30/11/11

Velocidade da escrita versus velocidade da leitura

Premissas
A criança começa por reconhecer algumas palavras, utilizando a configuração total e, mais tarde, passa a interiorizar e a utilizar a correspondência grafema-fonema.
A aprendizagem da leitura pressupõe o conhecimento das regras da linguagem escrita.
Aprender a ler a e a escrever é fundamental para compreender e interpretar o ambiente que a rodeia e o mundo em que vive.
A observação, da maneira como a criança escreve e lê, pode ajudá-la a desenvolver-se ou a superar determinadas dificuldades.
Todas as atividades escolares pressupõem o domínio da linguagem oral e escrita.
A criança, ao estabelecer uma conexão entre as palavras impressas e as atividades de escrita e de leitura (associando os sons às palavras), busca a construção dum todo.
A aprendizagem da escrita e da leitura constitui um processo mútuo, contínuo e dinâmico.

Método e aplicação do teste
Quando da realização dos testes da velocidade da escrita, junto dos alunos do 2º ciclo, intuí que aquela poderia estar relacionada com a velocidade da leitura, pois, tinha conhecimento da existência de discentes que eram muito mais lentos que outros a ler e escrever.
Para confirmar estas minhas suposições, aproveitei duas aulas de Estudo Acompanhado, quando estas estavam a ser lecionadas por dois professores.
Em quatro turmas – duas turmas do 5º ano e duas do 6º ano –, abrangendo um total de 57 indivíduos, fiz testes individuais de leitura, com aqueles que já tinham realizado o teste de velocidade da escrita.
Selecionei um texto com uma mensagem compreensível, agradável e adaptada ao nível etário dos alunos testados. A escolha recaiu sobre o livro “O principezinho” (1ª página do capítulo VIII).
Para mais fácil contabilização das sílabas lidas por cada indivíduo, tomei nota da quantidade de linhas do texto e da quantidade de sílabas por que era constituída cada linha.
Baseei este teste na leitura de sílabas e não de letras por aquelas constituírem a unidade mais pequena de pronúncia. A opção por palavras seria menos significativa porque os vocábulos são de dimensões muito diferentes.
A leitura começava no início do texto, pronunciando todas as sílabas e respeitando as pausas correspondentes aos vários sinais de pontuação.
Durante um minuto, cada aluno lia, em voz baixa, o mesmo texto, de modo que os colegas não ouvissem e não se familiarizassem com a história, nem com os termos empregados pelo autor.
Cronometrado um minuto de leitura rápida, eu anotava a última palavra lida por cada sujeito testado.
O gráfico mostra  a evolução e a correspondência entre a  velocidade da escrita e a velocidade da leitura.

Após a realização dos testes, fiz o tratamento dos dados recolhidos. 

(A interpretação dos resultados será divulgada no próximo artigo)

13/11/11

Escrita dos homozigóticos


Escrita do gémeo esquerdino, do 8º ano, com 13 anos e 7 meses
Sabendo que cada pessoa é um ser único e irrepetível e sabendo que, por esse facto, não há duas escritas iguais, serão os grafismos dos gémeos monozigóticos idênticos ou terão elevadas semelhanças?

Analisei a escrita de dois gémeos masculinos univitelinos, com 13 anos e 7 meses de idade, que frequentavam a mesma turma do 8º ano.
Notei, de imediato, uma primeira grande diferença: um era destro, outro era esquerdino.


O teste foi realizado simultaneamente, quando ambos assistiam a uma aula e cada um se sentava numa mesa diferente.


Pedi-lhes que, durante um minuto, escrevessem, o mais rápido possível, a frase “As nossas palavras são como um cristal”.


Logo verifiquei uma segunda diferença: o destro conseguiu fazer 192 letras por minuto e o esquerdino 185.
                                                                                                                Escrita gémeo destro, do 8º ano, com 13 anos e 7 meses
Outras diferenças se juntaram: o espaço deixado pelo esquerdino entre linhas e entre palavras é menor, a angulosidade é mais evidente, a diferença de pressão é notória, as barras dos “tt” do esquerdino são em diagonal ascendente e as do destro  em
diagonal descendente.
                                                                                          
A margem esquerda no esquerdino é bastante mais pequena que a do destro. O esquerdino assinou com maiúsculas tipográficas desligadas e o destro, com carateres cursivos.
Algumas semelhanças se destacam, nomeadamente, a dimensão da zona média, com cerca de 1,5 mm de altura, a inclinação para a direita, os “AA” maiúsculos que apresentam forma parecida, ambos os irmãos apresentam uma certa dificuldade em desenhar o conjunto “vr” da palavra “palavras”, nos dois predominam as letras ligadas. As hastes do “pp” são semelhantes, quanto à forma, quanto à dimensão e quanto à pressão exercida.
Muitas outras semelhanças e dissemelhanças poderiam ser apontadas. Mas as marcas atrás referidas são já suficientes para atestar que nem os gémeos univetelinos se expressam graficamente de maneira igual.