12/06/13

Ritmo e Arritmia da escrita manual


O ritmo é um dos parâmetros que melhor identifica e qualifica o escrevente.
Temos dois textos, com duas estruturas gráficas diferentes quanto ao ritmo. Foram escritos por dois indivíduos com personalidades diversas. O texto “A” pertence a uma senhora com mais de 70 anos e o texto “B”, a um médico, com cerca de 50 anos.
O texto “A” é mais vulgar, apresentando perturbações quanto ao movimento, à forma e ao espaço. As formas triangulares perturbam o espaço gráfico. A insegurança dos grandes traços iniciais contrasta com a tendência impositiva dos golpes de sabre da barra dos “tt”.
A arritmia grafoescritural é um provável sintoma de disfunção psicofísica ocasional ou permanente ou é indício de uma falsificação da escrita.
Revela algum desequilíbrio entre imaginação e realidade, entre a autoimagem e os valores


alcançados.
O texto “B” é ritmado, nem se apresentado demasiado lento nem precipitado. Os carateres, as palavras e os espaços são harmoniosos, desiguais, mas proporcionais. O movimento gráfico não aparece quebrado sistematicamente, nem se apresenta demasiado contínuo. Não se verificam prolongamentos desconformes. A pressão é moderada. A inclinação não é rígida.
Este tipo de equilíbrio grafoescritural é denominado “ritmo” por Klages, “desigualdade metódica” por Moretti, “harmonia” por Crepiéux.
O ritmo da escrita, como sucede em muitos outros comportamentos humanos, está relacionado com o fluxo e refluxo espontâneos do dinamismo vital. Sendo uma espécie de melodia criada pela palpitação e vibração neuropsíquicas, não se confunde com um compasso mecânico.
Não é fácil medir com exatidão o ritmo grafoescritural. Uma das sugestões para avaliar o ritmo é observar a presença ou ausência de excessos. Qualquer sinal desmedido diminui o equilíbrio e a espontaneidade da escrita. Qualquer descomedimento, por não ser natural, reduz a harmonia do traçado e, consequentemente, o seu ritmo.
A escrita arrítmica carece de equilíbrio estético, devido a distorções globais ou parciais quanto à forma, dimensão, pressão e organização do traçado.
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01/06/13

Falsificação de documentos - O caso Dreyfus

Em 1894, Madame Bastian, espia dos serviços secretos franceses, trabalhava como empregada doméstica na embaixada alemã, em Paris. Enquanto procedia à remoção do lixo no cesto dos papéis, encontrou pedaços de uma carta anónima (le bordereau), com informações importantes sobre o exército francês. Madame Bastian entregou os fragmentos descobertos aos serviços secretos franceses. O Ministério da Guerra contratou Paty De Clam e o coronel D`Aboville,  grafólogos amadores, para que averiguassem a autoria da missiva.
Alfred Dreyfus, oficial do exército francês, de origem judaica, foi considerado o principal suspeito e condenado a prisão perpétua.
Três anos mais tarde, o irmão de Dreyfus soube que o verdadeiro autor foi Charles Esterhazy, oficial do estado-maior do exército. Ocorreu um segundo julgamento, mas a sentença não foi alterada. Em 13 de janeiro de 1898, Émile Zola, escandalizado com a injustiça, escreveu uma carta aberta, intitulada J`Acuse, ao presidente da república, publicada no jornal republicano L`Aurore. A polémica foi enorme e dividiu a França entre sionistas e antissemitas.
Em 1906, uma perícia estatístico-grafológica, realizada pelo matemático Henri Poincaré, atribuiu a autoria da carta a Esterhazy. Este, protegido pelas cúpulas militares, não pagou, devidamente, pela sua traição ao exército.

 Dreyfus foi inocentado, mas nunca foi restabelecido totalmente na sua carreira militar 
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