaz de errar ou de acertar tanto ou mais do que outros.
O grafólogo, após ter conhecimento, que determinado documento foi elaborado por um indivíduo, supostamente, homicida, terá tendência a valorizar determinadas marcas que costumam ser encontradas num serial killer, podendo, porém, tratar-se de uma pessoa sociável e eticamente bem formada, que terá agido, ocasionalmente, em legítima defesa.   
Compete-lhe inventariar e valorizar de igual modo as diferenças e as semelhanças, colocando-as, equitativa e ponderadamente, nos pratos da balança, antes de avançar para conclusões precipitadas, e evitando a sobrevalorização das diferenças em detrimento das semelhanças ou vice-versa.
As conclusões não devem dar um passo à frente das fundamentações e, qualquer conclusão, que seja hoje considerada definitiva, pode deixar de o ser amanhã, logo que sejam encontradas novas provas documentais mais pertinentes que contrariem as primeiras.
O cérebro recebe e interpreta os vários sinais gráficos em função dos próprios sentimentos e emoções, deixando pouco espaço para as variantes que não se enquadrem dentro das suas expetativas: expetativas negativas “geram” marcas negativas e expetativas positivas favorecem os traços positivos.
Se não é possível a libertação completa da própria subjetividade,  o mais importante é que esses vestígios ou pegadas sejam assumidos como tal.
Apesar da coloração subjetiva por parte do grafólogo, a experiência pessoal e o senso comum relembram-nos a cada momento que o perfeito conhecimento de nós próprios e das nossas tendências é um dos melhores suportes para a realização de uma boa análise e da extração duma conclusão mais lógica e equilibrada.
Todos os grafismos são diferentes, mesmo se saídos do mesmo indivíduo e todos são únicos se forem realizados por indivíduos diferentes, porque cada escrevente como ser humano tem uma identidade própria e uma entidade específica.

09/11/17

A propósito das assinaturas de dois políticos portugueses



A assinatura reflete como o sujeito se vê a si mesmo (a sua autoimagem), perante o seu meio ambiente, constituindo um marco identificativo do próprio eu em relação ao ambiente.
As assinaturas a seguir apresentadas pertencem à ex-ministra da Administração Interna, Maria Constança de Sousa e ao primeiro-ministro, António Costa.
As assinaturas constam, respetivamente, na carta do pedido de demissão da ex-ministra, em 17 de outubro de 2017 e na nota à Comunicação Social do primeiro-ministro, em 18 de outubro de 2017.


Assinatura de Maria Constança de Sousa


 
O pedido de demissão foi apresentado na sequência da tragédia dos graves incêndios que se desencadearam na zona centro do país.

Um relatório independente apontava para graves falhas  a nível de recursos e proteção civil.


Assinatura de António Costa

De um modo superficial e imediato, o que nos revelam as assinaturas destes dois políticos?

Comparando as duas assinaturas, verificamos que a primeira é constituída pelas letras iniciais maiúsculas que formam o nome da ex-ministra, enquanto a segunda assinatura contém todas as letras do nome por que é tratado o primeiro-ministro.

As maiúsculas iniciais da ex-ministra são apresentadas, isoladamente, sob a forma de linhas simples e retas, verticais e horizontais, evidenciando-se a formação de três ângulos retos. A autora aparenta ter uma personalidade rigorosa, objetiva e dedicada, com escassa habilidade política (no mau sentido do termo).
O nome e o apelido de António Costa apresentam carateres irregulares e decrescentes, formando figuras semelhantes a cunhas, em que não faltam laços, ganchos e serpentinas. São sinais de uma personalidade taticamente hábil, capaz de dialogar e de reverter o discurso a seu favor.
Aqui, o elemento feminino não evidencia as clássicas linhas curvas da feminilidade, nem o elemento masculino apresenta determinadas marcas próprias da masculinidade, como a rigidez e angulosidade do traçado.

