31/01/09

Catherine Mangaud e o envelhecimento

A grafóloga Catherne Mangaud publicou, na revista la graphologie, nº 273, da Société Française de Graphologie, um extracto do estudo que realizou sobre o envelhecimento através da escrita.
Analisou 60 textos de pessoas dos dois sexos, com idades próximas dos 50/60, 70 e 80 anos. Chegou à conclusão que as modificações gráficas mais marcantes nas pessoas idosas se manifestam principalmente ao nível das hastes das letras, da direcção da linha de base, na dimensão, na pressão, nas irregularidades a nível das entrelinhas, no espaço entre palavras, na deterioração de certas formas, nas tremuras do traçado, na fragmentação e nas amolgadelas dos ovais. Constatou que o esforço para compensar as crescentes dificuldades conduziu a uma escrita mais lenta e retocada. Concluiu que os sinais de envelhecimento na escrita são mais precoces nalguns idosos do que noutros com a mesma idade cronológica.

Observações
Segundo as normas clássicas, a grafologia não nos fornece a idade do escrevente, mas, através da degradação da escrita, com o avançar dos anos, pode dar-nos indicações sobre o ritmo de envelhecimento cerebral, porque escrever é um acto do cérebro. Mas é no texto, mais do que na assinatura, que se dão maiores alterações, visto que esta última obedece a certos automatismos que perduram durante mais tempo.

25/01/09

22/01/09

Uma palavra escrita é semelhante a uma peróla (Johan Goethe)

21/01/09

Assinatura Barack H. Obama - O que pode revelar

Uma simples assinatura descontextualizada não permite traçar o perfil do presidente dos USA. Porém, analisando o seu traçado, podemos inferir algumas características da sua personalidade.
Político, advogado, casado, 47 anos, esquerdino.
Pessoa optimista, entusiasta e imaginativa (maiúsculas B e O volumosas).
Com espírito aberto, sociável, autoconfiante e extrovertido (oval mais largo do que alto). Diplomata e astuto, qualificativos bem necessárias a qualquer advogado (segmentos filiformes ).
Boa capacidade de afirmação, de defesa e de ataque (o traço de alto para baixo, com forte pressão). Conciliador e dinâminco (mistura de curvas e ângulo). Finalmente, os traços massivos são prova de energia e de afirmação passional.
https://www.facebook.com/CentroGrafologiaDocumentospiaForense?ref=hl

20/01/09

Pernas

Pernas do p muito prolongadas, de senhora
As pernas formam a zona inferior da escrita, a zona do instinto, do biológico e das necessidades primárias. As letras que apresentam pernas são f, g, j, p, q, z e y. Na escola, as consoantes p e q são ensinadas a fazer sem bucle. Por isso, não é indiferente o formato com que cada escrevente as realiza. Aqui não se pretende esgotar todo o tipo de pernas, mas, apenas, dar exemplos significativos.
  • Pernas que descem e sobem pelo mesmo traço (quando não pertençam ao modelo aprendido) remetem para o medo de confiar nos outros e de se magoar.
  • Redondas na base indiciam sensualidade, desejo de chamar a atenção, alegria e diversão.
  • Inchadas, moles, inclinadas para a esquerda reportam para ligação à mãe e desejo de permanecer criança (num grafismo com outros sinais de imaturidade).
  • Prolongadas exprimem a necessidade de afirmação.
  • Muito curtas (associadas a hastes também reduzidas) diagnosticam auto-controlo, moderação, pragmatismo, egoísmo, fingimento e submissão.
  • Triangulares (em golpe de sabre) são sintoma de autoritarismo, de exigência, de combatividade, de espírito crítico, de exigência, de vivacidade e de energia dinâmica.
  • Regressivas induzem displicência, desconfiança e frieza afectiva.

    Quando as pernas e as hastes são tão curtas que a zona média parece a zona única, o escrevente está a dar prioridade ao eu íntimo, à emotividade e às relações com o meio.

Hastes

Haste da letra d com traço descendente longo, professora, solteira, 28 anos

As hastes desenvolvem-se na zona superior da escrita que simboliza o pensamento e o espírito. Elas, de modo geral, estão relacionadas com o grau de energia e de afirmação do eu. Nas hastes dá-se mais relevo aos traços descendentes (realizados pelos movimentos de flexão) do que aos ascendentes, sendo os primeiros feitos, normalmente, com maior pressão do que os segundos. Algumas hastes formam bucles, como as das consoantes b, f, h e l, outras têm traços que sobem e descem praticamente sobrepostos, como acontece com as letras t e d.

