19/04/08

Sinais de mentira no adulto e na criança

Principais características da escrita de adultos que podem indicar tendência para fantasiar a realidade ou mentir, segundo Max Pulver:
  • Direcção especada (letras maiúsculas iniciais especadas
  • Discordância do tamanho e da espessura (fazendo sobressair a falta de equilíbrio entre o eu e o teu, o subjectivo e objectivo)
  • Enrolamentos sinistrogiros
  • Exageros (quaisquer que eles sejam)
  • Falta de espontaneidade
  • Filamentos no interior das palavras
  • Grande diferença entre o traçado geral e a assinatura
  • Grande lentidão (a não ser que seja voluntária ou de ordem fisiológica)
  • Junção ou obliteração exagerada dos brancos
  • Letras m e n arcadas
  • Letra o com laço dentro
  • Letras quebradas (traçadas aos bocados)
  • Mudanças de letra (com traçados diferentes, confundindo-se com outras letras)
  • Retoques (sinais de busca do melhor e da meticulosidade, mas junto dos outros)
  • Traçado das letras ao contrário (pode comportar abertura inferior nas letras a e o)
  • Traços cobertos por outros

Jacqueline Peugeot refere também alguns sinais de provável tendência para mentir ou fantasiar a realidade na escrita das crianças:

  • Disfarce da caligrafia
  • Escrita desleixada
  • Escrita mole
  • Fraca pressão
  • Letras ao contrário
  • Letras indistintas
  • Letras trocadas por outras
  • Letras vaporosas
  • Polimorfismo num meio pobre
  • Qualidade defeituosa do traçado

Os autores não consideram o teste grafológico como um detector automático de mentiras. Em grafologia não há interpretações lineares. Os sinais gráficos são plurissignificantes e estão inseridos num determinado contexto. Pois, se a mente e a personalidade humanas são tão complexas, como poderia ser simples a leitura dos sinais que as representam? Só um grafólogo experiente será capaz de tirar as devidas conclusões.

15/04/08

Prevenir a disgrafia ou reeducar a escrita

Escrita disgráfica, de rapaz com 14 anos, no 5º ano de escolaridade
A escrita é um acto cerebral em que ambos os hemisférios intervêm na sua realização, apesar do predomínio do esquerdo sobre o direito, como pode constatar-se na preferência pela mão direita. Tratando-se dum acto, simultaneamente, neurológico, perceptivo e motor, implica o desenvolvimento das capacidades motora, visual, motora fina, espacial, linguística.
Os sintomas das disfunções gráficas deveriam começar a ser diagnosticados mesmo antes do 1º ano de escolaridade. A simples exercitação, por vezes, não é suficiente para a automatização da escrita. A educação precoce é preferível à reeducação.
A disgrafia é uma perturbação de tipo funcional que não implica lesões cerebrais ou problemas sensoriais. Trata-se de indivíduos normais. Mas é necessário diagnosticar o que está por detrás da disgrafia. As suas causas podem encontrar-se na dificuldade da aquisição do esquema corporal, de orientação, da coordenação óculo-manual e da lateralidade.
A criança disgráfica revela dificuldades na execução de letras, palavras e números: faz deslizar a mão com fadiga, escreve de maneira irregular e com legibilidade insuficiente, segura mal na caneta, deixa espaços irregulares, as margens são desrespeitadas, as linhas apresentam-se confusas, comete erros ortográficos, a dimensão e a inclinação são variáveis, as formas das letras são irregulares, o ritmo é alterado, a pressão é desajustada, as ligações apresentam-se incorrectas, verificam-se torções, interrupções, inversões (umas vezes escreve da esquerda para a direita outras da direita para a esquerda).
Deve ser na escola infantil que começam a identificar-se os pré-requisitos necessários para ultrapassar as causas desta perturbação grafomotora.
Quando a escrita não desempenha a função de comunicar e o gesto gráfico se torna difícil é necessária a reeducação da escrita, através da intervenção dum profissional que saiba lidar com o problema, descobrir as causas e aplicar a terapia adequada. O grafólogo pode fazer um cuidadoso exame grafomotor e colaborar com os professores.
O exame grafomotor consistirá essencialmente na observação da escrita e do desenho, da posição assumida pela criança enquanto escreve, da eventual presença de espasmos, na recolha de dados da anamnese, em provas de percepção, verificação da organização espácio-temporal, na coordenação motora, na predominância lateral, na memória e na atenção. E quando coexistem problemas na linguagem verbal, de relacionamento ou neurológicos, o grafólogo actuará em colaboração com outros profissionais como o psicólogo, o neurologista, o terapeuta da fala, o pedagogo e o professor.
A finalidade da reeducação é facilitar a melhoria da escrita, feita sem fadiga e personalizada. Para que tal suceda, diz R. Oliveaux, é necessário partir de formas simples, cuidando da pressão, da velocidade, do ritmo e da precisão.
A recuperação do aluno com disgrafia requer muito esforço, tempo e constância. É preciso fazer exercícios de pressão com o lápis, traçar grinaldas, arcos, espirais, anéis, variar o ritmo, aumentar a velocidade da escrita, desenvolver uma boa coordenação funcional da mão, dos dedos, da preensão e da pressão; em suma, criar hábitos neuro-motores correctos que permitam fazer todos os micro-gestos implicados na escrita.
Uma análise da escrita deste aluno será publicada neste sítio, noutra ocasião.

11/04/08

A grafologia não é um abracadabra

Os testes grafológicos fornecem muitos dados importantes que outros testes não poderão fornecer, mas não se lhes pode pedir aquilo que eles não podem dar.
A análise grafológica não nos dá a idade, o sexo, a profissão, o estado civil, o estatuto social e económico, nem a formação académica do escrevente, nem nos diz se é destro ou sinistro.
Além do mais, é necessário ter em consideração o instrumento utilizado na escrita, o tipo de papel ou suporte, as características do documento escrito, a postura do escrevente, as condições climáticas, o estado físico e mental, a cor da tinta, o modelo caligráfico, o consumo de álcool, de drogas, de fármacos, a perda de visão, possíveis dificuldades respiratórias, o contexto, a emotividade momentânea, problemas de psicomotricidade e situações traumáticas.
Não se pode confundir a ciência grafológica com pseudo-grafologias nem com nenhum abaracadabra.

10/04/08

Sinais da velocidade da escrita

Escrita rápida

  • Fluida, dinâmica, rápida
  • Arredondada, filiforme, simplificada
  • Margem esquerda crescente
  • Ligada (pintas dos ii e traços dos tt ligados a uma das letras seguintes)
  • Inclinada para a direita, vibrante
  • Pressão nítida e leve
  • Larga, pequena, irregular
  • Maior espaço entre letras
  • Linhas ascendentes
  • Gestos-tipo longos

Escrita lenta

  • Pausas frequentes, estática, monótona
  • Arcada, angulosa, complicada, ornamentada
  • Compacta
  • Desligada, fragmentada, retocada, traços e pontos na vertical
  • Inclinada para a esquerda, rígida
  • Pressão forte, leve, pastosa, deslocada
  • Estreita, irregular
  • Pouco espaço entre letras
  • Linhas descendentes
  • Gestos-tipo curtos