Adverte-se que a análise de uma simples assinatura descontextualizada ou não integrada num texto manuscrito pelo assinante, como se verifica neste caso, não permite extrair uma informação precisa nem completa das tendências dos seus autores.

https://www.facebook.com/CentroGrafologiaDocumentospiaForense/posts/1549714125105220?notif_id=1510266067573365&notif_t=like

18/10/17

Escrita semelhante de gêmeas monozigóticas


Investigadores de várias ciências, inclusive das ciências gráficas, têm-se pronunciado sobre as semelhanças e as diferenças existentes nas expressões  dos gémeos, especialmente dos homozigóticos, quase confundíveis fisicamente.
As expressões gráficas, que traduzem múltiplos aspetos essenciais dos sujeitos escreventes, não poderiam apresentar resultados divergentes ou contraditores. Pelo que a grafologia reconhece, de facto, a existência de diferenças essenciais de uma escrita para outra.
Tais diferenciações não são, todavia, uniformes em todos os gémeos, podendo apresentar níveis diversos de similitude ou de divergência.
Estes dois curtos extratos pertencem a duas irmãs gémeas monozigóticas, com cerca de 40 anos de idade. Foram escritos em ambiente de boda de uma delas. Cada uma escreveu o respetivo texto, sem observar a escrita da outra. Ambas estavam muito animadas, como se se tratasse do casamento das duas.
As acentuadas semelhanças físicas das autoras, à vista de todos, e similares tendências psicológicas, reconhecidas pelas próprias, estão comprovadas por determinadas caraterísticas dos grafismos, nomeadamente, no que respeita a organização, a forma, a pressão, a velocidade, a ligação e a dimensão dos carateres.
De facto, observamos, nos extratos, diversos pormenores semelhantes, nomeadamente, no predomínio da zona média da escrita, na forma como iniciam os “mm” e respetivas arcadas, no movimento sinistrogiro do “N” maiúsculo, na verticalidade das hastes dos “tt” e no modo rasteiro como são cortadas pelas barras em golpe de sabre.

Em súmula, trata-se, portanto, de duas personalidades distintas, mas com um similar nível de energia vital e uma equivalente tendência para a extroversão, acompanhadas de uma grande intuição e de uma forte recetividade análogas.

26/07/17

Do desenho à escrita


“Desenhos” de Joana, nome fictício, desde os dois anos de idade.
As primeiras garatujas constituem uma verdadeira linguagem que manifesta a autêntica realidade interior.
Os desenhos de Joana como os de qualquer criança vão traduzindo o seu desenvolvimento, o grau de maturidade e o equilíbrio emocional.


A partir dos dois anos, a criança vai apreendendo a ordem gráfica e formal do traçado. As formas circulares são uma espécie de delimitação da sua identidade, do seu mundo.
A coordenação óculo-manual e da motricidade fina para a atividade gráfica do desenho e da escrita passa por um longo processo de desenvolvimento.







Cada gesto tem para a criança determinado sentido que para o adulto pode parecer sem significado. Um único desenho pode mesmo ter várias interpretações, porque a criança encontra-se num processo acelerado de desenvolvimento e, ainda, não existe nela a distinção clara entre lógica e emoção, entre sentimento e inteligência. A Joana fala de si mesma e da sua relação com o ambiente, através do desenho.

As figuras desenhadas sob a forma de rabiscos, presentes em todos os ambientes culturais, são uma fonte de prazer e desenvolvem o conhecimento sensório-motor e simbólico da criança.
A folha em branco constitui o símbolo do ambiente que a rodeia e do seu mundo.



A partir dos três anos, as figuras desenhadas começam a ser mais coordenados e mais interligadas com o meio circundante, chegando a atribuir-lhes nomes.






Depois dos quatro anos de idade, a evolução gráfica caminha a par e passo com o desenvolvimento afetivo e percetivo. Na figura humana, aparecem os braços e as pernas, em forma de riscos que partem, inicialmente, da cabeça.






A criança, de qualquer cultura ou nacionalidade, servindo-se do mais diversos utensílios e materiais de suporte, aprende a desenhar figuras próprias do seu meio ambiente como casas, árvores, pessoas ou animais. O pensamento evolui com o desenho e desenho aperfeiçoa-se com o pensamento.


A pressão exercida sobre o suporte, as cores escolhidas, a dimensão do desenho, a continuidade ou as interrupções do traçado ou a posição das figuras constitui uma ferramenta importante para a compreensão da interioridade da criança. 


Da sucessiva evolução de formas e de movimentos realizados por Joana resulta este texto capaz de transmitir uma mensagem linguística e grafológica. 