  • Verticais (recisa na escola morettiana) e firmes exprimem firmeza, rectidão, afirmação pessoal, sinceridade, coerência, decisão, resistência, rigidez e rudeza.

  • Côncavas à direita (tipo abrir parêntesis) traduzem disponibilidade, flexibilidade, complacência, acolhimento, condescendência, adaptabilidade, espírito gregário, indulgência, submissão indulgência, cedência e dependência.

  • Côncavas à esquerda (tipo fechar parêntesis) têm o significado de defesa, reduzida disponibilidade, reserva, não influenciabilidade, prevenção, suspeita, repulsão, insociabilidade, auto-protecção, defesa, sofrimento, tendência a evitar responsabilidade, displicência, contestação e desconfiança.

  • Curvas ou brandas indicam conciliação, simpatia, influenciabilidade e debilidade de carácter.

  • Traço inicial longo (ultrapassando a linha de base) reflecte a necessidade de apoio.

  • Traço final descendente longo (ultrapassando a linha de base) revela a tendência a impor-se.

  • Pernas do t abertas remetem para determinação e teimosia.

  • t com único traço de cima para baixo é sinal de segurança em si próprio e realismo.

  • Suspensas antes de atingirem a linha de base sugere timidez e inibição.

  • Torcidas significam fraca criatividade e dificuldades nas expressões oral e escrita.

  • Aneladas e inchadas representam necessidade de sonho, delicadeza, hipersensibilidade, medo de reprovação, falta de confiança e vulnerabilidade.

  • Pequenas pressupõem pouca ambição, modéstia, resignação, paciência, inibição, submissão, passividade e conformismo.
  • Elevadas (enfatizadas) relacionam-se com grande ambição, idealismo, altruísmo, crenças, intelecto, criatividade, virtuosidade e utopia.

Estas características psicológicas para terem algum significado devem repetir-se várias vezes no texto, pois, se o formato for variado a leitura será diferente. A leveza ou intensidade da pressão também são factores determinantes na avaliação deste sinal.




19/01/09

Barra do t

Barras do t compridas, de militar do sexo masculino, com 42 anos
As barras do t minúsculo estão relacionadas com nível de determinação, de iniciativa e com qualidades de chefia. Este traço é bastante livre e, por conseguinte, bastante importante na análise da escrita. Todavia aparece caracterizado de inúmeras maneiras. Neste espaço vou apresentar apenas os formatos mais comuns e mais significativos.

  • Muito alta assinala uma boa liderança, idealismo, independência, superioridade, vontade de mandar, afrontamento, altivez, desejo de protagonismo, autoridade, dogmatismo, normatividade, utopia e sentimento de superioridade.

  • Muito baixa corresponde a pouca ambição, fraca auto-estima, submissão, comedimento, modéstia, humildade e dependência.
  • Curta e baixa demonstra timidez, consciência escrupulosa, auto-controlo, isolamento social ressentimento e complexo de inferioridade.

  • Atrás da haste está associada a introversão, calma, inibição, indecisão, passividade, e apego ao passado.

  • À frente da haste está relacionada a actividade, extroversão, audácia, vivacidade, iniciativa e confiança no futuro.

  • Em golpe de sabre está relacionado com firmeza, vivacidade, dinamismo, impulsividade, vontade de domínio, combatividade, agressividade e cólera.

  • Comprida está conotada com combatividade, vivacidade, impaciência, e açambarcamento.
  • Em diagonal ascendente evidencia capacidade de liderança, combatividade, agressividade encoberta, inadaptação e defesa.

  • Diagonal descendente explica a tendência para a depressão, a insegurança e a impotência.
  • Massiva expressa afirmação passional, explosividade e brutalidade.

  • Central explicita prudência, controlo, equilíbrio e maturidade.
  • Em forma de laço exprime habilidade, sedução, vaidade, egoísmo, manipulação e pequeno professor (grafoanálise transaccional).

  • Realçada é sinónimo de orgulho, ambição e autoritarismo.

Alguém, depois de ter lido estas características, tentou fazer as barras de acordo com o perfil desejado, mas foi imediatamente traído por outros sinais gráficos.

Recordo que nenhum sinal gráfico pode ser valorizado, quando isolado do contexto.

18/01/09

Questões grafológicas pertinentes


Como teve origem a grafologia?


As marcas deixadas pela caneta na folha, semelhantes a sulcos deixados pelo arado na terra ou a pegadas de dinossauros, como costuma dizer Francisco Queiroz, desde muito cedo impeliram os estudiosos da escrita a descortinar o seu significado.
Durante o Império Romano, no II século da nossa era, Suetónio, biógrafo do Octávio César Augusto, destacou algumas particularidades da escrita do imperador, a fim de traçar o perfil da sua personalidade.
O primeiro livro de interpretação do carácter através da escrita só apareceu no século XVII com o médico italiano Camillo Baldi.
No século XIX, com Hipólito Michon, abade francês, teve o verdadeiro início o estudo científico da Grafologia e, desde esse período, tem-se expandido por toda a parte.


A grafologia é uma arte ou uma ciência?

A grafologia tem o estatuto de ciência porque é constituída por um corpo de saberes sistematizados, objectivos, rigorosos e transmissíveis. Possui objecto, terminologia e método próprios e finalidades específicas. Os seus critérios e princípios podem ser testados. Não se confina a determinado território. Faz o seu percurso histórico independente de outras ciências, evoluindo com os próprios erros. Não apresenta verdades absolutas, mas graus de probabilidade.


Qual é a definição exacta de grafologia?



Alguns autores ou escolas apresentam definições um pouco diferentes, mas complementares. Umas são mais longas, outras, mais sintéticas. Em todas está presente o aspecto essencial “análise da escrita para a descoberta de determinadas tendências da personalidade do seu autor”. Cada sinal deve ser interpretado tendo em vista o contexto gráfico e não isoladamente.


Que traços da personalidade podem ser revelados através da análise grafológica?

A análise da escrita pode revelar certas características da personalidade: inteligência, intuição, criatividade, sociabilidade, energia psíquica, motivação, equilíbrio emocional, afectividade, actividade, abertura mental, organização, auto-estima, capacidade de decisão, concentração, liderança, honestidade, sensualidade, fantasia, agressividade, angústia e falsificação.


A escrita realizada com a mão esquerda, com a boca ou com o pé é diferente daquela que é feita com a mão direita?

A escrita é um acto mental do indivíduo e, por isso, cada um tem sua escrita própria, o seu estilo único. A escrita feita com a mão direita ou esquerda, com a boca ou com o pé exprime essencialmente as mesmas tendências da personalidade, conforme já demonstrou o TH. W. Preyer.

O teste grafológico substitui outros testes?

A grafologia é uma ciência. Não é apenas um teste, mas pode alcançar resultados iguais ou superiores aos de tantos outros testes projectivos.
Qualquer teste projectivo, isoladamente, fornece sempre menos dados do que se for cruzado com outros. O teste grafológico pode muito bem ser acompanhado por testes de desenho, nomeadamente, os da figura humana, da árvore, da família, da casa ou das ondas e do céu estrelado.



Em que campos se pode aplicar?


A grafologia tem aplicações relacionadas com auto-conhecimento, reeducação da escrita, compatibilidade conjugal, diagnóstico da personalidade, perícia documental, selecção de pessoal, aconselhamento profissional e vocacional, idoneidade de colaboradores, investigação histórica e artística, diagnóstico e contextualização de doenças físicas ou mentais.


A assinatura ou um pequeno texto são suficientes para fazer uma boa análise?


Depende daquilo que se pretende conhecer. Mas, normalmente, são necessárias várias páginas e várias assinaturas de períodos diferentes. Pois, um maior número de sinais gráficos fornece, em princípio, uma menor margem de erro.

Uma caligrafia bem feita é sempre um sinal positivo?


Fazer uma escrita caligráfica é seguir um padrão. Pode revelar sentido estético, mas também falta de originalidade e conformismo. Está claro que, se se tratar duma criança, na fase aprendizagem da escrita, será normal encontrar uma escrita caligráfica, e não se lhe pode atribuir nenhum significado especial.



Em Portugal, a grafologia é ensinada nalguma Universidade?