25/06/17

Escrita manual e ao computador

Extrato de uma carta de um Bispo de Cochim (1787)

Com o desenvolvimento das novas tecnologias, a escrita à mão perdeu o seu domínio. Os écrans táteis e o teclado dos computadores substituíram em grande parte a utilização da caneta. Os postais e as cartas, no suporte papel, foram, quase totalmente, dominados por mensagens em formato digital, onde copiar, colar e enviar se processam com uma velocidade nunca antes imaginável. 


As pastas de arquivo estão a deixar de ser materiais e concretas, tornando-se virtuais. A evolução extraordinária dos meios de comunicação veio, de facto, facilitar e revolucionar a aproximação dos factos e das pessoas. O mundo transformou-se numa aldeia global.
Perante esta transformação eletrónica, valerá a pena continuar a aprender e a ensinar a escrita manual?
Na Finlândia e em alguns Estados da América do Norte, foi abolida a obrigatoriedade da escrita cursiva, mantendo-se apenas a letra de imprensa. Justificam esta posição pela dificuldade de aprendizagem e desperdício de tempo que seria útil  para outras atividades didáticas.
As novas tecnologias são sempre bem-vindas em qualquer atividade ou domínio do saber, porém, a escrita eletrónica não pode substituir, mas complementar a escrita à mão.
O aparecimento e a utilização da escrita manual, há milhares de anos, provocaram uma revolução semelhante à que hoje se verificou com a eletrónica. As memórias, os conhecimentos, as descobertas e as invenções dos séculos passados teriam desaparecido e impediriam o progresso e bem-estar da humanidade, caso não tivessem sido fixadas, graficamente, em diversos materiais.
Investigadores das neurociências, da medicina, da psicologia, da pedagogia e da grafologia são unânimes no reconhecimento de múltiplas vantagens na continuidade do ensino e utilização da escrita manual, refutando a substituição da caneta pelo teclado.
Entre os principais benefícios da escrita manual, em relação à do teclado, mencionam:
·       desenvolvimento das capacidades motora, percetiva e cognitiva,
·       fortalecimento da coordenação óculo-manual,
·       maior facilidade na perceção das letras e  no domínio da leitura,
·       melhoria da concentração e da memória,
·       conjunto de caraterísticas artísticas e criativas que tornam único o seu autor.

Na era digital, a escrita manual não pode perder o seu lugar nem ser considerada obsoleta, porque se trata de um produto essencialmente humano, resultante de uma série de movimentos coordenados pela mente, pela vista e pela mão, que constituem, ao mesmo tempo, uma tridimensionalidade física, intelectual e emocional.

01/09/16

Análise da escrita através de algoritmos biométricos



A biometria aplicada à escrita permite a identificação do autor de determinada escrita ou assinatura, servindo-se da captação e da análise de caraterísticas individuais únicas, deixadas sobre o suporte eletrónico.
Esta aplicação constitui um avanço na descoberta da falsificação de documentos manuscritos.
O grafólogo, servindo-se de um suporte monitorizado por um apropriado software, consegue observar e comparar, quantitativa e estatisticamente, determinados parâmetros fundamentais de identificação da simulação ou falsificação. Para que a perícia possa ser realizada com sucesso, a escrita terá que ser lavrada, previamente, sobre o referido suporte eletrónico.

O ritmo biodinâmico do cada escrevente, expresso através da motricidade fina, permite expressar, sob a forma de gráfico, as caraterísticas dos movimentos grafismos, tais como a aceleração ou abrandamento, a tensão ou pressão exercida, o tempo de execução, a angulosidade ou curvatura, a direção da linha de base, a dimensão e o grau de ligação e movimentos aéreos.
À semelhança do que sucede em outras ciências, como na medicina, a utilização da tecnologia na análise da escrita permite uma maior discriminação e precisão nos resultados do que os meios tradicionais. O ritmo da escrita é apresentado no hardware, assim como o ritmo cardíaco se apresenta no eletrocardiograma.
As sequências de algoritmos ficam ausentes de ambiguidade desde que estejam corretamente implementados, deem os passos específicos e segundo determinada ordem. A exatidão dos resultados pode ser comprovada matematicamente.