No diz respeito ao reconhecimento e ao ensino oficiais da grafologia, Portugal está atrasado em relação a outros países, como Itália, França, Espanha, Suíça, Alemanha, Argentina, onde é ensinada em instituições de ensino superior, desde há vários anos.

O que não podemos pedir à grafologia?




Não se pode pedir à grafologia aquilo que ela não pode dar. Não dá a idade, o sexo, a profissão, o estatuto social, cultural ou económico do escrevente. Os grafólogos não prevêem o futuro nem prevêem comportamentos pontuais, mas indicam tendências ou predisposições do sujeito. E não devem confundir-se com astrólogos, cartomantes ou outros praticantes de artes divinatórias.


Qual é a percentagem de acerto na análise grafológica?


Não se pode falar em percentagens exactas de acerto, nem nesta nem em quaisquer outras ciências humanas afins, como a psicologia, a medicina, a pedagogia, a sociologia ou a criminologia. Pode, contudo, afirmar-se que uma margem de erro de dez ou vinte por cento é bastante razoável.

Por que prefere utilizar o termo grafologia em vez de psicologia da escrita?




Alguns autores fogem do termo grafologia para evitar confusões ou conotações pejorativas. Eu prefiro a palavra grafologia porque é mais abrangente. Não se trata de uma disciplina de psicologia, mas de uma ciência com múltiplas disciplinas. Certamente que para um grafólogo é indispensável uma boa formação em psicologia, mas a grafologia abrange outras componentes para lá da psicológica, nomeadamente, no âmbito da medicina, da psiquaitria, da criminologia, da investigação histórica e da selecção de pessoal.

Afonso Sousa






















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01/01/09

Quanto mais alguém se esconde atrás do texto mais se manifesta, porque pode haver grafólogos distraídos, mas não há escritas indecifráveis.
"Disfarçar a escrita é tão difícil como disfarçar a fisionomia" (J. CH. Grohmann)

Ovais

Ovais fechados de menina adolescente de 15 anos, 8º ano
O círculo é uma das figuras mais primitivas, perfeitas e simbólicas da humanidade. É uma forma feminina por excelência. Está associada aos conceitos de harmonia, fecundidade, origem e fim. Por isso, não é de estranhar que tenha sido escolhida como letra do alfabeto. O primeiro modo de a criança desenhar a figura humana é circular.
Os ovais são constituídos por todas as letras de forma arredondada (as vogais o, a, e parte das consoantes d, g, q). Ocupam a zona central ou média, fazendo fronteira com a zona superior (zona do ideal e do racional) e com a zona inferior (zona do instinto e do inconsciente). De modo geral, os ovais retratam a intimidade, a auto-consciência, a vida afectiva e as suas descargas emocionais do escrevente. Além de outros formatos, podem apresentar-se:
  • Abaulados, reflectindo necessidades afectivas na infância e na adolescência, apropriação indevida, imaturidade, fantasia, emoções e agressividade reprimidas.
  • Achatados, sugerindo inibição, reserva, timidez, dissimulação, hedonismo, necessidade de auto-estima e reacção lenta aos estímulos.
  • Abertos em cima, estando relacionados com receptividade, sinceridade e abertura.
  • Abertos à direita, indiciando permeabilidade, confiança, franqueza, ternura social, calor humano e extroversão.
  • Abertos à esquerda, indicando prudência, calma, introversão, apego ao passado, nostalgia, timidez e ocultação.
  • Abertos em baixo, inferindo fraqueza ou ternura nível corporal, instintivo ou sexual, deslealdade, e egoísmo adquirido.
  • Angulosos, estando associados a disciplina, coragem, rigor, combatividade, firmeza, tenacidade, resistência, defesa, rigidez, intransigência, severidade, agressividade, frieza, egoísmo, inflexibilidade, irritabilidade, teimosia, dificuldade de adaptação e desconfiança.
  • Com bucles (duplo fecho), remetendo para reserva, ambiguidade, manipulação, busca de afecto e insinceridade.
  • Sem bucles, manifestando desejos sexuais por satisfazer e frieza.
  • Fechados, reportando prudência, introversão, reserva e cautela.
  • Sem amolgadelas nem esmagamentos podem ser sinal de calor afectivo, abertura e de pessoa comedida.
Qualquer das características supracitadas não pode ter uma leitura isolada, sob pena de se incorrer numa interpretação descontextualizada e, portanto, errónea.