Porém, devido à complexidade e variabilidade da mente, do sistema nervoso e do comportamento humanos, exige-se uma redobrada atenção, aquando da recolha de dados, do seu tratamento e armazenamento. 

14/06/16

Algarismos e identificação do seu autor

Na procura de um indivíduo que tenha cometido determinado crime ou atos de terrorismo, a polícia tenta investigar todos os sujeitos que apresentam caraterísticas físicas ou psicológicas semelhantes às do indivíduo suspeito.

O sujeito criminoso tentará por todos os meios disfarçar o seu aspeto físico e comportamental, a fim de iludir as autoridades policiais e dificultar a sua identificação: poderá deixar crescer a barba e o cabelo, usar óculos escuros ou escurecer a própria pele.

Na impossibilidade de recolha do ADN, de impressões digitais ou de provas testemunhais, os investigados dos atos criminais tendem a alargar o leque de suspeitos e, por vezes, pessoas irrepreensíveis, que nada têm a ver com atos criminosos, sofrem injustamente, apenas porque se encontravam no local errado e no momento errado.

Determinados indivíduos podem, até, possuir o mesmo nome e idêntica nacionalidade e tratar-se de pessoas completamente distintas.

Seria muito vantajoso para a investigação a descoberta de qualquer registo escrito encontrado na posse do sujeito suspeito. Quando este fosse chamado a produzir textos autógrafos, dificilmente conseguiria disfarçar as caraterísticas da escrita que lhe são próprias e acabaria por se autodenunciar.

Nos dois enunciados, acima apresentados – no contestado e no autógrafo – observam-se marcas que denunciam a mesma autoria: como o arredondamento dos ovais, a ausência de angulosidade, os movimentos finais fusiformes, a oclusão no topo de alguns carateres, a simetria volumétrica, o traçado denso e bem pressionado, o tipo de ligação, o ritmo e a velocidade destes enunciados, tipicamente, femininos. 

O enorme predomínio das semelhanças sobre as diferenças observadas nestas duas curtas séries numéricas, leva-nos a concluir que as mesmas se correspondem e que foram lavradas pela mesma pessoa. 
https://www.facebook.com/CentroGrafologiaDocumentospiaForense/

26/01/16

FALSIFICAÇÃO POR IMITAÇÃO GROSSEIRA


A afirmação constante no enunciado “B” é uma imitação grosseira da afirmação “A”.
O falsificador “B” não conseguiu captar o ritmo da escrita “A”, pecando por lentidão, tremor, paragens e faltas de ligação.
O traçado “B” é mais monótono e a pressão apresenta pouca diferenciação entre os movimentos descendentes e os ascendentes.
Enquanto as hastes literais do enunciado autógrafo “A” se inclinam ligeiramente para a esquerda, no enunciado contestado “B”, a inclinação é variável.
O imitador/falsificador terá sentido dificuldade em se adaptar a uma escrita com caraterísticas muito diferentes das da sua.
Os traços verticais da escrita autógrafa “A” são bem marcados, revelando a tendência do autor para pressionar mais acentuadamente os movimentos de contração e reduzir ao mínimo os de extensão. Este facto é comprovado pela presença de constantes movimentos aéreos que não se observam na escrita suspeita.
O bucle na parte superior da consoante “l”, em forma de vela, na frase autógrafa, difere bastante do bucle da frase suspeita que se encontra mais arredondado, inclinado para a direita e que fora realizado com maior lentidão. 
A barra da letra “t” na escrita “A” é muito mais leve do que em “B”. Quando o autor da escrita “B” pretende imitar a rapidez com que foi executada a barra da escrita “A”, ligando a haste e a letra seguinte, o que resulta é uma prova de falsa velocidade. Pois um movimento rápido não se perde em formas angulosas nem em ziguezagues.
Na hipótese de se tratar de uma auto-imitação ou auto-falsificação, o autor teria, com certeza, deixado algumas marcas por disfarçar, porque tem um estilo muito próprio e inconfundível. 
Depois de observação ao microscópio destas e doutras diferenças, pericialmente muito significativas, pode afirmar-se que os dois enunciados não se correspondem e que, muito provavelmente, terão sido escritos por pessoas diferentes.

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